Byun BaekHyun era um músico traumatizado pela sua falta de sucesso e sorte, vivia pela arte, mas não conseguia viver da arte. Não conseguia nem mesmo gravar suas músicas autorais e seus poemas não eram lidos por ninguém, seu talento estava sendo jog...
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Morrer todos os dias de manhã é cansativo. Uma hora acordar e perceber que nada vale, Traz exaustão além da tristeza. A bela Itália nunca me fora atrativa. Mas é aqui onde estou, É aqui onde vou morrer todos os dias de manhã. - Byun BaekHyun, 2016
14/01/2019
Pousou seus braços magros sobre o peitoril da janela, para tomar um pouco de sol matinal. Sentia a brisa simpática acariciar seu rosto com calma, semelhante a um cafuné de mãe. Suas mãos estavam completamente geladas, parecia um defunto. E não estava tão errado assim, BaekHyun se sentia mais morto do que nunca. A cada dia que se passava piorava.
Escrever poesia não lhe dava mais aquele prazer, não como fazia antes.Suas músicas não ficavam harmoniosas e custava muito para entrar no ritmo, a voz dele costumava ser perfeita, agora estava falha. Os dedos ardiam quando segurava as cordas do violão, os calos que tanto batalhou para ter estavam sumindo exatamente como a vontade de levantar da cama, aos poucos.
O dia estava lindo, o sol radiava no céu que era um azul claro cintilante, era material de poesia para muitos outros. Só BaekHyun que não conseguia o elogiar, porque tudo estava perdendo a cor aos poucos. Amalfi não era a mesma de anos atrás. O brilho da cidade sumiu junto de sua inspiração. Foi embora como todos iam. Nada durava para sempre, apenas sua solidão.
Os poetas estão fadados a esse sentimento vazio.
Passou a mão entre os fios de cabelo molhados, estavam grandes demais e atrapalhavam sua visão. Ficavam sobre a testa e tocavam os cílios de BaekHyun, mas mesmo assim não os cortava. Uma metáfora. Não importava o quanto ele se machucava, continuava a insistir, em todos os quesitos.
Não sabia dizer se era persistente ou se era apenas um idiota que não sabia diferenciar coisas normais das tóxicas.
Várias pessoas passavam por aquela viela onde morava, era uma parte calma da cidade e se seguisse reto encontrariam algumas padarias e cafeterias charmosas. Além de que o lugar cheirava muito bem, ficava perto de uma confecção de perfumes. O barulho era de conversa sendo jogada fora e risadas convidativas.
Havia escrito poemas sobre vielas, sobre becos, sobre pessoas, sobre a vida, a morte, a solidão, o amor, a tristeza. Sua inspiração havia esgotado e agora só restava tocar piano em um barzinho enferrujado perto da praça, ganhar um cachê ruim que apenas conseguia sustentar o aluguel de seu apartamento mequetrefe e compras pequenas.
— Eu realmente preciso sair de casa.— Resmungou preguiçoso, antes de despendurar do peitoril.
Pegou o desodorante que tinha em cima do criado-mudo, borrifou ele e tomou a carteira em mãos. Não tinha um celular móvel, se contentava com o telefone fixo preto que estava colado na parede pintada de amarelo. A tinta já descascava e nos cantos apareciam um pouco de mofo. BaekHyun não vivia na melhor condição de todas, mas era uma consequência da tentativa da música.