Meu lar

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Acho que para entender a minha história precisa saber de poucas coisas antes de eu nascer. Meus pais foram prometidos um para o outro, o bom é que acabaram se gostando de verdade, minha mãe uma pessoa amável e doce, veio de uma família muito rica, mas sempre levando o amor em primeiro A lugar. E meu pai era um homem mais centrado, provavelmente é pelos anos e treinamento no exército, diferente de minha mãe, trabalho é tudo na vida de um homem. Ele diz.
Depois de casados resolveram ter um filho, e tiveram o Tony. Ele cresceu tendo que seguir várias regras rígidas dadas pelo nosso pai mas sempre tendo a educação, atenção e o amor de nossa mãe. Tony estava destinado a ser do exercito e seguir os passos de nosso pai. Ele se orgulhava de poder proteger a nação e, principalmente, a família.
Tendo isso já conhecem a minha família, que resolveram ter mais um filho para ajudar no exército e fazer todo o trabalho, e no caso, fui eu que nasci, uma menina. Uma vergonha.
Nasci em 1928, em uma cidade muito pequena chamada Bibury, na Inglaterra, pena que não a conheço, meu irmão vive me falando de grandes árvores e rios mais azuis que seus olhos. Como ele gostava de se mostrar. Ele era muito bonito, tinha a pele clara, cabelos escuros, seus olhos claros que se destacavam e um sorriso enorme. Ele gostava de falar que eu era ele mas em uma versão feminina. E sem a melhor parte. Os olhos.
O dia do meu nascimento foi a morte de minha mãe, eu matei ela, diz meu pai. Aliás, é por isso estou trancada aqui. Eu suponho. Desde que eu nasci só conheço o meu quarto que parece mais um porão, um lugar pequeno com apenas uma boneca que minha mãe deixou pra mim. Ah! A minha boneca. Ela é de pano, cabelos longos e encaracolados bem escuros. Na verdade, ela é minha melhor amiga, sinto que quando estou com ela eu estou com a minha mãe, converso com ela o dia inteiro, imaginando como seria estar fora daquele lugar. Mas eu não podia e não sabia o porque.
Com meus 12 anos Tony começou a vir me visitar com mais frequência para brincar comigo, até então ele vinha mas meu pai o chamava e ele ia correndo obedecer as ordens.
Nessa época eu escutava alguns barulhos altos em cima do lugar que eu estava, não sei explicar direito por que nunca tinha ouvido aquilo, e eu estava apavorada, então me escondi debaixo de uma escada, onde tinha um guarda roupa velho que empurrei para me esconder, isso foi quando eu descobri que existia um pequeno buraco na parede e eu percebi que não estava em baixo da casa, mas sim em cima. Naquele pequeno buraco pude ver lá fora. Pude ver uma luz, eu nunca tinha visto nada parecido, era tão lindo, cheio de cor, lembro da vista, muitas árvores, cheio de grama e aquilo me fez esquecer todo o barulho que eu escutava. E por muito tempo esse canto debaixo da escada foi meu conforto.

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⏰ Last updated: Feb 28, 2018 ⏰

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