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✨Capitulo unico✨

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Eu sempre fui meio neutra, sempre me conformei com tudo, minha vida sempre foi oito ou oitenta, cinza e preto.
Meus pais se separam quando eu tinha 13 anos e a única coisa que eu disse quando eles me falaram que iam se separar foi: entendo...
e continuei minha vida. Não chorei, não sofri.
Quando passei pela minha primeira menstruação eu avisei minha mãe, não fiquei com vergonha, não tentei esconder, não fiquei feliz, não fiquei triste, fiquei normal. Aconteceu e pronto.
Quando eu dei meu primeiro beijo eu achei um saco, foi nojento e só beijei pois achei que estava na hora.
Quando perdi minha virgindade eu não esperei flores no dia seguinte, na verdade, não sei quem era o cara, nunca tinha visto ele na minha vida. Só sei que no dia seguinte eu acordei e ele estava do meu lado, eu peguei minhas coisas e sai do apartamento dele.
Quando passei na faculdade eu só pensei: tá, isso é bom.
Eu nunca realmente vivi, eu apenas to aqui. Existindo.
Mas isso mudou um pouco depois que o conheci.
Ele era o cara mais legal que tinha na faculdade, era simpático, gentil, educado e inteligente. Todos o amavam. Eu não. Era só mais uma pessoa nesse mundo caótico, mais uma pessoa com quem eu iria disputar o mercado de trabalho.
Seu nome, Naruto.
Ele começou a se aproximar de mim, não sei porquê e nunca procurei o motivo. Mas depois que ele começou a se aproximar foi como se algo bom estivesse acontecendo comigo, eu ficava nervosa, ficava com medo de dizer algo errado e por incrível que pareça eu fiquei com vontade de sorrir, de verdade.
Começamos a sentar juntos na faculdade, ele fazia administração e eu comércio exterior, tínhamos algumas aulas em comum e eram as melhores aulas para mim.
Eu não sabia, mas ele morava perto da minha casa então começamos a ir juntos, às vezes íamos andando, outras íamos de bicicleta e outras de carro. Eu gostava de ver ele dirigindo, ele ficava bonito concentrado.
Comecei a perceber certas coisas sobre ele. Ele sorria com grande facilidade; quando estava nervoso ele colocava a mão na nuca e ficava vermelho; ele adora lamem e odeia vegetais; ele tenta ser forte sempre e nunca da chance para o desânimo; ele gosta de ajudar mas não gosta de ser ajudado; e ele fica muito lindo no sol, seus cabelos loiros parecem mais reluzentes e seus olhos azuis me fascinam.
Aos poucos eu percebi que estava gostando dele, e foi a primeira vez na minha vida que fiquei animada com alguma coisa, que eu senti alguma coisa, que eu queria continuar por alguma coisa.
Eu não fiquei com medo, não fiquei com medo dele me rejeitar, não tinha o por quê.
Quando eu o beijei pela primeira vez eu vi as cores, vi o amarelo de seus cabelos, vi os azuis de seus olhos, vi o vermelho de seus lábios.
Eu estava viva!
Senti-lo dentro de mim foi ótimo, eu vi arco íris.
Não foi como minha primeira vez, nem como as outras, eu amei transar com ele, eu me doei por inteira para ele.
Com ele eu sorria, eu ria, eu tinha vontade de descobrir novas coisas. Ele era um anjo,não... ele era um artista que me apresentava cores e tons que eu nunca imaginei ver em toda minha vida. E eu estava descobrindo que amava arte.
Nunca disse para ele que o amava, não sentia necessidade. Ele nunca havia dito que me amava, não sei se foi porque não sentia o mesmo ou foi porque não tinha necessidade.
Muita coisa era confusa entre a gente, mas não víamos motivo para resolver as equações.
Quando nós formamos na faculdade resolvemos morar juntos. A gente não brigava muito pois eu nunca tive paciência para brigas, nunca gostei de falar muito, em uma briga sempre tem que argumentar e eu não gosto disso.
Trabalhávamos em período integral então a noite era nossa. Às vezes cozinhávamos, as vezes pedíamos pizza, mas sempre comíamos juntos.
Eu gostava de dançar com ele, gostava de como ele me achava indefesa quando na verdade eu não era. Eu não sou.
Nunca chegamos a nos casar, na verdade, nunca fomos namorados. Nunca oficializamos nada, apenas éramos. Apenas existimos.
No meu aniversário de 27 anos eu descobri que estava grávida, não senti nada. Eu apenas entendi que agora eu tenho alguém para tomar conta, alguém para educar. Agora eu tenho outro alguém.
Naruto nunca chegou a saber desse bebê.
Ele sofreu um acidente de carro ao voltar do trabalho. Não sei de muitos detalhes pois não consegui escutar nada depois que a morte dele foi declarada.
O mundo ficou cinza de novo.
Em seu velório muitos vieram me confortar, não melhorou a sensação de perda, só me deixou ainda mais abalada.
Eu era o automático.
Com a minha falta de alimentação, perdi o meu bebê. Talvez tenha sido o melhor para ele.
Eu entendo que eu não conseguiria cuidar dele sozinha, não conseguiria. Eu entendo que a vida seja isso, perdas e perdas.
Eu entendo, Naruto, entendo que você teve que partir.

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⏰ Last updated: Nov 25, 2019 ⏰

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