Prólogo

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Olivia Paine sempre teve uma queda pelo perigo. Talvez fosse a euforia trazida pela adrenalina ou até aquela viciante sensação de um "quase", que na verdade nunca se concretiza. Ela não tinha certeza do porque, muito menos se preocupava em investigar os motivos de sua distinta personalidade. A mulher simplesmente era o que era e ponto. Não era dada a floreios, quem dirá à falsidade.
Com Ollie não havia meios termos e para ela, sua forma de agir sempre era a correta. Sempre. Isso costumava deixar à sua irmã, Katherine Paine, completamente maluca. Ainda mais sendo a responsável por cuidar de sua maninha após a morte de seus pais. Kat era tudo para Ollie, e a mais velha fez o máximo que pode para cria-la.
E como Olivia agradecia? Sendo malcriada e metida a dona de seu próprio nariz. Mesmo quando era um pingo de gente, a mulher se recusava a largar mão de suas vontades e argumentações, por mais incoerentes que estas fossem. Mas no fim das contas, os traços insubordinados da pequena rebelde vieram a calhar.
Ela era a escolha perfeita para Tom Horton, diretor do FBI, em sua busca por uma face nova, recém-formada de Quantico que pudesse integrar seu projeto. Ele não usaria qualquer figurão para conduzir sua nova operação, ultrassecreta. De nada lhe adiantaria a fama, muito pelo contrário, holofotes somente deturpariam o objetivo de tudo aquilo. Quem ele necessitava era de uma pessoa determinada e teimosa o suficiente para topar a operação impraticável que tinha a propor.
E isso nos traz de volta a Olivia e suas características peculiares. Não havia nenhum formando daquele ano de 2018 que saltasse mais aos olhos de Tom. O maior problema seria convencê-la a aceitar embarcar naquela missão impossível, mas ele tinha certeza de que uma vez que a fizesse se envolver de verdade com o caso, ela nunca desistiria.
Não fazia o tipo de Olivia largar o osso, nem mesmo dar o braço a torcer. E era com isso que o diretor Horton estava contando. Sua prioridade era encontrar o segundo criminoso mais procurado do país e trazê-lo a justiça. Porém, não era com o ideal de buscar o que é justo que ele estava realmente preocupado. Com seu cargo chegando ao fim e sua reputação manchada por escândalo atrás de escândalo, aquela era sua cartada final antes que se aposentasse.
A escolha de alguém para ser caçado, tampouco fora aleatória - como nada é na realidade. Por mais que o homem - que atendia pelo codinome Blackwell - fosse o segundo da lista de mais procurados, ele ainda era uma grande interrogação, não só para o FBI, como também para as demais agências de inteligência.
Tudo o que haviam conseguido após anos de pesquisa, gasto de verbas e de pessoal, era saber que Blackwell atendia por esse mesmo codinome e que era um homem caucasiano, no máximo em seus trinta anos.
Esses dados desanimadores não lhes trariam a lugar algum, e as buscas foram sendo reduzidas mais e mais até que outros criminosos desviassem por completo o foco investigativo.
Mesmo quando parecia que absolutamente todos haviam desistido, o pobre do Tom Horton ainda possuía alguma esperança. E que bom que ainda o fazia. Nesse ponto, ele se identificava com Olivia. Se acreditasse em algo, levaria suas crenças para o túmulo, imaculadas por qualquer influência externa.
Engraçado como a vida se trata de um emaranhado de escolhas e de caminhos que se bifurcam em novos resultados e novas possibilidades. Se não fosse por alguém insignificante como Tom Horton e seus desejos de glória e poder, Olivia ainda estaria trabalhando na sede do FBI na Califórnia, como era seu plano original. Não fosse pela garra e teimosia da mulher, Blackwell ainda estaria na cobertura de seu edifício, se banhando em uísque e conduzindo seus negócios como o habitual.
Mas o mais importante de tudo, é que se os caminhos de Olivia Paine e James Blackwell nunca houvessem se cruzado, eu nem mesmo estaria contando essa estória.

Codinome BlackwellWhere stories live. Discover now