Marcos havia chegado a festa, estava fantasiado de pirata, e logo de cara viu as fantasias mais criativas das outras pessoas, ele tinha ido acompanhando uma amiga, Deborah, que logo desapareceu a uma multidão, era numa cobertura, o tipo de lugar que ele não costuma visitar ou ir, com uma piscina e um bar, luzes enfeitando cada canto da festa e as plantas decorativas já sujas com latas de cerveja ou copos descartáveis, sabia que tinha sido uma má ideia ter aceitado ir.
Enquanto caminhava para o bar em busca de sua amiga e de uma bebida, deu um esbarrão eu um homem estranho, fantasiado com algo que parecia ter saído de um filme de terror, uma máscara, uma calça jeans xadrez e o que parecia um facão escondido, passou por ele, mas não pode deixar de pensar o quão realista aquilo era .
O bar estava ao lado de uma das caixas de som, ele gritava para que o barista o atendesse e acabou pegando o primeiro drink que apareceu, era vodka com algo mais, pegou um copo de outra bebida e se afastou do barulho procurando um lugar mais vazio, nunca gostou de multidões.
Marcos encontrou um canto na sacada onde sentou no chão, acendeu um de seus cigarros e olhou o apartamento, entravam e saiam os casais , " devem estar fodendo lá dentro" ele pensou enquanto soltava a fumaça lentamente, olhou para piscina cheia de gente, e não pode deixar de ver o cara em quem tinha esbarrado, ele era diferente, algo estava errado, mas nada que uns goles a mais no uísque não resolvesse, ele viu a festa ficando um pouco mais vazia. Sua amiga sumiu a tempos, tentou puxar assunto com algumas pessoas mas não conseguiu, era tímido demais para isso, foi ao bar pegar mais algo para beber e voltar ao seu canto.
Em algum momento jurou ter ouvido alguém gritando, e percebeu que outras pessoas também, mas todos seguiram a festa, viu novamente o cara estranho, mas sua amiga entrou na frente de sua visão. Ela estava bagunçada, bêbada e sua fantasia toda torta e bagunçada assim como seu cabelo loiro.
-Trouxe para você. - Ela entregou mais um copo de bebida a ele - Quero que venha comigo.
-Você sabe que não gosto de dançar. - Ele virou o copo e bebeu de uma única vez.
-Venha logo. - Ela pegou ele pelo braço e o levou
Ele não resistiu, nunca admitiu, mas sempre teve uma queda pela amiga, algo naqueles olhos verdes o cativaram, ele prestava atenção nela enquanto caminhavam pela festa, tinha certeza que estava mais cheia, mas não se importou, chegaram a pista de dança, ela dançava como ninguém, ele improvisava alguns passos e pensava " que porra estou fazendo aqui?". A música era alta e ela se aproximou dele cada vez mais, ele sabia onde isso estava indo parar, mesmo sabendo que alguém já tinha pego ela aquela noite , ele não ia desperdiçar a chance, mas não sabia o que fazer .
Ele em algum momento ouviu um copo quebrando, na verdade vários, e o bar ficou vazio, mas ninguém se importou, as bebidas continuavam lá, ele sentiu que algo estava errado, mas Deborah chegou perto de seu ouvido e sussurrou :
-Percebeu que está ficando vazio aqui? - Disse ela enquanto continuava os movimentos
-Er, eu estava vendo isso, acho que... -Ele foi interrompido por ela
-Eu sei onde estão todos - Apontou com o queixo em direção do apartamento. - Acho que é nossa vez.
Ele não sabia o que pensar, claro que não iria negar, era o sonho dele, mas ela estava bêbada, bem , ele também estava , foram andando para dentro do apartamento, grande e espaçoso, ainda havia pessoas lá dentro, vários quartos, todos trancados.
-Acho que já estão se divertindo . - Marcos estava nervoso e ansioso
-Tem um outro, dizem que não podemos usar, mas quem vai ficar vigiando não é mesmo ? -Disse ela com aquele olhar que ela só dava para outros caras
Caminharam por um pequeno corredor, ele jurava ter visto sangue saindo de debaixo de uma das portas, ela disse que era só vinho, ele aceitou, a festa lá fora estava quase vazia, mas ainda era cedo para os padrões de uma festa.
Dentro do quarto, uma cama de casal, uma cômoda com fotos dos donos do lugar e um armário, ela o beijou, e ele retribuiu , os beijos foram ficando mais intensos, o mundo lá fora estava ficando silencioso enquanto eles se pegavam, Marcos arriscou e colocou sua mão por dentro da calça de Deborah que lhe deu uma pequena mordida no lábio, ele sabia que não era o primeiro naquela noite, mas não se importava.
Ela abaixou a calça dele , mas antes de ver o penis dele por completo os dois escutam um golpe na porta, uma batida forte, e são interrompidos.
-Porra o que querem agora . - Marcos levanta e fecha o zíper da calça
-Já vamos, quem liga se não podemos usar esse quarto? - Deborah se levanta e vai até a porta.
Quando ela abre, logo de cara Marcos reconhece o cara, era o mesmo de antes, sua roupa estava suja de sangue, e sua máscara também, havia alguns cortes na manga da jaqueta, e na mão direita um facão pingando sangue, em um instante , sem nem ter a chance de gritar , Deborah vê a enorme faca subindo e acertando em cheio sua cabeça, o sangue jorra para todos os lados , Marcos apavorado se joga para trás e acaba se sujando também, e começa a gritar por socorro.
O homem mascarado entra no quarto indo em direção a ele, que pega um cinzeiro e acerta a cabeça do homem que fica desorientado, Marcos aproveita a chance para correr, ele vê os corredores completamente sujos, e na sala os corpos jogados, o homem mascarado já está atrás dele novamente, mas mesmo gritando ninguém responde, ele chega a sala por onde passou , há corpos sobre o chão e o sofá , ele escorrega no sangue mas continua correndo.
Ele chega a cobertura, no bar as garrafas estão quebradas, a água da piscina esta vermelha e com três corpos dentro, a rastros de sangue até as sacadas, ele tem certeza que a maioria foi jogada lá de cima, ele se sente paralisado por um instante e percebe todos os sinais que deixou passar.
Mas não pode ficar pensando nisso, ficou tempo demais parado, quando voltou a correr o homem mascarado já estava perto, e com um golpe acertou o braço, agora estava jorrando sangue, viu que não adiantaria mais gritar, ele era o único vivo, e com a música tão alta ninguém nunca iria ouvir ele.
Mesmo com dor tentou correr até as escadas, mas sentiu uma dor enorme nas costas, se sentiu paralisado, e sentiu o corpo ficar dormente aos poucos, ele soube o que aconteceu, o homem mascarado jogou a faca e o acertou na coluna, caiu sobre a faca piorando a dor. Jogado ao chão, o homem pegou a faca, o virou com o pé e com um último golpe no pescoço separou a cabeça do resto do corpo.
Aquela noite nunca foi esquecida, o homem nunca foi encontrado, e a cabeça de marcos acabou por se tornar um prêmio de um estranho assassino, todos naquela noite tiveram o mesmo destino enquanto festejavam e bebiam; a morte.
