"Muitas vezes a nossa raça tende a ser curiosa ao ponto de nos iludirmos com a saída de mistérios, quando nós apenas somos mosquitos em velas, mortos carbonizados pelo sentimento precoce de liberdade" – Gomes de Bilbao
Escrevo estas retorcidas palavras sozinho em uma cabana nos bosques de Northwood Pine, isolado na própria insanidade e loucura, não sei se irei expor estas palavras ao publico, serei apenas o velho louco, pirado da embriaguez de conhaque pelas manhãs. As psicoses frequentes com vetustas éons de seres que não residem mais este mundo, seres antigos que nem a própria natureza pode contar, a todos estes mistérios desde os anais do tempo, sem dubiedades, rodeando meus pensamentos dos sons frigidos e aterrorizantes que aquele orbe pútrido produzira em meus pesadelos;
"Hic'tael'thest R'lyeh Nnnogor" – Sons que ouvira em pesadelos
Além do amargo gosto o qual aflorava em minha boca que se assemelhava a uma prostituta morta em um cais de porto dos subúrbios recoberta de cracas e ermitões, receio que tudo começara desde que reouve aquela placa infernal.
Na primavera de 1918, zarpei ao mar no navio USS Jenn-Clyde, fora eu contratado como geólogo para investigar estranhas estruturas na costa sul da Birmânia Britânica, onde rupturas e ilhas se formaram de um lépido tremor, assim descrito pelos moradores de uma tribo como "Htuusaannsaw Panyar", que significa "A Grande Sabedoria", acredito que o ópio tomou conta da mente de asiáticos. Cerca de vinte quilômetros da costa sul nos deparamos com uma ilha repleta de lodo com cerca de trinta quilômetros de extensão coberta de estruturas piramidais e estacas de pedra gigantes, ousara eu ir de bote até a ilha, ao pisar naquele lodo fétido e nojento de areias negras onde meus pés afundaram meio centímetro numa mistura de animais mortos e algo viscoso, o sol estava meridiano, muito forte e secava a areia lentamente enquanto me aventurava a pesquisar sobre a ilha e admirar as pirâmides de perto, havia criaturas mortas que nunca se expuseram a vista humana, cada passo que eu dava em direção a pirâmide calafrios em minha espinha eram intensificados, chegando a entrada do obelisco, percebi que era oca com um certo maquinário demoníaco no centro, parecia uma esfera metálica fatigante coberta de runas e sigilos desconhecidos, com um pútrido cheiro de sangue novo, ao alcançar a esfera reparei que era feita de varias placas soltas com vários símbolos e escritas distintas, ao redor da esfera havia em pilones cristais que focavam a porção de luz solar que adentrava ao centro da das runas laterais. Decidi remover uma das placas para levar a investigação, ao remover me senti embriagado e tonto com minha visão desfocada, tentei olhar aos meus pés e vi um tentáculo perfurando meu abdômen me puxando lentamente a uma fenda mais profunda que a própria terra, tentara eu gritar o mais alto que pude e nenhum som teria coragem de se propagar. O mundo parecia se torcer e mudar a uma paisagem destruída com uma criatura que pairava o céu, parecida com uma esfera cheia de olhos que murmurava eructações e me perseguia com tentáculos finos como de medusas atrás de sua presa enquanto o mesmo que atravessara meu abdômen me circulava como a mais faminta jiboia da Amazônia, me colocando gentilmente no chão, eu estava paralisado, assim como um pesadelo mais terrível da pior febre, com o canto de minha visão periférica vi um homem se aproximar e dando murmuro gutural "y'm lw'nafh'drn" enquanto perdia a consciência em um ultimo suspiro.
Acordei em uma enfermaria de um navio americano, sem nenhum ferimento, cogitei que seria apenas um sonho pois não havia me hidratado direito naquele dia, mas a realidade e sentimentos daquele momento me faziam enlouquecer toda hora, ao lado de minha cama havia a placa da esfera, seria ela envenenada? Amaldiçoada? Com fungos mais antigos que a humanidade? Nunca saberemos. Essas palavras serão minhas ultimas, a quem abrir esta carta nesta caixa, de um fim a esta placa, devolva o mais rápido possível antes que...
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Borda do infinito
Short StoryInspirado nos contos de Howard P. Lovecraft, mistérios que habitam adormecidos misteriosamente no oceano, de criaturas que habitaram este mundo em vetustas eras, Este conto segue como base o conto "Dagon" de 1919, onde mais viajantes tiveram contato...
