CAPÍTULO UM

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Katarina na multimídia:

09:00 hours - Sábado
Eu nunca fui o tipo de garota revoltada ou certinha, nunca fui a nerd ou a popular, até porque popularidade depende do seu ponto de vista, sim eu tirei boas notas na escola, mas nunca me encaixei em um determinado grupo social, sempre fui a menina extrovertida que alguns querem proximidade e outros somente a distância. Minha mãe, uma renomada empresária dona de uma agência de modelos, sempre esperou que eu participasse de mais grupos extracurriculares, praticasse mais esportes, saísse mais, possuísse exuberantes amigos, eu já cheguei até a pensar que ela tinha é que ter uma "boneca/humana", porque ela sempre quis me moldar, comprar todas as minhas roupas, controlar o que eu deveria comer ou não, com quem eu saía ou até o que eu falava ou como me portava. É aí que você se pergunta "mas cadê o seu pai nessa história toda?" E eu respondo, meus pais se separaram quando eu tinha uns dez anos, ele sempre tentou manter presença, indo na casa da minha mãe, mandando presentes, mensagens e tudo mais. Até que ele se casou novamente, não que ele seja o típico pai que se esqueça que tem filhos assim que se casa ou que minha madrasta seja a típica maldosa, é só que tudo se complicou quando ele também se mudou para a Itália e a Suzana, minha madrasta, engravidou. Minha mãe diz que ele se casou rápido demais, "nem esperou a poeira abaixar", minha mãe é doida. Meu pai namorou Suzana por dois anos e então se casou, esperou mais quatro anos para ter um filho e minha mãe diz que ele foi rápido demais, o único raciocínio lógico é que ela ainda gostava dele quando o mesmo se casou de novo. Bom, depois de dois anos do divórcio ela também acabou se casando com o seu médico de plásticas, o João, ele sempre foi bem legal comigo, me ajudava com coisas da escola, ia me buscar na mesma quando eu passava mal, me dava concelhos muito bons e comprava uma porção de livros para mim.

Hoje eu já tenho dezoito anos. Vou começar a estudar engenharia em Havard, moro sozinha em um apartamento perto da universidade há um mês, tenho um carro, não namoro devido a uma ilusão amorosa que tive das fortes e gosto de sair para me divertir, mas somente depois de estudar bastante para recompensar a saída.

Aos quinze anos quando falei com minha mãe o que eu gostaria de fazer do meu futuro, eu lembro como se fosse ontem, ela falou que era doideira, "uma filha engenheira? Meu Deus, você é mesmo doida." Eu lembro de ter ficado um pouco magoada, lembro até de ter pensado em desistir, afinal minha mãe uma "modelo", meu pai um dono de bistrôs, porque é que eu optaria ou conseguiria seguir uma profissão tão exata ou sei lá... Foi nesse tempo que eu resolvi passar minhas férias com minha avó, ela sempre foi muito alto astral e companheira, e então ela me fez perceber que eu não deveria ouvir minha mãe. Ela me mostrou que muitas vezes as pessoas vão tentar te colocar para baixo, e se você for bobo o suficiente irá cair nessa encruzilhada e desistir de seus sonhos e seus objetivos mais loucos, porque se você quer mesmo vá e faça. Um ano depois minha avó morreu de câncer, mas acredito que tenha morrido feliz e realizada, porque seguia seu próprio concelho.

Agora mesmo, por exemplo, estou seguindo o conselho da minha avó, vou para a academia agora, em pleno sábado de manhã, em seguida vou para a aula de mandarim e depois vou a biblioteca devolver e pegar uns livros. Eu mesma nunca me imaginei assim, um pouco mais independente do que era e tão segura de mim mesma.

No final do ano passado meu pai foi passar natal em Londres, onde minha mãe mora, e aproveitei para conversar com eles sobre as faculdades que havia passado e qual eu gostaria de entrar. Minha mãe não concordou, por início, de eu vir para os Estados Unidos e morar sozinha, ela queria que eu me formasse por lá mesmo, mas eu falei que não queria então meu pai e meu padrasto me ajudaram a convence-la. E então, por fim, meus pais foram comigo escolher o apartamento e todo o resto, que no caso é minha mãe quem paga, meus pais pagam as despesas da universidade, do apartamento entre outras coisas, pode falar, sei que não sou tão independente como gostaria, já que meus pais me bancam. O negócio é o seguinte, eu e minha mãe fizemos uma acordo eu vinha morar sozinha, contra sua vontade, e então ela pagava minhas despesas para que eu não tivesse que trabalhar enquanto poderia estar estudando. Sei que já sou maior de idade e poderia falar "não", mas quem não quer a vida um pouco mais fácil e tranquila?

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