Estava sentado à beira mar... Lembro-me de ter agarrado na tua mão e pela ultima vez te dar um beijo na cara...
Mãe... Desculpa a minha ausência... Não estive bem... Se ainda tivesse tempo recompensava... Mas tempo é coisa que já não temos...
Era uma manhã fria de Novembro... Lembro-me do combinado... Fui até ao comboio onde devias estar ,mas não estavas... Esperei por um telefonema e nada... Liguei para ti e nada... Entrei em pânico comecei a ligar a todos os teus amigos e familiares... Até liguei ao pai... Acreditas!? Sim eu liguei ao Pai... Na esperança que ele soubesse algo de ti... Mas não... Ninguém sabia onde estavas... Três horas depois vi na televisão que tinha havido um acidente... O acidente era perto da tua casa e tinha sido relatado mais ao menos à hora da tua ultima chamada... Entrei em choque.... Não quis acreditar... Liguei-te mais uma vez e nada... Agarrei no carro e fui até tua casa que outrora fora minha...
Cheguei ao local do acidente e tu não estavas lá... Depressa veio um dos vizinhos com un olhar de pena... Percebi... Percebi!? Percebi que tinha errado... Que te devia ter ido buscar a casa... Que devia ter chegado ao trabalho atrasado... Percebi que tinha falhado com quem nunca me falhou... Desculpa mãe... Desculpa... O carro que te bateu ainda estava na estrada... Eu não senti raiva de ninguém para além de mim... Liguei a todos com um pouco de esperança de tudo ser um erro... Mas não...
Mais tarde no mesmo dia... Recebi um telefonema... Tinha sido promovido... Promovido...Promovido pelo desespero de ter perdido alguém .... Aquela promoção não significava nada... Agora nada fazia sentido... Queria correr e dar socos em mim mesmo... Queria voltar a ver esse teu rosto envelhecido mas lindo... Esse teu sorriso que transpirava esperança... Mas agora era tarde...
Mãe esta foi a reação que tive quando foste embora... O tempo doeu mas sarou as feridas... Agora vivo com a tua memória... Foste o que não fui para ti... Espero que um dia me possas perdoar...
