Desde que aceitei ir com ele, pedi um tempo para repensar minha decisão mas dessa vez, em minha casa, não quero me livrar dos meus pais muito menos de meu adorável lar, eu queria a certeza que voltaria bem ou que simplesmente EU VOLTARIA, existia sim a grande possibilidade de não voltar nunca pra casa, porém, pensamentos positivos sempre. Deus me ajude.
Aquela caminhada depois da minha decisão foi em parte esquisita, depois que ele pegou na minha mão, senti a necessidade de não quebrar aquela sensação de segurança que ele me passava era como escutar em voz baixa "vai ficar bem". E caminhamos até minha casa daquele jeito, com as mãos dadas mas não com dedos entrelaçados, eu sei diferenciar o tato e com certeza era com toda bondade do mundo, até porque se ele não quisesse ele poderia somente separar nossas mãos, mas pareceu satisfeito com aquilo. Quando chegamos eu subi os degraus da varanda e como se fosse pela ultima vez, andei calmamente olhava o piso, a tinta descascada que havia pintado com mamãe e papai, o balanço pequeno que me cabia perfeitamente, os jarros de flores antigos pintados à mão, e o tapete escrito "bem vindo", ao olhar esses mínimos detalhes eu segurei a maçaneta, fechei os olhos com força na esperança de eternizar esses momentos na minha cabeça, quando abri a porta foi somente o tempo de ligar as luzes e ir no meu quarto, dar uma ultima olhada nas minhas coisas e fechar a janela, quando desci as escadas Seth estava encostado na porta com as pernas cruzadas e a mão no bolso...
- Podemos agora? - eu novamente guiei meus olhos em todos os cantos da casa...
- Hmm - andei até ele... mas voltei de novo - Um copo de água antes!
Não queria abandonar isso no risco de nunca ver tudo novamente mas um raio de emoção chamada entusiasmo me enchia de esperança e a deliciosa sensação de perigo que corre no meu corpo e o turbilhão de felicidade ao lembrar que uma vez, eu faria uma coisa grandiosa de verdade.
Eu sou tão boba que nunca havia me perguntado como ele apareceu aqui. E era até simples demais, no dia em que eu estava na sala, no momento do teste, aquela "viagem" que eu fiz, fez uma certa fissura entre esses dois séculos e a passagem ficou aberta, até ele achar e proteger, esses portal se abriu exatamente em uma rua perto da loja do Sr Lanh que era pouquíssimo movimentada e lá havia uma enorme caçamba de lixo que ele acabara tendo que empurrar para proteger o 'portal', visivelmente ninguém diria que aquela parede é surreal, mas ao tocar era uma especie de aglomerado de água flutuante de fácil penetração, ele colocou as mãos primeiro e antes de entrar completamente se virou e disse
- Te espero do outro lado...
Eu respirava tanto que estava dando excesso de oxigenação no cérebro e uma leve dor de cabeça dava pontadas em mim... andei devagar e toquei aquela coisa gosmenta, que na verdade não era gosmenta, logo fechei os olhos e entrei de vez. Ao entrar e não sentia mais nada, não queria abrir os olhos mas a vontade foi maior, abri um único olho, como se espiasse e quando avistei a imensidão do universo eu arregalei os dois olhos e... era magnifico, eu não estava flutuando nem nada, mas tudo ao redor de mim corria, rápido e brilhante, quando ia tomando a pouca coragem de levantar as mãos... havia chegado. Tudo ficou ligeiramente escuro do nada, e como se houvesse pulado, dei um leve tombo no chão ainda de pé, senti o corpo duro como se estivesse enferrujado e velho, senti dores de cabeça, e logo quando Seth tocou na minha mão como se me convidasse ao velho mundo, senti que a força das minhas pernas foram embora e o chão pareceu mais perto do que o normal. Nossa, que chegada emocionante Julliet.
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Seven
Teen FictionSomos incapacitados de adentrar, prolongar, viver em nossos sonhos. O quão obvio seria isso, até acontecer com você?
