ZIRAEL
Capítulo 1
Quando Algo Termina, Algo Começa
Estava ansiosa para isso. Não havia melhor lugar para comemorar a derrota da Caçada Selvagem e da Geada Branca como naquela pequena e aconchegante taverna de madeira, num vilarejo em Pomar Branco. Entretanto, ainda há uma coisa a ser resolvida. Quando entrei na taverna, os camponeses pararam de gargalhar das suas conversas entretidas e fúteis para acompanhar minha trajetória até uma mesa desocupada ao fundo do estabelecimento. Pude perceber o olhar de cobiça dos homens e o de inveja das mulheres. Não é para menos já que certamente possuo um corpo muito bem trabalhado graças aos treinamentos de espadachim. Enfim sentei-me para esperar por Gerald, que me encontraria ali como o combinado.
Será que ele conseguiu enganar o poderoso e impiedoso imperador de Nilfgaard? Será que finalmente seguirei meu caminho sem medo, sem ser mais uma vez perseguida por alguém que deseja simplesmente usar meu maldito "sangue ancestral" ou minha arvore genealógica? Eu não quero ter de governar um império tão agressivo quanto o de "meu pai". Não quero que outros tenham medo de mim assim como temem ao Imperador Emhyr, pois apesar de humano, suas semelhanças com monstros com certeza não é mera coincidência, no sentido figurado, é claro.
Pedi para que Gerald mentisse para Emhyr sobre o meu paradeiro, que dissesse que eu havia morrido ao lutar contra a Geada Branca, assim me livraria de Nilfgaard e daquele que se diz meu "pai", porém nunca agiu como um antes de eu estar em seus planos para manter seu poder. E eu já tenho um pai. O que me criou: Gerald de Rívia. Minhas mãos suavam de ansiedade e eu não conseguia acalmar meus pensamentos. Minha cabeça estava a mil!
Rapidamente despertei dos meus pensamentos quando senti a presença de Gerald ao sentar do meu lado, sem sequer avisar ou dizer nada. Fitei-o forçando com o olhar tirar alguma palavra dele, sem sucesso.
- Está feito? – Perguntei ansiosa pela resposta, já que Gerald nunca foi tão sensitivo para entender olhares.
- Sim.
- Ele acreditou em você?
- Eu não faço ideia. – Ele respondeu com um suspiro profundo, ainda incerto do êxito.
Gerald ficou em silêncio por um instante e com apenas um gesto com a cabeça perguntou sobre o saco de moedas que eu tinha em mãos.
- É a recompensa pela cocatriz. E temos um novo contrato. – Fitei-o. – Não vão pagar muito, mas acho que vale o trabalho.
- Andou ocupada? – Gerald provocou.
Ele então virou-se para pegar algo do chão. Gerald não havia mencionado que traria algo. Talvez tenha sido esse o motivo do atraso. Trouxe a mesa uma espada, muito bonita de primeira vista. Analisando melhor: era uma espada de prata! Ele apenas a colocou em minha frente e fitou-me orgulhoso.
- É sua. – Declarou.
- A espada de um bruxo! – Não pude conter minha ansiedade em tê-la em mãos para ver os detalhes.
Retirei a bainha para ler a inscrição na lâmina, que era muito bem-feita e afiada por sinal.
- Que inscrição é essa? – Atentei-me ao detalhe.
- "Zirael, Andorinha". Você gostou?
- É linda! Posso? – Estava ansiosa para ver do que aquilo era capaz de fazer.
- Aqui não. Você terá muitas oportunidades em breve, com contratos de bruxo.
- Vamos tentar então. – Disse confiante, fitando-o e guardando a espada em sua bainha novamente.
Gerald parecia estar tão orgulhoso. E eu também estava, para falar a verdade. Ele finalmente confiou em mim e no meu potencial. Nem eu mesma estava certa do que estaria por vir ao enfrentar a Geada Branca. Eu simplesmente fui. Era o meu destino e eu não poderia fugir dele mesmo que Gerald tentasse me impedir. Percebi também que Gerald estava constantemente me apoiando em minhas escolhas, e isso de certo modo me tornou alguém mais confiante e, consequentemente, mais capaz também.
- Para onde vamos agora? – Perguntei colocando a espada sobre a mesa.
- Agora, para lugar algum. Quero comemorar a nossa vitória. E a sua conquista.
Gerald dificilmente sorria, pois tinha um semblante sério e durão. Os feitos do famoso "Lobo Branco" (devido aos seus cabelos brancos e olhos de gato) espalharam-se rapidamente pelos vilarejos, mas grande parte do respeito que tinha era de fato pela sua cara feia.
- Você não parece contente com essa cara fechada. – Disse o provocando. – Taverneiro, traga-me duas rodadas de hidromel!
- Você está muito diferente, Ciri.
- Diferente como?
- Você cresceu. Não é mais uma pequena garota de cabelos brancos. Já é uma mulher. Já sabe cuidar do seu próprio nariz. Ou quase isso.
- Graças a vocês, Gerald. Você, a Yen, a Triss... todos que estiveram dispostos a lutar ao meu lado. Por mim. – Desviei o olhar e fitei a espada que havia ganho. – E ao tio Vesemir.
- Vesemir foi um grande mestre para Kaer Morhen.
- Aprendi muito com ele.
- E continuará aprendendo comigo. Você ainda tem muito o que aprender.
- Aqui está o hidromel senhorita. – Disse o taverneiro servindo a mim e a Gerald.
Fitei Gerald enquanto ele era servido. Agradeci ao taverneiro com apenas um gesto com a cabeça e ele se retirou.
- Vamos ver se consigo te fazer sorrir depois de uns goles de hidromel.
Gerald abriu um sorriso forçado, fazendo-me rir.
- Pedi para que sorrisse e não para que apenas mostrasse os dentes. –Provoquei.
Peguei a caneca e a levantei para brindar, assentindo com a cabeça e Gerald fez o mesmo. Bebemos tudo de uma vez.
Depois de passar a tarde na taverna, conversando sobre o passado e o futuro, Gerald e eu decidimos ir para Kaer Morhen, lugar onde eu passaria os próximos meses treinando e vivendo de contratos de bruxo.
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Zirael - The Witcher 3 Fanfiction
FanfictionA continuação da história de Ciri (Cirilla, Zirael) de acordo com o meu final no game The Witcher 3: Wild Hunt. Os acontecimentos se passam em meio a Terceira Guerra entre o Rei Radovid e o Império Nilfgaardiano, antes da vitória de um dos dois. *...
