Capítulo 1

953 57 3
                                        

Nem saberia dizer a quanto tempo estou aqui, sentado na varanda, olhando para a carta de despejo em minhas mãos. Amassei o papel e me levantei do chão. Entrando novamente no apartamento minúsculo olho em volta.

Três empregos, oito quilos a menos, stress, noites mal dormidas... ou sem dormir... e pra que? Para tudo terminar assim... sendo despejado de um apartamento minúsculo, cheio de problemas e paredes mofadas, em um bairro péssimo.

Uma lágrima escorreu por meu rosto, mas eu a enxuguei rapidamente. Chorar não adianta. Abanando a cabeça para me livrar de quaisquer pensamentos, peguei minha carteira e as chaves e saí.

************************************

Meia hora depois...

A pizzaria estava movimentada, mas o barulho não me incomodava mais. Depois de seis meses trabalhando aqui já me acostumei com os pedidos aos gritos, as reclamações, as cantadas de algumas clientes estrangeiras mais entusiasmadas.

Sim, eu sou bonito. Meu rosto é bonito e, apesar de querer muito ser mais alto, nunca reclamei do meu rosto. Mas minha boa aparência nunca me serviu de nada, não na vida miserável que levo.

O pior é pensar que tudo podia ser diferente... Podia, mas não é. Acorda, Park Jimin!

Chefe:- Jimin! Entrega no Park Hyatt!

Jimin:- Aonde?! – perguntei, achando que tinha escutado errado.

Chefe:- No Resort! Anda logo, porque as pizzas não podem chegar frias de maneira nenhuma! Onde ficaria minha reputação?

Tirei meu avental com pressa. Era só o que faltava para encerrar minha noite. Uma entrega às pressas no mais luxuoso Resort da cidade. Peguei as pizzas e corri até o estacionamento nos fundos.

Depois de amarrar as caixas na garupa eu subi na moto enquanto enfiava o capacete na cabeça. Dando a partida, saí em disparada pelas ruas movimentadas de noite de sexta.

Dez minutos depois estacionava na ala de entregas do luxuoso lugar. Tirei o capacete e pendurei na moto. Peguei as caixas de pizza e passei pelas enormes portas envidraçadas.

Confesso que não consegui evitar que meus olhos varressem o lugar bonito e elegante. Com passos rápidos me aproximei da recepção. Uma moça bonita e simpática me informou que eu mesmo teria que levar a entrega até o quarto do cliente.

Soltando um suspiro desanimado peguei o crachá de visitante que ela me ofereceu. Depois de ouvir as instruções segui meu caminho até o elevador... de serviço, é claro! Afinal os ricaços não podem ser obrigados a ver um trabalhador exausto, malvestido, descabelado e com olheiras.

Praguejei com o rumo de meus pensamentos. Desde quando me tornei tão amargo? O elevador chegou ao destino, me livrando de pensar na resposta.

Parei em frente à porta. O capacho na frente do quarto com certeza custou muito mais do que todas as roupas que eu vestia, mas quem se importa?

Bati de leve na luxuosa porta de madeira maciça. Ouvia música vindo de dentro do cômodo. O bom e dançante K-pop. Um grito de "já vai" e algumas risadas depois a porta se abriu.

Amber:- Uau! Nada mal... – a moça com cabelos curtos me analisou de alto a baixo.

Ok, confesso, senti meu rosto esquentar. Não estou acostumado a esse tipo de comentário vindo de uma coreana. Preconceito? De modo algum, apenas são tímidas demais por causa da rígida educação. Elas não costumam expressar tão abertamente o interesse em um homem.

Antes que eu conseguisse abrir a boca ela gritou para alguém fora do meu campo de visão.

Amber:- S/N, o "stripper" que você contratou já chegou!

BARRACA DO BEIJO - Livro 1Histórias para pegar e não largar. Descubra agora