Capítulo I - Dia Nublado

48 8 2
                                        


   O amanhecer aqui em casa é uma dádiva, minha mãe sente prazer em assim que o sol aparecer abrir todas as janelas, deixando que a luz entre e junto com ela a brisa da manhã, será esse o motivo do nome da nossa cidade? Sun City, a cidade do sol?
   Sempre quando acordo e desço para a cozinha, minha mãe me recebe com um bom dia, mas não um simples bom dia, e sim aqueles que fazem o seu dia melhor muito, receber um bom dia sempre te faz melhor, essa é a verdade.

  - Bom dia mãe. - Disse chegando na cozinha, sentindo aquele cheiro maravilhoso que só o café da minha mãe tem.
  - Bom dia filho... - Ela respondeu num tom frio sem nem olhar para mim.
  - Aconteceu algo? - Disse pegando no queixo dela e levantando seu rosto para que olhe para mim. Ela estava com um olhar de preocupação e eu não fazia ideia do motivo. Fui até a cafeteira e peguei uma xícara de café, logo depois me sento ao lado dela.
  - Não sei filho, acordei hoje com um mal pressentimento - Ela disse brincando com sua xícara, fazendo movimentos circulares com os dedos enquanto encara a janela. - Mas deve ser coisa da minha cabeça - Ela diz voltando a atenção para mim.
  - Tudo bem, estou indo para a faculdade, qualquer coisa me liga. - Me levantei dando um beijo na bochecha dela, peguei minhas coisas e saí de de casa indo até o ponto de ônibus onde April me esperava como sempre, fazemos faculdade no mesmo lugar, mas faculdades diferentes, faço engenharia e ela faz direito, tenho carteira de motorista e um carro na garagem, mas nós sempre preferimos ir de ônibus, dizemos que é melhor para contemplar a cidade, mas talvez isto seja só uma desculpa para podermos ir conversando durante todo o caminho.

   Ao encontrar com ela sempre pegamos o primeiro ônibus e descemos em uma lanchonete do lado da faculdade, onde tomamos um café enquanto conversamos sobre a vida, e não nos contemos ao rir do desastre que conseguia ser a vida de cada um de nós.

  - Bom dia. - Eu disse.
  - Bom dia. - Ela responde dando pra mim o seu melhor sorriso, sem mentiras, um sorriso sincero... ah, posso dizer que tenho uma queda por ela, não vai matar ninguém.
   Como sempre, pegamos o primeiro ônibus e fomos o caminho todo conversando, acho que poderia fazer isso o dia todo, eu nunca me canso de conversar com ela, não é como outras pessoas que a gente diz o que tem que dizer e a conversa acaba, com ela a conversa nunca acaba, na verdade só acaba no momento em que temos que nos separar.

   Hoje o dia não está tão ensolarado, está um pouco nublado e o sol aparece de vez em quando entre as nuvens, eu posso ser louco, mas acho que o tempo interfere no humor das pessoas, como aconteceu com minha mãe. Um dia ensolarado trás uma energia boa, faz com que as pessoas se sintam bem, faz com que elas sorriam, já um dia nublado carrega algo pesado, parece que com a chuva as pessoas ficam mais pensativas, e consequentemente mais tristes, a vida pode ser muito triste quando você pensa demais.

   Sinto meu celular vibrar no meu bolso, pego o mesmo e vejo que era minha mãe, então atendo a chamada.
  - Alô, mãe?
  - Você está bem, filho? - Minha mãe disse desesperada.
  - Estou mãe. O que está acontecendo? Porque você está assim? - Eu perguntei com medo de que algo possa ter acontecido com ela.
  - Vem pra casa agora, por favor! - Ela disse e logo só pude ouvir o som do final da chamada, deve ter caído.

  - Preciso ir. - Digo para April - Minha mãe precisa de mim. - Digo já me levantando para descer do ônibus.
  - Espera, o que ouve? - Pergunta April segurando na minha camisa.
  - Não sei, mais assim que puder eu te ligo.

   Fui em direção a porta do ônibus, mas antes que eu pudesse sair fomos surpreendidos por uma explosão do lado do ônibus, olho para os lados e parece que tudo ficou em câmera lenta, até que algo acerta minha cabeça e caio completamente apagado no chão.

Game of Cities - GOCStories to obsess over. Discover now