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AGORA

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Existem dilemas que afligem um número expressivo de pessoas e a grande maioria deles, espantosamente, está conectado ao tempo. Ou você tem demais e não sabe o que fazer com ele, ou você tem de menos e se sente encarcerado. Ou você vive no futuro, ou mora no passado e escrever sobre essas coisas, geralmente me leva a um ponto central que o Senhor tem me ensinado de maneira intensa a viver e apreciar (mesmo que doa): o presente.

Dependendo de como você está e dos caminhos que tomou para chegar, em algum momento da jornada você encarou o seu “passado presente” (ou mesmo o “atual presente”) de duas perspectivas – e não que elas sejam as únicas: produto do passado, ou ponte para o futuro. Ou você é resultado das coisas que lhe acometeram, ou está construindo o amanhã.

Eu confesso que esta segunda opção foi a que mais me atormentou ao longo da vida e de vez em quando ela ainda me assusta. Me pego tentando compreender os motivos que fizeram o Senhor pensar que eu era responsável o suficiente para construir alguma coisa através do meu labor de cada dia para o futuro, logo eu. Mas, graças a Ele mesmo, com o passar do tempo eu tenho descoberto o descanso nos braços da graça do Deus Pai e isso deixou de pesar tanto, só que poucas coisas adoecem tanto a alma humana quanto morar no passado.

O passado.

Coisas que poderíamos ter dito, coisas que dissemos. Pessoas que amamos, pessoas que deixamos de amar. A maneira como gastamos o nosso tempo, as coisas que poderíamos ter investido com o tempo que perdemos. O que fizemos, o que deixamos de fazer. E remoemos. Gastamos a energia e o momento para nos culparmos e culparmos as pessoas desperdiçando o presente que no futuro será passado e, no futuro, motivo de remorso. E esse ciclo, o da culpa, nunca tem fim – até que nós decidirmos colocar os pontos finais devidos.

“O Presente é o ponto no qual o tempo toca a eternidade”
– C.S. Lewis

Quando eu li isso, fiquei pensando por dias. Deus não está inserido no tempo, Ele o criou. Eu poderia até supor que as dores do meu passado foram carregadas por Ele e que ainda estão sendo, afinal de contas, eu sou feitura e jamais poderia imaginar como é viver a eternidade, sendo que (ainda) estou tão submetida ao tempo quando a vida de uma tulipa – que na minha humilde opinião tem a floração rápida demais.

O ponto é que de alguma forma as minhas dores foram lançadas sobre Ele, as passadas e as futuras e, se Deus é um ser Eterno, ele pode estar processando nesse exato momento o peso da Sua própria morte na cruz.

O Eterno.

Não temos mais nós a necessidade de carregar o fardo das nossas falhas, do nosso passado e do nosso futuro. Tudo o que necessitamos já nos foi entregue pelo Criador e ganhamos a oportunidade maravilhosa de vivermos uma vida livres, ainda que não mereçamos tanto. É por isso que as Escrituras nos dizem para não andarmos ansiosos por coisa alguma, esquecermo-nos das coisas que ficaram para trás e vivermos um dia de cada vez(Fp 4:6-7; Fp 3:13-14 e Mt 6:34, respectivamente).

O presente é o ponto em que o tempo toca a eternidade, não permitamos nós que os nosso coração se desvie desse precioso momento. Livres de mágoas e preocupações através do perdão de pecados e da graciosa segurança de que a nossa vida está na palma das mãos que sustentam o universo e o nosso respirar!

Nele somos verdadeiramente livres, aleluia!

ROBERTA VICENTEStories to obsess over. Discover now