Capítulo Único

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E então ele abriu os olhos.

          Naquele dia não haviam despertadores ou propósitos, mas ainda assim ele os abriu.

          Seu coração o acordou, inconveniente e incoerente, ele queria mais daquele sonho, era tanto que doía, e machucava a ponto de incomodar o tão esperado descanso.

          Mas o que havia acontecido? Não saberia explicar direito. Não se lembrava de muito, mas sabia do que sentia falta. Podia jurar que há poucos segundos uma brisa fria tocava seu rosto e o trazia um dos mais maravilhosos perfumes que seus instintos já conheceram, apesar de não ter mais nem ideia de quais aromas se tratava. Uma música bonita tocava ao fundo e eles se davam as mãos, ele era... feliz? O rapaz nunca provara de tal felicidade, então como poderia estar certo disso?

          Ao fim da tarde, seu coração estava cheio ao compartilhar o pôr do sol com a pessoa especial. Por que ele não se lembrava de seu rosto? Baekhyun queria chorar, era tudo tão frustrante.

          Após minutos deliberando e sentindo cada aperto que despontava de seu peito, enxuga as lágrimas, se levanta, e então, no exato momento que o piso gelado toca seus dedos, o menino estremece. Ele estava ali em algum lugar, podia sentir, cada fibra de seu corpo o puxava em direção à porta, como se agora fosse uma bússola humana, e ao fim do caminho encontraria o mais precioso dos tesouros.

          Trêmulos eram os passos assim que deixou seu quarto e caminhou casa à fora, buscando pela entrada, e determinado a seguir aquele instinto, apesar de por vezes se questionar o motivo daquela insanidade, o garoto precisava, não aguentaria mais a sensação de vazio com que aquela distância presenteava seus sentimentos. Cada centímetro em que se aproximava, levava suas células à ebulição, e gradativamente a respiração fez questão de pesar, obrigando-o a respirar fundo ao fim do trajeto.

          Com um tímido "Click" a porta se abre com a pouca pressão que aplicara entre os dedos, deixando a madeira pesada deslizar pelas dobradiças silenciosas, e foi assim que o resto do ar lhe fugiu dos pulmões.

          Parado e tão surpreso quanto, o rosto conhecido encarava incrédulo. Com a destra estendida e quase a tocar a campainha, seu melhor amigo sorriu, sorriso aquele que desde a infância o intrigou, o mesmo que todos os dias era grato por poder estampar nos lábios rosados do mais alto sempre que podia.

— Baek?!

— Chan?!

           Em uníssono eles proferiram, deixando os olhos brilharem sem que se apartassem do outro por um segundo sequer. Então dali, novamente, uma sentença mutua escapou das bocas que agora sorriam tímidas, aquela que daria o significado e calma para toda a aflição que compartilhavam:

— Eu não conseguia dormir...

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