Conhecendo
Sakura
Mais um dia de sol, mais um dia da minha vida sem ela... sem minha mãe.
Após quase cinco meses de sua partida, ainda é difícil aprender a conviver sem sua presença constante. Ela emanava uma luz e um brilho que poucos seres humanos alcançam. Mas uma doença a levou de nós, deixando apenas eu e meu pai.
Ainda não consigo acreditar como ela se foi tão rápido e facilmente. Mesmo após todo esse tempo, a saudade não diminuiu e acredito que nunca irá.
Meu pai não toca mais no nome dela. As fotos que tanto iluminavam nossa casa desapareceram; ele as guardou em um lugar ao qual não tenho acesso, em um canto de sua vida, empurrando a memória dela para o fundo de nossa existência. Tudo relacionado a ela se tornou algo doloroso para ele.
Sei que ele sofre com a ausência dela, mas não percebe que não é o único. Eu estou aqui também e sofro muito mais. Minha mãe era minha luz, minha inspiração, minha razão para não desistir dos meus sonhos. Agora ela se foi e levou tudo consigo.
Levanto-me da cama e abro as janelas para observar o rio em frente à nossa casa.
Foi minha mãe quem escolheu morar longe da cidade, pois sempre amou a natureza e os animais. Nossa casa parece mais uma fazenda, com tantos bichos diferentes. Ainda olhando pela janela, percebo uma movimentação na casa em frente ao lago. Não é muito longe da minha, mas há uma distância considerável entre as duas propriedades.
Ao olhar os patos atravessando o rio, levanto o olhar e encontro um caminhão de mudanças. Mesmo de longe, consigo ver duas crianças brincando enquanto o pai grita para que tomem cuidado. Seria uma nova família?
A casa da antiga Senhora Ken está vazia há muito tempo. Nem todas as famílias querem sair do centro da cidade, que, mesmo sem muita coisa, ainda oferece alguma civilização. A Senhora Ken morreu um pouco depois de minha mãe. Ela era muito simpática e adorava conversar com minha mãe sobre flores, elogiando-a sempre por ter me dado o nome de uma delas.
Saio dos meus pensamentos e da janela, com o barulho de garrafas no andar de baixo, indicando que meu pai já havia acordado.
Vou para o banheiro, tomo um banho e faço minha higiene pessoal, preparando-me para descer e encarar a dura realidade da minha vida, agora sem ela.
Termino o banho e desço as escadas, indo direto para a sala. Pelo caminho, pego garrafas e embalagens de comida espalhadas pelo chão.
Observo meu pai mais uma vez, no sofá, com o vestido dela em mãos, próximo ao nariz. O cheiro de vodca e uísque preenche toda a sala. Suspiro, cansada, ao vê-lo no pequeno sofá, de olhos fechados, sentindo o perfume dela.
– Bom dia, papai – digo, atraindo a atenção dele. Esforço-me para conseguir sorrir em sua direção, mas ele apenas me olha e abaixa a cabeça novamente, voltando a sentir o cheiro dela. Sinto meus olhos marejarem, mas me concentro em não chorar. Assim, sigo rumo à cozinha, observando a pia cheia de louça suja e garrafas de cerveja espalhadas. Antes, essa casa vivia impecável, pois minha mãe se dedicava totalmente a ela; era o seu sonho.
É só por isso que ainda não fugi, pois creio que, se for embora, meu pai não sentirá falta de mim. Não o culpo, ele está tão perdido quanto eu.
Começo a arrumar a cozinha e, após limpar tudo, vou até a sala. Observo meu pai virar a garrafa de vodca, várias goladas que, mesmo nunca tendo bebido, sei que descem rasgando por sua garganta pela expressão que ele faz.
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Summer Love +18
FanfictionMichigan, uma cidade de porte modesto, encanta com sua cerveja artesanal e ruas adornadas com floreiras. Foi nesse cenário que uma amizade floresceu em amor, apenas para, posteriormente, ser consumida pelo sofrimento. Duas crianças descobriram, junt...
