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Electricity

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Mais um dia se inicia na bela cidade de Londres.
Conforme os carros nas ruas vão se movimentando, algo muito comum também pode ser visto. Sim, os belos adolescentes estão indo à escola. Muitos começos de vida podem ser avistados nos rostos dessas pessoas que são velhas demais para serem crianças, e novas demais para serem adultos. Como são fascinantes os adolescentes.

*Colégio King’s: 8:07 a.m.

P.O.V. Niall
-Nesse novo ano a escola quer dar as boas-vindas...
Mais um discurso típico da diretora, todos os anos eu escuto essas boas vindas. Pelo menos é o meu último ano aqui.
-Bem vindos!
Todos no auditório aplaudiram, acho que estavam felizes pelo discurso ter acabado. Caminhei até a minha sala e, com certeza, eu vou ter que me apresentar a todos, como em todos os outros anos.
-Eu sou péssimo com nomes, então que tal vocês se apresentarem? Você aí no fundo, o loiro, se apresente.
Lá vamos nós de novo.
-Meu nome é Niall, eu tenho 17 anos e eu estudo aqui desde o 1º ano do ensino médio, então, todo mundo deve me conhecer.
Eu terminei de falar e a maioria da sala concordou. Quem não nota um garoto loiro estudando com você por 3 anos?
-Muito bom, Niall. Mais alguém?
E assim continuaram as apresentações, até que o sinal do intervalo tocou.

*Colégio King’s: 9:45a.m.

O primeiro intervalo do dia é bem calmo, e o do 1º dia é mais calmo ainda. Por todo lado tem pessoas conversando, jogando, e os atletas treinando, mas eu to aqui na minha, eu nunca fui uma daquelas pessoas extrovertidas, eu gosto de pensar comigo mesmo.
Espera! Tem gente correndo no corredor? Tem algo de errado. Fui em direção às pessoas e perguntei.
-O que aconteceu?
-A caixa de energia do ginásio, parece que ta com problema!
Um garoto disse. Como assim a caixa de energia? Existe 1 a cada 365 chances de isso acontecer no 1º dia de aula. E logo no ginásio, lá tem uma fucking piscina de natação! Algo me diz pra checar se tem alguém na piscina, eu sei que não vai ter, mas vou verificar mesmo assim.

*Colégio King’s: 10:06a.m.

Entro pela porta da quadra de natação e o que eu vejo? Uma garota nadando, devia estar treinando, eu acho. De repente eu escuto um barulho alto e as lâmpadas estouram uma por uma. Esse sistema elétrico vai cair na piscina, eu aposto. Meu único reflexo foi gritar para a garota.
-SAI DA PISCINA!
A garota com certeza ouviu o barulho das lâmpadas e o meu grito. Ela veio nadando até a extremidade que eu estava, eu me ajoelhei na beira e estendi o braço para puxá-la assim que chegasse perto o suficiente. Ouvi mais um estrondo e olhei pra cima novamente, o lugar onde as lâmpadas ficavam, agora estão faiscando e a base das luminárias está balançando, elas podem cair a qualquer momento. Essa piscina nunca esteve tão grande.
-VOCÊ CONSEGUE! NÃO PARA!
Eu aposto que por melhor que ela fosse, ela estava com medo, e por consequência, não estava nadando tão bem quanto podia. Ela já estava chegando perto o suficiente para que eu conseguisse puxá-la pra fora da piscina. Me estiquei o máximo para alcança-la, as fiações agora já estalavam, anunciando o curto-circuito que estava acontecendo. Em um último impulso eu peguei sua mão e a puxei pra fora.
-Vamos sair daqui!
Eu falei já a puxando em direção à porta. A distância entre nós e a porta era de 25 segundos, 25 segundos de chão molhado que parecia não terminar. Olhei para cima uma última vez e vi um dos cabos se partir em nossa direção. Por reflexo, eu empurrei a garota para o corredor seco, fechei os olhos e pensei “é o fim”.
-AJUDA! ALGUÉM!
Escutei os gritos da garota e abri os olhos, eu não morri, mas como?
-O que aconteceu?
-Tem um menino lá dentro.
As vozes vinham do corredor. Eu não enxergava nada pois a eletricidade nos cabos fazia a água evaporar e formar uma cortina de vapor. Eu sentia um formigamento pelo corpo todo e uma pressão na cabeça. Isso era a eletricidade? Porque eu não estou fritando?
Em um reflexo, eu dei os passos restantes para fora da sala. Eu vi o espanto no rosto das pessoas, como quem pergunta “você não morreu?”. O silêncio foi quebrado pelos bombeiros.
-Garoto, venha com a gente.

*Casa da família Horan: 9:24p.m.

Depois de todos os exames, perguntas e abraços que eu recebi, eu resolvi me deitar. Afinal, por que eu não fritei? A eletricidade estava forte o suficiente para arrebentar fiações mas não me causou nenhum dano. Isso tudo é muito estranho, e impossível.

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