— Quando aceitei vir te ajudar a empacotar a mudança, não imaginei que você tivesse tanta coisa. — Micah comenta, pegando mais um livro e colocando-o na caixa de papelão em sua frente.
Eu sopro um riso, terminando de esvaziar as gavetas do aparador. — Falta pouco, vai.
— Pouco?! Você tá brincando, né? — Ela pergunta, desacreditada. — Não estamos nem na metade.
— Te levo para comer sushi mais tarde como recompensa. — Eu ofereço em sinal de paz.
— Você sabe meu ponto fraco.
Eu dou uma piscadinha rápida para ela, sorrindo.
— Eu não acredito que você ainda tem os cadernos do ensino médio. — Ela comenta.
— É mais por uma questão emotiva, eu acho. — Digo, jogando algumas revistas velhas no saco que iria para o lixo. — Eu nunca nem cheguei a abri-los depois da minha formatura.
— Sua letra era bonitinha. — Ela comenta, folheando as páginas do caderno rosa.
— Eu sou designer, querida. — Finjo nariz empinado, roubando um sorriso dela.
Continuamos arrumando as coisas em silêncio por mais algum tempo, quando Micah chama minha atenção. — Ei, Lana. O que é isso?
Eu desvio o olhar, encontrando-a segurando uma caixa de música nas mãos. Arregalo meus olhos e vou em sua direção rapidamente, tentando roubar o objeto de suas mãos. — Me dá, me dá, me dá.
— O que é? — Ela ri, lutando pela posse do objeto. Eu tento a fazer desistir com cócegas, mas perco feio quando ela se levanta e corre até o outro lado do sótão, abrindo a caixinha e encontrando um caderno dentro. — O que temos aqui? Um diário?!
— Tipo isso, devolve. — Eu peço.
— Parece velho. — Ela comenta, analisando a capa e as folhas amareladas.
— É velho.
— Posso ler? — Ela pergunta com os olhos brilhando.
— É bobo e ainda temos muito a empacotar.
— Sobre o que ele diz? — Ela me pergunta. Micah era minha melhor amiga há anos e apesar de ser extremamente hiperativa, ela me respeitava muito e não abriria se eu não a permitisse.
— É bobo, eu já disse. — Eu digo, voltando a embrulhar as porcelanas em jornal. Ela continua me olhando curiosa e eu percebo que não vamos terminar a mudança hoje se eu não revelar o que tem por trás do diário. — São cartas para os garotos que eu já fiquei.
— Sério??! — Ela quase grita. — Seu noivo sabe da existência dele?
— Lógico que não, ninguém sabe. — Eu digo, pedindo silêncio com um gesto. Meu noivo estava no andar de baixo e não queria ter que esclarecer o meu diário para ele.
— Posso ler?
— Claro que não, devolve. — Eu digo, um pouco mais firme dessa vez.
— Quantas são? — Ela se mostra realmente curiosa.
— Nove.
— Você pode me contar sobre eles? Eu acho que conheci alguns...
— Você quer saber a história de todos?
— Por favor, por favor. — Ele pede, birrenta. — Só para matarmos tempo, já que eu não posso ler as cartas.
— Hum... Pode ser.
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All of them ; NCT 127
RomanceInspirado em "para todos os garotos que já amei". Lana conta para sua melhor amiga sobre todos os relacionamentos que já tivera.
