Belos terrores, desejos e fins. Teus fios de cabelo em pé, tua pele húmida de suor, tua vontade lutando contra teus rins. Aonde estás, o que fazes? Que lugar é este que te prende? Estás nu, como assim? Ainda agora tinhas roupas em ti, qual foi o seu fim? É uma caixa, de madeira, ou será de ouro e prata. O material desconhecido que o reveste, não sabes o que é, mas sentes que não é aonde devias estar. E o café que era suposto tomares? E os pensamentos nos quais te entretias? Os divertimentos que já não se divertem, aprisionados num espelho mágico, que suga lentamente a alma que não existe. O diabo ri do teu destino, o diabo que na sua improbabilidade, é mais provável do que deus. Aquele cheiro de campo te cerca, a tua memória da vida passada te percorre, vida passada esta que não é mais do que o fruto da tua imaginação. Os teus braços não se movem, por incapacidade, ou pelo medo que tens, de não aceitar o que é. Aquele momento em que os ventos te percorrem os cabelos, como assim vento? Ainda agora estavas numa caixa. Vês o céu azul, sentes a grama fresca nos pés, o que é isso, como assim? Que lugar belo, será este o paraíso? Deus é grande, afinal. E piscas os olhos. Tua ilusão era apenas isso, uma ilusão. Que paraíso, que deus? O teu paraíso é uma caixa com cheiro de terra, e teu deus é um vácuo que te consome. O teu suspiro fétido inunda o teu redor, vermes rastejam ao teu lado, o arrepio sobe lentamente por teu corpo, enquanto as patas da centopeia lentamente te percorrem. O teu suor é inexistente, o teu suspiro não é real, e o que sentes não é verdadeiro. O que se passa? Onde estás, senão aonde deverias estar? Nasceste para isso e cumpriste o objectivo. Que os vermes te façam de casa, que os escorpiões te usem como esconderijo, e que aranhas se banqueteiem contigo. Tu és só isso, um vazio, que pode muito bem nunca ter existido.
KAMU SEDANG MEMBACA
Memória de Acesso Aleatório
Cerita PendekUma vida cujas memórias são demasiado fúteis, demasiado dolorosas ou simplesmente demasiado inúteis para ocupar os bits da nossa mente. Mas é engraçado como mesmo sendo memórias normalmente indesejáveis, elas permanecem ocupando nossos banco de dado...
