I. Raio de Sol

256 48 15
                                    

Acordo zonzo com fortes dores de cabeça, sinto algo quente escorrer da minha nunca e parar em meus lábios. Estava sangrando. Era dia, com certeza. Os raios do sol, que entravam pelos buracos no teto, queimavam a pele ardida e salgada de minha face. Um súbito som agudo de gritos que vinham ecoando de outra sala alegremente me lembravam aonde eu estava. O cheiro forte de carne podre e fezes impregnava o ar, o gosto acre em minha boca causava náuseas. Instintivamente tento levar a mão a boca e ao nariz, num ato de conter os odores indesejáveis, desta forma descobri que estava algemado as paredes do que parecia ser uma espécie de depósito ou porão. Umidade era algo raro então presumi que estaríamos pouco abaixo do nível da areia.

Cordas. Precisaria de algum tempo para rompê-las. Rapidez definiria o meu destino naquele segundo. Me contorço para tentar afrouxar os nós que amarravam minhas mãos e pernas, nada. Os nós eram feitos por alguém que sabia o que estava fazendo, ou por alguém que não queria de maneira alguma fugas inesperadas. Respiro, me arrependo disso. Olho ao redor para tentar definir possíveis ações, estava meio escuro com a exceção de alguns raios que quebravam a escuridão do lugar.

Não havia nada de útil ali. Sinto a amarra da mão direita afrouxar um pouco, agora sim. Escuto passos vindo do corredor, um assovio tenebroso partia o silêncio. Eu precisava me soltar rápido ou estaria com sérios problemas, além do ferimento em minha cabeça, consigo ver um corte em meu peito, em formato de "X". Ainda estou muito tonto, mas alguns fragmentos retornam a minha memória. Começo a suar frio, quando me recordo o que estava fazendo ali naquele lugar e por que estava preso.

- Olha só quem acordou? - disse uma voz rouca por de traz da porta de metal - Hora de levantar e brilhar Raio de Sol"

Uma figura gigantesca adentrou a pequena cela onde eu estava. Ele mal passava pelo arco da porta. O gigante era Nak, Cabeça-de-Porco, um dos Generais de Otelo, Soberano da Guerra do Norte. Além da estatura e o tamanho desproporcional de seus músculos, Nak era conhecido por usar como máscara uma cabeça de porco costurada com cabelo de mulheres que ele matava por diversão, pois não podia aproveitar de seus corpos, já que todos os generais de Otelo eram eunucos, para que somente ele desfrutasse de seu harém. Sádicos.

Cuspo sangue no chão. O gigante dispara em minha direção e acerta um violento soco em meu abdômen, o que obviamente me deixa sem ar.

- Você é meu brinquedinho, só faz algo quando eu mandar. - diz ele ao pé do meu ouvido com a voz rouca e abafada por trás da máscara suína. Naquele segundo minha mão direita se soltou, consigo dar uma cabeçada no filho da puta. Escuto com prazer seu septo nasal quebrar. Enquanto ele urra de dor e ódio, consigo pegar a sua machete antes que ele se afaste. Corto as amarras, e quando vou atacar, Nak me segura pelo pescoço e me levanta do chão, sinto o ar fugir dos meus pulmões enquanto minha visão vai escurecendo... antes de perder a consciência escuto algo que me faz ter calafrios antes de apagar...

-Shhhhhh... fique quietinho Raio de Sol, eu ainda não terminei de brincar com você, amanhã você vai ter um dia especial com Sr. Otelo...

Apago completamente. Lembro-me de Katy. Isso não vai me ajudar.

SANGRANDO POEIRAOnde as histórias ganham vida. Descobre agora