ESCRITO 1

507 119 49
                                        


Quinta-feira

Um dia frio e um belo chocolate quente, enquanto trovões figuram pela janela. BOW!

Tomo um gole daquele apreciável copo, dou um suspiro e coloco-o novamente na cabeceira da cama. Relaxo a cabeça no travesseiro e tento de novo dormir. Minha cabeça anda um turbilhão, e pela minha ansiedade tenho sérias dificuldades de pegar no sono. Minha sensação é de que simplesmente não dá para realizar todas as atividades que eu quero em um dia tão curto, e meu coração acelerado constantemente mostra minha preocupação com tudo - e realmente estou incomodado com o que tenho sentido, angústia por todo lado irrompe em meu peito.

Quem nunca sentiu um... Vazio? Três definições dadas pelo dicionário para esse termo são: Aquilo que tem falta de algo; desabitado; destituído.

Vivemos nesse mundo tomado por tecnologia e informação. Com um clique, temos acesso a conhecimento que, há séculos atrás, ninguém sonhou em contemplar. A agitação desse mundo informado nos toma, mas parece que nem com o mundo debaixo dos nossos pés, na ponta dos nossos dedos, ficamos satisfeitos. Sempre há aquele local pelo qual nada parece preencher; aquele lugar que nenhum prazer parece fartar, apenas momentaneamente apaziguar, mas sempre deixando alguma outra brecha maior no lugar. Por várias vezes me vejo tentando saciar essa brecha em meu ser com músicas. Porém, logo que o player avisa o fim do som e o ouvido para de receber estímulos, o vazio volta sete vezes maior. É como tentar saciar um estômago vazio com migalhas: aprecia-se o leve sabor do alimento, mas logo quando ele acaba a fome irrompe mais feroz do que nunca.

Eu penso que o amor seria chave para acabar com minha angústia, porém já não acredito nele. Seria o amor esse egoísmo que me assalta? O consumo de prazeres que irrompe pelo meu ser e corre por minhas veias enchendo meu coração, seria... Felicidade? A inconstância que me atinge um dia me largaria e eu alcançaria algo? Não é querendo deixar-te triste, Miqueias, mas parece que estás bem longe da verdade - penso de mim mesmo.

Zombam de mim a todo o momento essas esdrúxulas perguntas e pensamentos tolos, que me jogam para o fundo do poço da solidão. Tapo meus ouvidos com os fones, acendo minha tocha-canção, que queima sua energia afastando meus ouvidos do silêncio. E outra, e mais outra. Quem sabe assim eu consiga dormir. O medo da bateria acabar neste clima tempestuoso que não me deixa recarregá-la é perceptível no meu coração, que se enche de agonia: lembro-me da tarde de ontem, que passei na casa de um amigo de meus pais.

Foi terrível. Você, querido diário, não iria querer estar lá. Porém, vou lhe contar o que ocorreu.

EscravoTempat cerita menjadi hidup. Temukan sekarang