John Watson's P.O.V
Eu e meu companheiro de quarto acabávamos de solucionar mais um crime. Tratava-se de um assassino que aterrorizava o centro de Londres por volta de cinco semanas e, diga-se de passagem que prendê-lo não havia sido uma tarefa fácil; durante vários dias Sherlock não comia, não falava e nem ao menos tocava, apenas ficava deitado no sofá com as mãos repousando por cima de seu rosto, algumas vezes entrelaçadas levemente. E sim, em cada um desses dias eu reparava todos os detalhes daquele tão peculiar detetive, talvez para algum dia tentar fazer deduções tão boas quanto ele, apenas tentar. Ou pelo menos era o que eu falava para mim mesmo por ficar observando Holmes por tanto tempo.
Fora isso, chegamos em nosso apartamento e Sherlock, como de costume, direcionou-se à sua poltrona, sentando ainda com a postura ereta porém as pernas um pouco relaxadas.
– O que acha de um chá? – Indaguei-o, vendo o mesmo me acompanhar com o olhar da sala até a cozinha e confesso que minha boca secou um pouco.
– Passo, acredito que eu precise de algo mais forte. – O cacheado me respondeu e eu estranhei um pouco, principalmente pelo fato de ele estar tão quieto após um caso desse tamanho, com tantos jogos e pegadinhas.
Sherlock agora se levantara do móvel de couro e caminhou calmamente até o cômodo onde eu estava. Agora era a minha vez que acompanhá-lo com os olhos. Se eu não conhecesse aquele moreno tão bem, eu diria que ele tinha um sorrisinho malicioso e um tanto perverso em seus lábios, ou apenas poderia ser um sorriso de satisfação por ter resolvido um crime de tamanha façanha.
Deixei de encará-lo quando o mesmo estava mais próximo de mim, já sentindo minhas bochechas queimarem de leve. Eu fitava o chão enquanto minhas mãos estavam apoiadas no balcão a minha trás. Sem perceber, o mais alto parou na minha frente e eu pude perceber seus olhos penetrando os meus; nesse momento eu já estava um tomate. Meu colega se inclinou para frente ainda tendo aquele sorriso em lábios, agora eu jurava que tinham um milhão de borboletas no meu estômago, mas, por que eu me sentia assim? Sem perceber, fechei os olhos e aguardei por algo que eu nem sabia o que era. Apenas fui retirado de meu transe quando ouvi Sherlock me chamar.
– Watson? O que está fazendo? – Pude ver que ele continha um riso. Nesse momento, meus ombros se contraíram como se tivesse levado um susto e abri meus olhos rapidamente, vendo que ele tirava uma garrafa de uísque de trás de mim.
– N-Não foi nada, com licença. – Falei um pouco apressado e me desvencilhei daquelas íris coloridas do Holmes mais novo.
Não queria causar uma reação exagerada e nem fazer Sherlock deduzir coisas erradas, então tratei de compassar minha respiração e rumei com mais calma para a sala, sentando no sofá e em seguida puxando o jornal do dia que estava em cima da mesa de centro. Por que diabos eu estava daquele jeito? Vermelho, ansioso e com uma leve falta de ar? Convenci a mim mesmo a ignorar tudo aquilo e tentar concentrar minhas energias nas matérias que estavam naquele papel.
Porém, como era de se esperar, minha paz não durou muito. Logo pude ver o mesmo ser provocante voltando a sala e dessa vez trazia dois copos com bebida na mão. Encarei-o por no máximo dois segundos para ter uma ideia do que o mais novo estava planejando e então voltei a ler o que estava a minha frente, ou somente fingi ler.
– O que está fazendo, Holmes? – Fiz a mesma pergunta que ele havia feito momentos atrás, porém ainda encarando as notícias locais.
– Vem aqui, John. – Quando meu nome saiu de sua boca, tratei de abaixar o jornal e dirigi meu olhar a ele.
O moreno que agora já estava sentado em seu lugar habitual, me chamou com o dedo indicador para ir até lá. As bebidas já estavam em um banquinho próximo às nossas poltronas. Antes de me levantar, dei um longo suspiro e parti ao meu móvel favorito daquele lugar. Sentindo o olhar de soberba que o mais alto mantinha sobre mim, não queria sair por baixo e tratei de falar.
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Turn me On
RomanceAlgumas garrafas de uísque, vinho e qualquer bebida barata seria capaz de mudar totalmente a relação entre Watson e Holmes? John chega no ápice de sua tensão e decide tomar uma atitude para calar de vez por todas aquele detetive arrogante e sabe-tud...
