Bangkok – 08 de Outubro de 2017
O smartphone não parava de apitar, eram tantas notificações avisando que havia novas mensagens em seu IG, que já nem olhava mais. Tul sentiu um certo arrependimento por ignorar o carinho de seus fãs, mas seu espírito não estava legal para apreciar a bondade alheia. Sentia-se um merda por ter passado a maior parte do dia fingido uma alegria que não existia, para depois ter arroubos de felicidade. Olhou a taça de vinho vazia e automaticamente pegou a garrafa no afã de continuar o projeto de apagar da memória aquela noite, já não fazia ideia do quanto bebera, mas não se importava, só queria arrancar de dentro de si o desejo proibido.
O som do telefone só fez a raiva reprimida aumentar, tudo o que desejava era ficar sozinho, algo impossível em um dia como aquele, tinha certeza de que esse era o pior aniversário de sua vida. Olhou o nome na tela e não conseguiu evitar o desagrado, não entendia por que diabos aquela mulher estava ligando. Deixou tocar na esperança dela desistir.
- A cretina é insistente. - O desprezo era evidente em sua voz.
- O que você quer? - Disse brusco ao atender.
- Você não cansa de passar vergonha não é? - A voz feminina do outro lado tinha um timbre levemente agudo que destacava ainda mais o tom esnobe.
Respirou fundo buscando um pouco de sobriedade em meio a louca dança do álcool em sua cabeça. Queria gritar com aquela mulher pretensiosa, colocá-la em seu devido lugar, mas ainda era um cara educado, putíssimo, mas educado.
- Eu realmente não faço ideia do que você está falando.
- Me poupe da sua cara de pau, Tul. Você mais uma vez se aproveitou da situação pra se jogar sobre o Max. Você é mesmo um fingido. - Ela falava devagar, sibilando cada palavra. A voz era gélida e não escondia o ódio que sentia.
- Você sabe muito bem que seguimos um contrato, o que posso fazer se nossos fãs amam nossa química? - Não conseguiu evitar o riso de deboche.
- É a última vez que te aviso, não me provoque. Enfie nessa sua cabeça de merda que é a mim que o Max ama e deseja, sou eu quem ele leva pra cama, é comigo que ele faz amor. Você não passa de um parceiro de cena com quem ele está amarrado por um contrato.
Sentia que havia levado um soco. Ouvir aquela mulherzinha jogar a verdade em sua cara só aumentou a fúria contida.
Não se deu o trabalho de responder, extravasou a raiva arremessando o aparelho longe, que se espatifou na parede. Respirava rápido, as mãos tremiam violentamente, pegou a garrafa de vinho e levou a boca em desespero, em um só gole finalizou a bebida.
Ele se odiava. Odiava sentir o que sentia.
Trôpego, caminhou até o pequeno escritório, abriu a gaveta da mesa com mais força do que necessário e tirou de lá algumas folhas amassadas. Era o contrato. E lá estava a cláusula que o obrigava a fingir que entre eles dois existia algo a mais. Para Max era exatamente isso, atuação fora do set, para ele era o inferno em vida, estar ao lado do homem que amava sem realmente estar.
Não se importou com as lágrimas que manchavam o papel, elas vinham se juntar às outras tantas que estavam gravadas naquelas folhas.
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A campainha soando alto foi o que o fez abrir os olhos, por um momento ficou confuso sem saber onde estava, até se dar conta que havia dormido no chão da cozinha em meio a garrafas de Singha e até mesmo um Mekhong. Era um mistério que não estivesse em coma alcoólico. A cabeça explodia com a ressaca, sentia que poderia morrer com toda aquela dor, tão intensa que fazia seu estômago revirar.
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Together Forever
FanfictionTul não consegue mais lidar com os sentimentos que tem por Max, seu amigo e parceiro de trabalho. Ele finge que tudo está bem, quando na verdade morre um pouco a cada dia em que lida com a realidade do namoro de Max com outra estrela tailandesa. Ma...
