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"Três coisas não podem ser escondidas por muito tempo: o sol, a lua e a verdade"

Entre uma fronteira com o Brasil habita a tribo Taykuna, onde não há contato com outros povos e se preserva a cultura e os seus princípios acima de tudo.

Após anos de conflito, os Taykuna se configuram como uma das únicas tribos indígenas na Amazônia Brasileira que não modificaram seus costumes com a modernidade.

Eles são um povoado considerados Pirá ( peixe ) por acreditarem que foram pescados nas águas do rio, como peixes, por um herói chamado Ubiratan.

Depois de serem pescados eles habitaram a montanha, ficando próximo da morada de Ubiratan, lugar que hoje é considerado sagrado para a tribo.

Eles são uma comunidade independente de outras e possuem um chefe, qualquer decisão é tomada em consenso, mas com a sua supremacia o líder pode dar uma palavra final ao que foi decidido.

Seguindo princípios antigos eles abominam a homossexualidade, tratando como distúrbio ou falta de caráter.

Aos 20 anos a mulher Taykunense é obrigada a casar, sendo que ela é prometida ao pretendente com apenas 10 anos.

Uma mulher grávida é símbolo de alegria e prosperidade, sendo assim desde muito nova elas são pressionadas a engravidar do marido escolhido antes mesmo do casamento. O número de crianças na tribo é enorme, uma vez que todas as mulheres querem receber essa bênção.

Punições são aplicadas para quem não segue os princípios ensinados. As mulheres cuidam dos homens e dos filhos, fazem a comida, lavam as vestimentas no rio, costuram e são responsáveis por qualquer coisa relacionada. Os homens saem para caçar, pescar e conseguir coisas para a sobrevivência na tribo.

Totalmente isolados da tecnologia eles levam uma vida simples, sem muito luxo, com o necessário para a população que lá habita.

POV Kamilla

-Pegue sua irmã -Minha mãe ordenou enquanto cozinhava mandiocas para o nosso almoço.

O sol estava extremamente quente, os passarinhos cantavam e no ambiente percorria risos de crianças que brincavam de caçadores do lado de fora.

Nossa oca é simples, porém grande, foi feita de taquaras e troncos de árvores e a cobertura de folhas de palmeiras, no total foram 30 índios e 15 dias para construção, como meu pai é o líder a nossa oca é a maior da tribo.

Sai da oca colocando a mão no rosto para tampar do sol que refletia.

-Sofia -Gritei para que a minha irmã menor escutasse. Ela estava brincando de caçador com alguns meninos, o que não é permitido, meninas devem brincar com coisas relacionadas às suas funções quando mais velhas.

-Oi irmã -Ela chegou bufando, toda soada, ajeitei as penas que estavam caindo do seu cabelo e me ajoelhei enfrente a ela.

-Mamãe já te disse para não participar dessas brincadeiras -Falei calma, não gostava de xingar minha irmã, mas sempre acabava sobrando pra mim.

-Mas Kamilla, a Iara está brincando.

-E provavelmente vai levar sérias punições por isso, você não quer que o papai brigue com você né?

-Não -Ela abaixou o olhar.

-Vamos comigo até o rio? -Dinah chegou perguntando- Preciso lavar algumas vestimentas do meu irmão -Dinah é minha melhor amiga, passamos muito tempo juntas e no momento ela tá grávida de mais ou menos 6 meses.

Ela tem 17 anos e logo logo vai se casar com Rudá, os dois se deram muito bem desde que ela foi prometida, obrigatoriamente ela teria que se casar com 20 anos, assim como eu vou ter, mas como engravidou e não ver a hora de estar oficialmente casada com ele, meu pai autorizou a união e a celebração acontecerá depois que o bebê nascer.

Eu infelizmente não tive a mesma sorte, fui prometida a Raoni, ele é um cara totalmente autoritário e pretende assumir a liderança após meu pai, já que minha mãe não teve filhos homem. Ele no geral me trata bem, mas eu não sinto a paixão que minha amiga sentiu por Rudá, minha mãe me incentiva a engravidar, para ter uma maior conexão com Raoni, mas eu realmente não me sinto preparada para isso e tanto meus pais quanto meu futuro marido não parece entender.

-Diga a mamãe que eu fui com Dinah ajudá-la com alguns afazeres - Falei com Sofia que assentiu entrando na oca.

Peguei algumas peças da mão de Dinah para ajudar a carregar e fomos até o rio conversando sobre seu filho.

-Já pensou em um nome? -Perguntei pela milésima vez. Dinah é totalmente indecisa e
estava demorando muito pra escolher um nome.

-Estive conversando com Rudá e ele sugeriu Jaci, significa estrela, eu achei muito lindo e acabei concordando -Sorri em resposta.

-É um nome lindo, e se for menino? -Questionei, já que não sabíamos o sexo.

-Kauê, homem bondoso -Ela respondeu e sorriu, um sorriso que seria capaz de iluminar a tribo inteira, a felicidade dela era totalmente visível e ver ela feliz me deixava feliz também.

-É maravilhoso -Falei sorrindo na mesma intensidade, coloquei a mão na barriga dela e por um segundo me questionei porque esse não era meu sonho. Todas as mulheres sonhavam com esse momento e eu não queria ter um filho, ou não queria ter um filho com Raoni.

Me virei pro rio tentando afastar esse pensamento, eu sou destinada a ele e é melhor ir me acostumando com isso. Faltam 2 anos pro meu casamento, acabei de completar 18 e eu preciso pensar no meu futuro, em ter filhos e construir uma família com Raoni, mesmo que essa não seja uma vontade.

-Kamilla -Escutei a voz do meu pai gritando e me apressei em ir ver o que era. Avisei a Dinah que voltava assim que desse, ajeitei minha tanga e fui ao encontro dele.

-Sim Papai -Respondi quando estava de frente a ele.

-Estou indo ao Opy e você vai comigo -Ele disse sério.

-Como quiser -Respondi mesmo sem entender. Ele seguiu andando a caminho do Opy e eu fui atrás.

TAYKUNAHistórias para pegar e não largar. Descubra agora