23 de Março, 2014- Shenzhen, China

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**Anemoi Thuellai: Os ventos (em , Άνεμοι — "Anemoi"), na mitologia Grega eram comandados por Éolo, deus dos ventos. A cada um era atribuída uma direção cardinal. Em especial a dos Quatro Grandes Ventos é controversa, por vezes são colocados como titãs, portanto filhos de Urano, o céu e Gaia, a terra. Tem habilidade de adquirir formas humanoides ou animalescas, assim como controle do vento e clima, sendo capazes até mesmo de criar tempestades. Após sua morte, uma grande massa densa de ar é criada no local, dando origem a uma feroz tempestade. (ATENÇÃO NESSE ÚLTIMO DETALHE)


O sol pelas janelas tinha um tom alaranjado, talvez um tanto rosado. Era difícil discernir ao certo, devido a tantos prédios e comércios ao redor. O som dos carros era ensurdecedor.                      Shenzhen havia evoluído muito desde que havia feito morada ali. Ela viu as árvores caírem, rios se desviarem, e imensos arranhásseis de concreto e ferro pesado surgirem. Ela viu as pessoas se atualizarem e com isto, teve que se atualizar também. As roupas haviam evoluído de maneira estranha, assim como os locais que frequentava que aos poucos, se tornaram cotidianos.

- Já está na hora de fecharmos, Fuyumi. – A voz ecoou com alento pelo restaurante vazio, enquanto acordava de seus pensamentos. Ajeitou então os cabelos esbranquiçados lateralmente, com a franja mal cortada que insistia em cair sobre os olhos, olhos estes azuis que semicerraram enquanto sorria, tomando em mãos então a vassoura que antes usava para limpar o local. 

-Certo certo, já vou. Não demorou muito para que trancasse todas as portas e janelas do estabelecimento, mas mesmo assim a noite já havia caído em sua cidade. Os passinhos na calçada eram substituídos por pequenos pulinhos, em que evitava pisar nas linhas e rachaduras que havia aos montes. A seu lado, o companheiro de milênios que a protegia com tanto fervor, um árduo e gentil Anemoi Thuellai*, frequentemente chamado de Aki, denominação carinhosa dada pela própria Fuyumi, que o enxergava não como um guarda-costas, mas como um grande irmão. Embora bestas de sua classificação fossem vistas como cruéis e impiedosos, Aki se auto proclamou protetor, e sua aparência fazia jus ao cargo. A altura exagerada, o corpo um tanto musculoso e a pele morena, os olhos castanhos eram ao mesmo tempo agressivos a cativantes, e os cabelos curtos em tom de vermelho cobre o destacavam dos demais. A noite era tranquila e calma, um tanto mais silenciosa que o normal. O caminho era próximo e o trajeto costumava ser movimentado, coisa que não estava acontecendo naquele instante, atiçando então ainda mais a preocupação de Aki. O vento estava estranho, um cheiro forte infestava o trajeto. 

- Fuyu, fica perto. – A voz séria despertou a garota de sua brincadeira infantil. Com os olhos cobertos por seus cabelos, a menor apenas parou enquanto o aguardava se aproximar. De relance, por apenas alguns míseros segundos ela achou ter visto algo se mover ao longe, e então, levou o palmo destro a afastar os cabelos. 

- Eu acho que vi alguma coisa. – Murmurou, um tanto receosa. As palavras medrosas da garota fizeram o maior então reforçar sua atenção. Então ele parou, e ouviu. Por diversos segundos o único com que se tinha era do próprio vento, e de algumas lojas e carros bem distantes. Foi só aí ai que uma espécie de uivo cortou o silêncio. O que havia de se seguir surpreendeu a ambos. 

Sobre quatro patas grandes e pesadas, um tipo de.. cachorro. A menina não sabia ao certo do que se tratava. Apenas, se assustava com seu tamanho absurdo, a pele parecia áspera, talvez queimada. O cheiro forte exalava de seu corpo e seus olhos pareciam as portas para o submundo. A garota paralisou. Não sabia o que fazer quando a criatura partiu para cima de Aki, que aquela altura apenas gritava um desesperado "Corre". E foi o que fez. Seu coração pesou no momento em que virou as costas para seu então protetor, que travava uma batalha grotesca com a criatura. 

Correu, como se sua vida dependesse disso, e dependia. Ainda mais ao perceber que ainda estava sendo seguida. Obviamente ela não era mais rápida que aquela criatura, então deu plano inicialmente foi despista-la em meio a diversos becos. 

De início o plano parecia ter funcionado até a escolha de um caminho errado, que a deixou cercada e sem saída. A besta então a seguiu, e a devorava com aqueles olhos assustadores os quais a garota não conseguia focar. Será que milênios de fuga terminariam ali? Cara a cara com aquela grotesca criatura que com tanta facilidade havia derrubado seu poderoso guardião? Ela pensava, cogitada e arquitetava diversas possibilidades de fuga, que rapidamente eram sanadas e apagadas ao fitar a criatura que naquele momento, estava apenas a alguns míseros passos. E então tudo se apagou. 

O último vislumbre que teve foi do par de olhos rubro sobre seu corpo, facilmente reconhecível e lembrável.

Children of Teumessian Stories to obsess over. Discover now