Capítulo 1: Piloto

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Segunda, 5 am
~ som de despertador ~
Abri meus olhos e tudo ainda estava escuro. Me levantei e fui logo tomar um banho quente. Era o último semestre de psicologia na Pace University.

Tomei meu café da manhã, peguei meu cartão de Estagiária e fui direto para a faculdade.

- Hoje vocês vão poder escolher em qual departamento público vão querer estagiar. Só poderão ser 3 pessoas por dp. - disse a nossa líder, a professora e psicóloga chefe.

- Eu quero o departamento de trânsito! - decidi logo, porque se não vão me colocar pra fazer estágio na prisão.

- Alguém mais quer entrar para o de trânsito? - ela perguntou.

Mais 4 colegas de classe quiseram, então a professora, de acordo com as notas, decidiu o que cada aluno ia fazer.

- As maiores notas vão ficar com o mais difíceis. Loren, você vai estagiar em uma empresa de computação e informática. Você deve fazer uma avaliação psicológica de cada funcionário e fazer um relatório.

- Jonh, Pietro e Ellen, departamento de trânsito... - Ela foi citando os nomes e dizendo o que era pra fazer. Mas eu queria tanto trabalhar no trânsito. Minhas notas foram boas o suficiente.

- Evelyn. - Finalmente me chamou.
- Como a sua média do semestre passado foi a quinta maior, você vai estagiar no presídio. É um dos mais difíceis e muitos colegas seus se matariam pra conseguir esse papel que estou te dando. Então vê se não reclama e dê o seu melhor.

Era só o que me faltava... Mas não tenho o que fazer, vou me dedicar e aprender. Aliás, é para isso que estou fazendo estágio.

Os outros dois alunos que foram escolhidos para irem comigo eram Joshua e Britany.
Eu nunca fui com a cara do Joshua, porque a cada segundo ele conta um trocadilho ruim. A Britany e eu estudamos juntas no Ensino Médio, mas nunca nos falamos muito. Mas pelo menos conheço um pouco sobre alguém.

Pegamos um ônibus lotado e fomos até a delegacia. Ao chegar lá, um homem que aparentava ter meia idade e usava um distintivo, veio até nós.

- Sejam bem-vindos ao departamento de polícia de Washington. Vou acompanhar vocês até uma sala. Lá irão explicar os procedimentos necessários e toda a parte burocrática.

- Parte burocrática? - perguntou Britany sussurrando no ouvido de Joshua.

- Por favor me sigam. - Interrompeu o homem.

Entramos na delegacia e nos mandaram para uma sala branca com uma grande janela de vidro.

- Eu já vi isso antes em algum lugar. - disse ela

- Deve ser de quando você passou um mês no hospício.

Essa foi mais uma piada idiota do Joshua, que nem teve graça. Era mesmo uma piada? Realmente aquele local parecia um hospício, mas eu sabia o que era.

- Isso é uma sala de interrogatório. - Afirmei.

- Exato, senhorita. - disse um policial, aparentemente 3 anos mais velho que a gente. - No momento só temos essa sala disponível. Aqui vou explicar tudo sobre as regras para visitar o presídio. - ele sentou em cima da mesa e começou a ler uma folha que estava em uma prancheta de madeira. - Regra 1, não fiquem batendo papo com os policias se não tiverem alguma dúvida importante. Regra 2, vocês terão 10 minutos para entrarem e escolherem quem vão atender. Vamos selecionar 3 pessoas envolvidas em um caso e vocês terão apenas uma hora. Regra 3, vocês não podem se vestir desse jeito.

- Como assim desse jeito?

Desesperada, Britany se preocupa com seu visual. Ela estava usando uma camisa azul marinho, uma calça branca com os joelhos desfiados e um salto alto fino e  preto. Ela é bem elegante e moderna, mas foi uma péssima escolha pra essa ocasião.

- Aqui temos muitas regras. Nada de anéis, pulseiras, brincos e qualquer outra bijuteria. Só sapatos fechados e nada de roupas azul escuro, cinza ou com estampa "militar". 

Uma mulher entrou na sala e nos acompanhou até ao banheiro, onde ela nos deu um uniforme adequado. Nos trocamos e uma viatura  nos levou até o presídio.

- Chegamos. Fiquem atentos, sigam as regras e não deem absolutamente nada a ninguém. Boa sorte. - disse aquele jovem policial.

- Obrigada.- agradecemos.

Depois de sermos revistados, escaniados e passado álcool gel nas mãos, fomos dirigidos até uma sala cinza. Era bem parecida com a sala do "hospício" que estávamos mais cedo, só que com várias câmeras, uma grande porta blindada e uma brilhante mesa de metal.

Ao contrário do que nos disseram, cada um recebeu uma pessoa, sem poder escolher. Joshua ficou com uma mulher de 65 anos que assassinou o filho mais novo, Britany com um traficante de 19 anos e eu, um homem de 42 anos. Cada um foi atender num canto da sala. 

- Olá, me chamo Evelyn. Qual o seu nome?

- Pra que perguntar se  você tem uma ficha com  todos os meus dados?

- Ah, verdade. - dei uma risadinha pra tentar disfarçar.

- Então quer dizer que você é uma policial, mas que não sabe o básico sobre conversar com um detento?!

- Eu tenho cara de ser policial?

- Se não é policial é o que então? Espiã russa? - disse com um tom de sarcasmo.

- Eu não estou aqui para falar sobre a minha profissão, e sim saber sobre você. O que te trouxe até aqui?

- Fui preso, não dá pra ver? - aquele cara estava me chamando de burra? Mantive a calma e agi com profissionalidade.

- E o que fez você ser preso?

- Nada.

- Se você está aqui é porque tem um motivo.

- Fui acusado de ter matado o filho daquela mulher. - disse enquanto apontava para a paciente de Joshua. 

- E por que a polícia te acha culpado?

- Porque eu estava no lugar errado e na hora errada. - ele revira os olhos e seu comportamento muda. - Eu já contei todos os detalhes para a polícia, pra que me fazer falar tudo isso. - disse quase gritando e sua perna direita sacudia, como quem está ansioso.

- Por que se sente tão incomodado em repetir a história mais uma vez se você se considera inocente?

- Eu... 

De repente um estrondo invade meus ouvidos. O policial que estava na sala conosco ficou olhando fixamente para o vidro. A porta é destravada e ele sai. Pela brecha pude observar policias correndo de um lado para o outro com armas de fogo em mãos. Assim que ele sai a porta é fechada e travada. 

- O que é isso? - trêmula, pergunta a senhora de 65 anos.

- Desculpa, mas qual o nome de vocês? - Joshua pergunta.

- O garoto se chama Victor e o homem se chama Alex. - respondi

- Ela se chama Maria. - falou Josh.

Peguei o celular para ligar pro policial jovem que nos trouxe até aqui, mas estava sem sinal.

Boom - outra explosão, só que dessa vez mais alta.

A energia falhou por uns instantes e eu só conseguia ouvir disparos de armas e mini explosões, talvez fossem granadas.

World ConspiracyWhere stories live. Discover now