Capítulo único - Apenas amigos?

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Eu tenho um melhor amigo, Park Jimin.

Posso contar com ele para exatamente tudo, se brincar até para ocultar um cadáver...

Mas, brincadeiras à parte, ele é de longe a pessoa que mais confio no mundo.

Nos conhecemos desde o sexto ano, quando fui transferido para a escola em que ele estudava e acabei ficando em sua sala. Ele foi o primeiro a falar comigo, até porque eu não fazia bem o estilo popular, era mirradinho e o antissocial que vivia me escondendo com meu capuz e meus cabelos que cobriam os olhos. Mas Jimin me viu, enxergou meu potencial e desde então não nos desgrudamos.

Infelizmente, um episódio triste aconteceu em minha vida poucos anos depois. Meus pais sofreram um acidente sério de carro e não sobreviveram. Fiquei de luto por uns dois meses, mas lá estava ele, do meu lado, oferecendo seu ombro e aguentando meus surtos recorrentes.

Por ainda ser menor de idade, minha tutela passou para o meu padrinho, irmão de minha mãe, que era o parente mais próximo de mim e fui confiado a ele ao nascer perante os olhos de Deus.
Ele é um homem bom, nunca me deixou faltar nada e me apoia sem pestanejar, por isso nunca pensei em decepcioná-lo, seja por minhas atitudes ou palavras.

Contudo, ele é muito ocupado e mal para em casa. O vejo esporadicamente, um ou dois finais de semana por mês. Ele trabalha com relações internacionais e eu nunca me interessei de verdade por seu ofício, mas ele me mantinha e eu já era grato por isso.

Sou um excelente aluno, modéstia à parte, um dos melhores da escola, dividindo o podium somente com Jimin. Ele também é muito inteligente e sagaz, se dá muito bem nas matérias de humanas e línguas, enquanto eu me garanto nas exatas e nos esportes. Faço parte do time de vôlei da escola e já ganhei alguns interescolares com minha equipe. Estamos nos esforçando para entrar na competição nacional e, quem sabe, participar das olimpíadas futuramente. Sim, eu sei que sonho alto, mas nós fomos feitos para isso mesmo!

Quem não sonha, não alcança.

Certo, sou um aluno exemplar, mas eu também sei curtir a vida. Nos finais de semana em que meu tio não está em casa, faço algumas festinhas mais reservadas, se é que me entende.

Depois dessa fase ruim da vida, acabei me tornando um rapaz muito bonito e atraente. Como posso ter tanta certeza? Simples, as meninas se jogam aos meus pés. Posso ter uma garota diferente para todos os dias da semana sem repetir uma sequer durante o mês e isso não é prepotência, é a realidade.

Estamos nesse momento treinando na quadra coberta do colégio e minha torcida está aqui, firme e forte, mesmo nesse frio de 10 graus, babando por mim e meu físico atlético.

— Vai, Gukkie! — Uma de minhas ficantes gritou quando saquei.

Sim, eu fico com ela, mas está se tornando chato, e estou pensando seriamente em a dispensar. Ela é grudenta demais e eu não suporto isso!

Seu nome é Hyuna, uma líder de torcida gostosa, de cabelos longos e olhos profundos, que arrasta a bunda no asfalto por mim desde o nono ano, e só agora – no terceiro ano do ensino médio – resolvi provar do que ela é feita. Confesso que não me impressionei, ela é igual à todas as outras que namorei, sem tirar nem por.

~

O treino acabou e vim tomar banho no vestiário masculino para renovar as forças e tirar o cheiro de suor, mesmo que fraco, pois gosto da sensação de limpeza.

— E aí, garanhão! — Jimin ligou o chuveiro ao meu lado e pôs-se a ensaboar.

Ele estava em seu treino de corrida que acontece todas as segundas, quartas e sextas-feiras a tarde.

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⏰ Última actualización: Jun 02, 2020 ⏰

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