Caminho por esse campo esverdeado, a grama ligeiramente alta me faz sentir o cheiro da natureza tão profundamente que posso sentir a flora local se comunicando comigo. Eu fecho os olhos e uma voz sussura em meu ouvido:
-Alice, volte. Volte e sinta a dor...
Quando abro os olhos, vejo o mesmo campo florido mas, agora, estava ardendo em chamas. Minha pele estava se corroendo, eu sentia o cheiro de podre das minhas mãos mas não sabia dizer o motivo. Olhei à minha frente e vi uma mulher coberta de sangue e esperma, suas pernas estavam sujas de fezes e ela se urinava, enquanto me olhava e pedia desculpas e eu, sem entender o motivo de estar naquele lugar, começei a chorar.
-Eu não quero estar aqui, onde está a mamãe? - Pensei enquanto me debatia no chão em prantos.
Sim, o chão estava em prantos. eu estava caminhando num tapete de corpos que, queimados pelo fogo, ainda proferiam lamentos e gemidos de dor.
Momentos depois, me vi deitada numa rua, com pessoas a minha volta tentando me socorrer enquanto eu afundava em meu próprio sangue, caído comigo, via pedaços que não eram meus, pernas, braços, um rosto com semblante aterrorizado.
De repente, volto ao campo gramado e tranquilo, vejo que aquela horrível cena se foi, mas a mulher coberta de sangue e esperma permanecia à minha frente, como uma sombra do que alguém um dia foi, ela se aproxima de mim.
-Bem vinda ao inferno, Alice. Me reconhece? - A mulher sussura e, mesmo com seu rosto próximo ao meu, eu não consigo vê-lo.
-Quem é você? - Pergunto com curiosidade em minhas palavras e medo em meus olhos.
-Quem acha que sou?
A voz da mulher parecia suave e me trazia conforto mas, sua aparência me causava medo e, de algum modo, uma sensação de arrependimento.
-Eu sou você, Alice. Me perdoe pelo que fizemos...
Após dizê-lo, o corpo da mulher se dissipa como fumaça, soprada em minha direção, minha visão fica turva por uns segundos e, quando a recupero, percebo que estou coberta de sangue e esperma, então tive a certeza: EU SOU aquela mulher. Mas, de algum modo, não me sinto como ela.
De repente me vejo em meio à uma pilha de corpos acinzentados, todos eles gargalhando sadicamente e gemendo, mas desta vez era de prazer, como se estivessem fazendo sexo uns com os outros. Me esforço para sair daquele aglomerado e sinto meus braços e pernas sendo agarrados ao mesmo tempo que ouço vozes.
-Aonde você vai, sua puta? Volte aqui, seu corpo é nosso agora! - Algumas das vozes diziam alto e claro.
Mesmo com vários me segurando, consegui sair. Estariam aquelas pessoas tendo prazer naquele ato? Elas eram pessoas? Na verdade, prefiro não saber. A única coisa que me importa é sair desse lugar.
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Alice no inferno
RandomO que é correto na vida e depois dela? Quais decisões podem afetar-lhe pela eternidade? Nosso destino pode ser alterado pela ação de terceiros? Acompanhe a jornada espiritual de Alice, uma menina que, vagando pelo abismo, descobre que, quando a mora...
