Prólogo

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- Lyan! - Gritou o senhor Faudrin, impacientemente. - Você vai me ajudar com essas caixas ou não?

- Me perdoe senhor Faudrin. - Limpei minhas mãos no meu avental. Estava mexendo com os refrigeradores. Meu turno estava quase no final, então me apressei e fui ao chamado de senhor Faudrin. - O que preciso fazer?

- Empilha essas caixas aqui, minhas costas estão doendo e Leonardo vai ser preguiçoso o bastante para não empilhar elas. - Ele bateu suas mãos uma na outra, limpando o pó, enquanto saia de sua posição desconfortável e revirava os olhos ao lembrar de Leonardo. - Acho que está na hora de demitir ele. Eu só não tenho ninguém para ficar em seu turno.

Eu apenas concordei falsamente, não tinha o que falar de Leonardo. Sem mais cerimônias, comecei o meu trabalho rápido, afinal, tenho que fazer o jantar.

Minha casa era perto do posto de conveniência, então, depois que terminei meu trabalho, fui apressadamente para casa. Eu morava em um velho hotel, no terceiro andar.

- Você é uma vagabunda. Vadia escrota! - Uma voz masculina irritada me chamou atenção. Eram os Nortons. Era impressionante como eles brigavam toda a noite, e sempre pelo mesmo motivo. - Vagabunda sem noção, eu deveria te matar, filha da puta. - Ele disse, gritando. Um som de baque no chão, e eu cerrei meus olhos, num susto. Ele bateu nela, eu tenho certeza.

- Vai embora. - Minha vizinha e colega de classe disse, tentando defender sua mãe. Eu parei na minha porta, com a chave na fechadura. Eu estava com medo, e preocupado. Eu me virei, para ir na direção da porta, quando ela abre ferozmente. Tive meus reflexos rápidos ativados milagrosamente, e corri para minha porta, disfarçando a espionagem.

- Você tem coragem garota. Vamos ver se não vai virar uma vadia ridícula igual a sua mãe. - Eu ouvi um barulho de cuspe, e virei. Ele tinha cuspido no chão. Charlotte estava vermelha, e olhava para ele com uma cara irritada. Ele apenas limpou a garganta, e começou a caminhar desajeitadamente, como se estivesse bêbado, indo para as escadas, caindo fora.

Eu segui ele com meus olhos, e depois desviei minha atenção para Charlotte, que me olhava com uma expressão indecifrável. - Não tem nada para você ver aqui, nerd. - Ela entrou em seu apartamento, e fechou a porta do mesmo modo agressivo em que ela foi aberta, enquanto eu assistia calado. Eu fiquei alguns segundos raciocinando, e então destranquei a porta, entrando em casa e indo direto para a cozinha.

- Lyan querido, como está? Como foi seu dia? - Algumas pessoas dizem que meus olhos castanhos são iguais o da minha mãe, mas os dela parecem mais alegres.

- Estou bem mãe. Foi um dia cansativo. - Levei um prato para ela, com um suco feito com pó artificial. Ela estava sentada no sofá de dois lugares, o único do pequeno apartamento, que mais parecia um kitnet. - E o seu dia? Iroh te deu dor de cabeça de novo?

Ela suspirou e fechou os olhos, enquanto aceitava a comida, e deixava o suco de canto. - Sacrifícios são necessários para sairmos desse fim de mundo. - Ela não olhou para mim, apenas continuou assistindo à televisão.

- Sacrifícios como quais? - Eu disse, em um sussurro. - Como os da mãe da Charlotte? - As paredes têm ouvidos, não posso dar mais motivos para Charlotte me atormentar.

Minha mãe simplesmente me deu um tapa. - O que você está dizendo? Hein? Você está falando de uma mãe, que mesmo com todos os seus defeitos, fez seus sacrifícios para cuidar da coisa mais importante da vida dela. - Minha mãe disse isso alto. Tenho sorte que isso tenha várias interpretações. - Você vê e ouve o que elas aguentam todos os dias. Você acha que nós precisamos sair desse buraco de Eerieville? Está errado. Elas que precisam. - Dessa vez ela disse em tom baixo. - Eu te criei por 15 anos, sem a droga do seu pai. Tentei te fazer ser um homem, um homem de verdade, um que respeitasse as mulheres. Eu te cuidei para fazer isso... Eu não te reconheço mais. - Ela se levantou, deixou seu prato na geladeira e foi para o único quarto do apartamento, fechando a porta. Eu olhei em volta, frustrado e com raiva. Chutei a parede, fazendo um barulho surdo, e abri o armário, pegando meu travesseiro e cobertor, e me joguei na cama, me preparando para outra noite horrível.

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