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♥ Não tenho limites. Essa história é bem longa.
Tudo tão mais bonito para as pessoas ricas. Com suas roupas de marca, comidas exóticas, carros caros e todo o resto. Até os garçons eram diferentes. Aquela não era uma simples festa. Era uma festa onde as figuras mais renomadas e poderosas da cidade estavam. No meio disso tudo, estava Therese, observando tudo atentamente, sem expressar mais palavras que o necessário. Estas não era tão necessárias para alguém que revelava muito mais com olhares e gestos como ela. A maioria das pessoas à mesa eram homens, alguns muito mais velhos, outros um pouco menos. Era o caso de Richard, que devia ter seus trinta anos. Ele era filho de um senador, e também tinha um cargo no Estado, é claro. Olhava para Therese o tempo todo, principalmente porque estava na sua frente. Oferecia-lhe tudo, fazendo mais uma vez o que o garçom ou outra pessoa ja tivesse feito. Seu interesse era notório, quase cômico para ela. Não era algo com o que se preocupar. Ela o conhecera em um desses encontros de pessoas ricas e importantes, e as vezes se encontravam. A algumas cadeiras a esquerda de Richard, estava uma mulher loira, de quem Therese não foi capaz de desviar os olhos por mais de cinco minutos. Sua aparência era o reflexo da realeza. Talvez fosse a mulher mais bonita que ela já vira pessoalmente. Pele clara como seda branca, boca desenhada, perfeita, coberta por um batom escuro. A sobrancelha clara, como seu cabelo loiro que caia não muito abaixo do ombro. A cor é natural, concluiu Therese. Era diferente dos outros tons de loiro, aquele era mais bonito. Voltando ao momento, ela percebeu que olhava fixamente para a mulher, e vice-versa. Tentou disfarçar, olhando para qualquer outro lugar, passando a mão pelo vestido. Consumida pela vergonha, ela pediu licença e foi até o toalete. Não era a timidez de sempre. Era muito pior quando não estava no seu ambiente, que geralmente era o da universidade ou nos lugares que ia. Aquilo era bem diferente de sua realidade, e talvez fosse esse o motivo de estar ali. Fugir da realidade era sempre uma das melhores opções que ela encontrava. Estava de frente para o espelho, pensativa, quando alguém entrou no banheiro. Era ela. É claro, pensou Therese. A mulher sentou-se no banco estofado, como se estivesse em pé ha horas.
- Será que eu posso fumar aqui? - uma voz lenta e forte ecoou pelo ambiente.
- Por mim tudo bem. Mas olhe - Therese apontou para detectores de fumaça.
-É verdade. Mas que droga! - ela estava mesmo irritada.
- Por que não vai na varanda? - Therese foi educada.
Não obteve resposta, apenas um olhar de tédio misturado com raiva, que a fez voltar para a mesa pisando forte. Que decepção, que desperdício. Esse o problema dessas pessoas: eram ricas, eram bonitas mas as chances de serem um nojo eram mais altas do que qualquer outra coisa. Pelo resto da noite, ela fez questão (e esforço) de não olhar para a mulher de novo. Entretanto, não a tirou da cabeça por um instante. Odiava ser maltratada. Tudo corria bem até a hora que Victor Hugo resolveu ir embora. Ele era o reitor de sua universidade, e quem mais lhe proporcionava oportunidades acadêmicas. E não eram em vão. A tal mulher e seu acompanhante também resolveram ir na mesma hora. Só nesse momento Therese percebeu que o homem com quem ela estava era o mesmo que mais conversava com o reitor. Os quatro deixaram a mesa, Victor Hugo cumprindo a formalidade de dar-lhe o braço, o que fez Therese sorrir. O frio lá fora fez com que todos colocassem seus casacos imediatamente. Ela não sabia se sentia alívio ou pesar por precisar ver aquela mulher de novo. Por que estava tão incomodada, afinal? Na despedida, algo mudou o curso normal das coisas.
- Victor, você se importa que eu a leve em casa? - ela sorria com dentes brancos, alinhados. Ninguém seria capaz de dizer não a ela.
- Srta. Belivet? Vocês se conhecem? - ele estava curioso, claro.
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Dearest
RomanceO cotidiano de duas mulheres está prestes a mudar, inundado de paixão, sensualidade e poder. Therese Belivet, universitária na cidade de NY, leva uma vida planejada com responsabilidade e ao mesmo tempo boêmia, com a exceção de não se envolver am...
