"Nossa história, arquivada na nossa memória, é a caixa de segredos da nossa personalidade. Ninguém é autor sozinho da sua história. Somos construídos e construtores da nossa personalidade."
- Auguto Cury.
Enoshima, Japão. Inverno de 1998.
"Escute-o. Sinta-o. Parece estar dizendo algo."
"Hiro, estamos atrasados. Sua mãe já deve ter chegado do trabalho."
"Só mais um minuto."
"Hiro..."
"Você não sente vontade de ficar aqui para sempre, April? De viver sentindo essa brisa batendo no rosto, o gosto salgado na boca, a areia grudando nos dedos dos pés. Eu poderia ficar aqui para sempre."
"É. Você me diz isso toda vez que viemos aqui, ou seja, todos os dias."
Hiro riu, mas não uma risada qualquer, uma risada tão alta que as pessoas que passavam por eles se voltaram para Hiro com os olhos arregalados.
Era tão constrangedor.
April queria afundar a cabeça na areia. Mas maneou apenas a cabeça.
O quebrar das ondas lá não muito longe. Suas bordas alaranjadas pelo sol que vinha se pondo no horizonte. Todas às vezes, era difícil fazer Hiro ir para casa, todos os dias ele vinha com o mesmo discurso. Era irresistível permanecer na praia, para apenas ouvir o som das crianças correndo de um lado para o outro, as gaivotas, o som das ondas que chiam quando chegam na superfície, e a água geladinha que bate nos calcanhares quando decidem caçar conchinhas. Mas o maior prazer de April era ter um bom livro para acompanhar, especificamente os de escola sobre biologia marinha e histórias de pessoas que saíram para se aventurar pelos mares. Seu coração batia para o mar, mas se não tivesse Hiro do lado nada disso faria tanto sentido. Para ela, Hiro fazia tudo ter sentido.
As toalhas foram dobradas e colocadas na sacola de pano, junto com os potes de lanche que haviam sido devorados mais cedo, e os livros de April. Hiro apenas trazia seu caderno de desenho e seu toca fitas, alguns clássicos que ouvia seu pai tocar quase todas as noites no piano velho e sua criatividade que se aguçava quando olhava para o mar. Eles não se importavam em retirar as coisas da sacola, mas sim colocá-las de volta, seguir o mesmo caminho para suas casas e enfrentar os deveres escolares.
Os passos foram ficando vagarosos conforme os portões se aproximavam. Hiro se virou para April antes de trancar o portão de sua casa. April era apenas alguns centímetros menor que ele, a alvura dos cabelos levemente avermelhados, o nariz empinado e as sardas tão delicadas distribuídas pelo rosto. Ele ria dos seus cabelos bagunçados e ela sempre mostrava a língua. Com doze anos, eles não tinham muito o que dizer que fizesse tanto sentido.
"Amanhã podemos caçar pérolas. O que você acha de pedir para seu pai aqueles livros sobre ostras? Pode ser de grande ajuda, quem sabe não podemos pegar uma." Hiro disse esperançoso, sonhava em encontrar uma pérola.
"Amanhã?"
"Sim, por quê?"
"Hãaaa... Tenho balé amanhã, posso ficar o dia todo por lá. Mamãe quer que jantemos na minha avó também. Podemos fazer isso um outro dia, Hiro." April disse hesitante, torcendo para que ele não encontrasse dúvida em suas palavras.
"Tudo bem. Um outro dia então."
"É. Em um outro dia. Podemos fazer todas as coisas que planejamos fazer, o que acha? Posso pedir para o papai ir junto conosco. Parece legal!"
"Certo!"
"Até mais, Hiro." As mãos pequenas de April acenaram para ele, sorridente. Ignorou o aperto no peito antes de entrar em casa, Hiro continuava a olhar.
"Até mais, April."
Naquela mesma noite April se mudou para a Europa, sem uma carta de despedida ou aviso. Hiro jantava no quarto quando viu a luz da janela ao lado se apagar.
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Olá! Vocês estão bem? Espero que estejam!
Essa história é meu xodózinho, espero que gostem! Ela é composta de 11 capítulos contando com o Prólogo e o Epílogo, e sim ela já está terminada.
Caso vocês acharem melhor, comentem aqui os dias que são melhor para postagem, está bem?
Beijão!
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A Pérola de Hiro | Vivian Freitas
Teen FictionApril, diferente de Hiro, entendia o que era guardar apenas coisas boas, e deixar que sua alma vivesse livre de gaiolas. Porém Hiro sentia mágoas que enjaulavam sua alma. Enquanto a personalidade dela havia sido moldada pelo bem, a dele havia sido...
