Quando acordo gosto de ficar olhando a luz que sai da janela, é como uma liturgia da manhã, todo dia preciso acordar e olhar pela janela, fico pensando que já é mais um dia, e que a poucos minutos estava noite, escuro. Mudança de fases, assim como a noite acaba, talvez coisas também acabem, para que novos dias apareçam, para que novos pensamentos possam surgir, novas possibilidades. E talvez seja isso que eu esteja precisando, tudo ultimamente está tão monótono e parado, tudo me cansa tão facilmente, me entedia, algo dentro de mim deseja novidade. Calma João, é só mais um dia, e não a revolução das eras. Levanto, me arrumo, tomo café, observo que meu pai ainda não chegou, e penso que talvez minha mãe ainda esteja deitada, ultimamente venho observando que ela está diferente, muito calada. Beijo o gordo do meu gato, pego meu moletom e sigo pra escola torcendo pra não chover no caminho.
Tudo normal, como sempre, sala cheia, pessoal conversando, os idiotas dos meus amigos sentados perto de mim, a menina que estou afim nem me nota, tudo no seu devido lugar. As aulas seguem normalmente, as vezes olho pro lado e percebo que o casal perto da parede as vezes estão me olhando, Pedro e Cecilia, desde o começo do ano que eles estão juntos, eles sempre sentam juntos, no mesmo lugar da parede, achei a atitude meio estranha. Meu cabelo está bagunçado? Pergunto ao Tiago que está sentado do meu lado. Não, ta normal. Ele responde. Vou ao banheiro e me olho no espelho, tudo normal até então. Volto e me sento. A aula percorre normalmente, os dois pararam de me olhar, graças. As duas últimas aulas são de história, a matéria é até legal, sobre Hitler e o Nazismo, gosto de estudar sobre isso. Faltando pouco para o termino da aula o professor propõe um trabalho em grupo, o que de fato é um saco pois prefiro fazer as coisas sozinho. Então viro-me pro Tiago e falo, vou fazer com você, ve com outra pessoa ai. Ele diz: tá, o Mateus aqui faz com a gente. Quando viro-me para minha cadeira, Cecilia está sentada na cadeira ao lado e repentinamente pergunta: Você quer fazer o trabalho com a gente, eu e o Pedro? Estranhei muito o fato deles terem me feito o convite, sempre fazem tudo entre os dois, e eles não se abrem muito com ninguém. Poxa! Eu vou fazer com os meninos aqui! Deixa pra próxima. Respondo. Ela diz: Não, a Gabriela vai fazer com eles, né Gabriela? Gabriela já estava ao lado e responde: Sim! Eu vou fazer com você viu Tiago. Ela diz olhando pra ele. Vish, o grupo já ta feito, estou com o João e o Mateus. Tiago responde a Gabriela, mas Cecilia logo diz: não o João vai fazer junto comigo. Gabriela olha pro Tiago e termina: Então ta tiago, a gente faz junto okay, depois te mando mensagem. Levanta e sai em direção ao fundo da sala. Cecilia me olha e pergunta: então, pode ser na sua casa hoje a tarde? Eu ainda sem entender muito bem o que estava acontecendo olho pro Pedro que está sentado em sua cadeira, com o cotovelo na mesa e mão coçando vagarosamente sua testa, e percebo que ele está olhando friamente pra mim, e posso jurar que ele fez um sinal com a sobrancelha enquanto eu o olhava. Olhei pra Cecilia que esperava resposta olhando em meus olhos e apenas disse: Pode ser sim, minha mãe trabalha e meu pai vai estar dormindo. Então tá! Disse ela rumo a sua cadeira.
Pensei que eles fossem me perguntar aonde era minha casa, mas não, achei tudo muito estranho. Fui rumo a minha casa pensando no quanto tudo aquilo era esquisito, mas busquei relevar, nada de mais né? Pensei. A gente apenas estuda junto. Chegando em casa minha mãe estava lá, almocei junto com ela. Estranhei o fato dela estar mais calada. Comentou pouca coisa, e nem me fez muitas perguntas e logo que terminou se arrumo e voltou ao trabalho, naquele momento vendo-a saindo pela porta da cozinha ao estacionamento, parei pra analisar e percebi que quase não a via mais em casa, ela estava sempre no trabalho ou em seu quarto. Fui no quarto dos meus pais e lá estava meu pai dormindo, fechei a porta sem fazer barulho e fui buscar tirar um cochilo também.
Acordei com uma mensagem. Vai pra porta, estamos chegando. O número não estava salvo no meu celular, mas acreditava ser Cecilia já que eu estava os esperando. Lavei o rosto, me arrumei, coloquei uma camisa mais leve, percebi o quanto o cheiro do novo amaciante era bom, e fui pra porta espera-los. Assim que saio eles estão descendo da moto. Observo eles vindo de mãos dadas, Cecilia com sua pele branca e cabelo bem preto amarrado em um rabo de cavalo bem feito, Pedro tinha uma pele mais parda, quase morena, maxilar bem acentuado, um olhar muito firme com sobrancelhas mais retas, tinha um porte muito reto e forte, devia fazer algum esporte com certeza. Eles chegaram e me cumprimentaram, ela sorrindo veio mais perto colocou uma mão em meu pescoço e do outro ela beijou pouco abaixo da orelha, a mão dela era firme em meu pescoço, logo se afastou e chamou-nos pra entrar sorrindo, olhei para Pedro e ele apenas sorrindo disse: Vamos? Apenas acenei com a cabeça sorrindo meio sem graça, achei muito estranha aquela atitude de Cecilia, mas como Pedro não disse nada, resolvi ficar calado e deixar rolar. Levei-os para cozinha, ofereci agua enquanto ia buscar o notebook no quarto. Ao voltar, arrumei três cadeiras juntas e sentei na do canto para que eles dois fiquem juntos, Pedro veio e sentou ao meu lado, Cecilia pegou a cadeira e a colocou do meu outro lado e sentou e apenas disse: você fica no meio né, vai mexer aí no not e precisamos ver direito! Apenas acenei com a cabeça confirmando, sentia algo no ar e não era o novo amaciante na minha camisa. Pedro logo sugeriu para vermos primeiro uma vídeo aula sobre o tema, que assim entenderíamos mais fácil quando focemos fazer o trabalho, concordei e busquei a vídeo aula no youtube, escolhemos e começamos a assistir.
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Permita-se
Teen FictionJoão é apenas um jovem normal, vive sua vida simples ansiando por algo maior que o tire de orbita, e quem não? Tudo começa a mudar em uma tarde quando conhece mais intimamente o casal Pedro e Cecilia. Novas oportunidades podem acontecer, novos amore...
