Novos hábitos

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Apertei o botão para gravar o vídeo, eu estava nervosa e ansiosa, não sabia ao certo o que dizer ou contar.

- B-Bem, eu realmente acho que você vai me matar quando for ver este vídeo... – iniciei de maneira que ela pudesse se sentir confortável vendo, e eu sei, que o confortável dela é quando ela se sente superior, não havia o que fazer quanto a isso. – Só quero dizer que você é bonita, maravilhosa, me ajudou muito e- cortei minha fala rapidamente, eu já estava morrendo de vergonha por ter que contá-la dessa maneira e, também, eu estava perdendo o foco. Limpei a garganta e respirei fundo – Você pode não concordar com minha decisão, mas você sabe que eu quero isso mais que tudo, você sabe! Eu treinei isso por anos e agora que eu tenho 21 eu posso! Então, - juntei toda minha coragem para contá-la – Eu vou para Coréia! – e depois disso, eu fiquei em silêncio por alguns segundos, ainda com o vídeo o gravando; quando eu abri a boca, eu desisti.

Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, finalizei o vídeo fazendo uma careta de desaprovação. Como eu posso ser tão patética que não consigo falar sobre minha grande mudança de vida com minha melhor amiga? O nome dela é Lorena, fácil não? Então por que eu não consigo falá-lo sem sentir que vou fazê-la ficar mais irritada.

Olhei para tela do meu celular. Apenas 15:08. Meu voo sairia 18:00 e eu estava ansiosa, porém mais preocupada em como contar para minha amiga que vou deixá-la sozinha no Brasil. Desde pequena, quando eu descobri sobre o k-pop, eu virei pra minha mãe e disse que queria virar uma k-idol, obviamente ela nem deu bola, apenas sorriu e disse que eu era muito nova; como ela não me levou a sério – mesmo tendo 15 anos -, eu falei com Lorena, que de inicio achou uma bobagem e me falou sobre todos os erros que eu poderia cometer, mas depois ela se voluntariou para me ajudar. E, com uma pitada de destino, ela se interessava em música, então, formamos uma aliança, eu a ajudava com seus problemas amorosos e ela me ajudava com meu treinamento básico de música. Admito que demorou um pouco até eu atingir os agudos.

Portanto se eu estou aqui hoje é por causa dela, ela me ajudou até a aprender coreano (obviamente eu precisava aprender, digo, quem vai pra um país sem saber sua língua maternal?). Todavia, eu não conseguia mandar uma mensagem.

Antes que eu percebesse, já eram 16:30, ou seja, eu deveria começar a me aprontar. Apesar de  já ter escolhido roupas confortáveis e elegantes e arrumado minha bolsa, eu resolvi verificar novamente e nessa brincadeira, eu acabei perdendo alguns minutos úteis.

Eu já havia chamado um Uber (tecnológica eu) para vir me buscar, e eu estava na rua em frente a minha casa a sua espera. Demorou poucos minutos até um Ford Mustang vir me buscar e perguntando por mim.

- Você é Jéssica? – ele olhou pela janela; parecia ser simpático.

- Sim! – falei acenando. Ambos olhamos para minha bagagem. – Pode me ajudar?

- Será um prazer!

Depois disso a viagem foi aconchegante, ele era simpático e tagarela – não do jeito ruim, eu adoro quando pessoas se sentem confortáveis para falar comigo -, o que me fez ter uma viagem ainda mais agradável.

Assim que chegamos ao destino, obviamente, nos despedimos.

- Desejo uma boa viagem, Jéssica! – e saiu, buzinando contra o trânsito.

Meu momento estava chegando e tudo que eu conseguia pensar era em como seria minha vida a partir de agora.

Com todas essas emoções e pensamentos a flor da pele, quando eu fazia meu check-in, eu tinha a impressão que eu tinha esquecido algo importante; não, eu não tinha somente a impressão, eu sabia. E foi só quando eu terminei meus afazeres e me sentei nos bancos de espera, que eu atendi uma chamada no meu telefone sem pensar antes.

Projeto: K-IdolWhere stories live. Discover now