Mesmo com os poucos anos de vida, minha esperança já se encontrava morta, os desejos de uma criança tinham ficado para trás há alguns anos. Um homem que nos papéis era um pai, mas presente era um desconhecido, nossas inúmeras mudanças foram causadas por suas más escolhas de vida.
Por longos e cansativos anos vivi admirando através de janelas as paisagens que se formavam do lado de fora, desejando fortemente que parássemos em algum lugar. Uma enorme felicidade ou esperança tomou conta de mim quando enfim iríamos permanecer quietos em uma nova cidade.
A mudança havia acontecido logo pela manhã e no final da tarde tudo já estava em seu devido lugar. Apesar das inúmeras caixas que invadiam o ambiente, ele continuava sombrio e gelado. Grande parte ou tudo que tínhamos foram doações de pobres pessoas que acreditavam nas mentiras daqueles marmanjos, eles nunca foram e nem serão capazes de conseguir o básico com o próprio esforço.
A porta sempre está aberta, mas há um sentimento de estar adentro de uma gaiola.
É o que eu sentia sempre quando estava ao lado deles. Observo da escada a entrada logo a frente enquanto as pernas mantinham-se cruzadas e os braços apoiados sobre elas, segurando meu rosto distraído.
Logo pela manhã o sol iluminava meu quarto pela vidraça quebrada que abria o caminho para que adentrasse, a brisa fria o acompanhava, sentia meu corpo arrepiar-se em seu encontro, principalmente quando ela vinha rodear-me após o banho, senti-me melhor quando coloquei uma confortável e quente muda de roupas. Sem questão de dar bom dia e com os documentos em mãos, me dirijo ao ponto de ônibus rapidamente. Durante o caminho vou a pontapear pequenas pedras que encontro. Era um grande acompanhamento, o sol que gritava radiante e o vento que dançava em volta de meu corpo. As vias estavam desertas, som dos galhos acompanhando o vento era o único som que ecoava durante meu caminho. Calmo, um dia perfeito.
Aqueles momentos faziam eu pensar: "talvez meu desejo não esteja morto"
— Poderíamos marcar algo para nos encontramos e conversamos, já que somos uma nova turma? — pronunciasse diante a sala, de costas para a lousa, poucos fios do cabelo atrapalhavam-na quando caiam perto de sua boca por conta de movimentação e animação
Grande maioria concordou, logo um pedaço de papel começou a rodear pela sala e as mesas para que colocassem seu número de telefone. Resultado, o ambiente acabou por ficar bagunçado e barulhento, todos se levantaram para cumprimentar um ao outro enquanto eu permanecia quieto, apenas observando seguindo o movimento através do olhar.
Em meio aos meus pensamentos, pude notar uma grande palma tentando tirar-me do transe que estava até então.
— Meu nome é Taehyung — soava alegre e repentino, não havia notado sua presença até agora. Seu alto tom fez com que eu me assustasse levemente, dando um pequeno pulo da cadeira e retirando uma das mãos que seguram meu rosto.
Não havia lhe dado resposta, mas eu não importava, aproveitei sua aproximação para o admirar, porém, sua palma novamente tentou afastar-me dos pensamentos
— Meu nome é Jungkook — o garoto em minha frente exalou uma felicidade grandiosa após minha resposta, preenchendo seu rosto com largo sorriso.
Aquele momento foi gravado em minha memória como uma pintura, seu sorriso era a famosa obra de arte.
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Contando estrelas || Taekook
Fanfiction"Uma vida estremecida, sem paradas, brincadeiras e amizades, não é uma vida correspondente a uma criança, mas foi desta maneira que Jungkook viveu até sua adolescência prestes a virar um adulto, tudo isso graças aos seus pais que vivem a todo moment...
