No cry

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Sou uma garota com sonhos e problemas comuns. Me preparo para mais um dia de esforços para alcançar meu tão almejado curso. E assim que entro na escola, advinha!? Ninguém sabe quem você é - a não ser - se você namorar um dos caras mais desejados da escola e que já pegou a metade das meninas. Porém, me acostumei com os olhares de "raiva" que recebo. E também, modestamente, sou umas das melhores alunas, logo, existem seres humanos que se aproximam de mim por interesse. Não que eu me importe, pois sempre busquei tratar todos de uma forma agradável. Enfim, faz alguns dias que tenho notado meu namorado apreensivo, nervoso, como se em algum momento uma bomba fosse cair em seu colo, logo, ele tem se tornado cada vez mais distante; eu conversei com minhas amigas e elas disseram que isso devia ser coisa da minha cabeça e, o inacreditável é que nós conseguimos fazer disso várias piadas que nos renderam várias risadas. Mas, é importante você saber desses fatos, pois lhe farão entender.
Durante o horário de almoço, estava eu a caminhar pelo corredor com a bandeja que estava com comida quando me deparei com minhas "amigas" conversando entre elas.
- Ela não tem capacidade suficiente. Sinto tanta pena dela, principalmente, pelo fato de o único familiar dela estar morrendo.
- Não acredito que chegamos ao ponto de ser amigas dela por pena, estamos nos rebaixando demais.
Eu fico paralisada na esquina do corredor, não consigo identificar quem havia falado, mas não faz diferença, pois elas acabam de confirmar o que eu sempre tive dúvida. Elas nunca me olharam como seu eu fosse um perigo, uma concorrente e isso às vezes me chateava; tenho consciência de que nossas vidas eram completamente diferentes e não dava para eu viver estudando. Me virava entre visitar e cuidar de meu pai no hospital, cuidar de nossa casa e ainda por cima, trabalhar meio período na lanchonete do melhor amigo de papai, que era como um tio para mim. Então, eu estudava,mas não como elas. Depois de ter escutado tudo isso, larguei minha bandeja - que por sinal fez um estrondo altíssimo no corredor - e sai correndo sem direção enquanto eu permitia lágrimas saírem e escorrerem pelo meu rosto, por sorte, o almoxarifado estava aberto e entrei nele sem me importar se tinha alguém e graças ao meu bom Deus, não tinha ninguém. Eu chorei por descobrir que não tenho amigos, pelos problemas que eu estava tendo de enfrentar sozinha e, principalmente, por estar sozinha. Pelo menos, eu achava, que tinha um porto seguro, meu namorado. Ele sempre me fazia rir nos piores momentos, mas sempre estava ao meu lado, então, limpo minhas lágrimas e decido ir atrás dele. Quando adentro na sua sala de aula parece que ele sente minha presença e se vira para trás e eu sorrio, ele vem em minha direção e quando o abraço, sinto seu corpo ficar rígido.
- O que foi?
- Nós precisamos conversar e preciso que você tente compreender.
- Tudo bem.
E quando estamos saindo para conversar, o sino toca avisando que temos que assistir aula.
- Amor, vamos nos encontrar depois. Tenho que ir. - Lhe dou um selinho e saio correndo para minha sala, mas antes, vejo um lampejo de preocupação e culpa em seus olhos.

2 dias depois...

As meninas devem ter percebido que eu havia escutado tudo naquele dia, pois tentaram conversar comigo e como perceberam que eu não cederia, acabaram desistindo e estavam me dando um tempo. Meu namorado não era mais meu porto seguro. Eu havia descoberto do pior jeito, me enviaram várias mensagens contando a história de uma aposta para namorar durante um mês com a nerd que fosse escolhida pelos desafiadores, no início fiquei confusa, mas não chegaram mais mensagens e sim fotos de eu fazendo papel de otária. Eu não queria acreditar, porém, ele apareceu desesperado na minha casa pedindo para conversamos.
- Me deixe explicar
- Então, é verdade. Você tem noção da destruição que está causando em mim? Eu entreguei meu coração para você.
- No começo era uma aposta, mas depois eu me apaixonei por você, e me abri para você, eu também lhe entreguei meu coração. Estamos juntos a oito meses. Por favor, me perdoe. Você já faz parte da minha vida.
-  Me dê um tempo. Você sabe tudo o que estou passando.
- Eu vou te esperar, o tempo que for necessário par você me perdoar e me aceitar novamente.
                                 ****
O engraçado, é que a minha vida possui um imã para atrair catástrofes. Eu fui em um dia comum visitar papai quando cheguei no corredor em que ficava seu quarto estava tendo uma correria e agitação dentro de seu quarto. Corri imediatamente para lá e me deparei com a pior cena da minha vida. Meu pai estava tendo um ataque cardíaco e seu coração havia parado de funcionar e os médicos estavam fazendo de tudo para reanima - lo.
- Recarregue em 200. - E eu via seu corpo debilitado recebendo impulsos elétricos em seu peito sem nenhuma reação de sua parte. Me aproximei de seu corpo e me vi no momento mais desesperante da minha vida.
- Papai! Volta para mim! Por favor, eu não tenho ninguém a não ser você. Volte para mim, eu quero lhe ver sorrindo.
- Sinto muito. Hora do óbito às 15:44. - O oncologista de meu pai me olhar com grande pesar.
Eles me retiraram de dentro do quarto e me senti desolada. Até meu "tio" chegar e me abraçar.
- Sinto muito, querida. Vou cuidar de você como se fosse minha filha. - Eu sabia que aquela promessa era verdadeira, ele jamais deixava de cumprir sua palavra. E por instinto, olho para trás e me deparo com o meu porto seguro me olhando com cautela com se estivesse me pedindo permissão para se aproximar, eu corro para os seus braços. Ah, aqueles braços que sempre me deixavam confortável, segura.
- Eu sinto muito. Me deixe estar ao seu lado, você não tem que enfrentar tudo isso sozinha. - Não possuo forças para falar e apenas aceno com a cabeça encostada em seu peito e o sinto soltar o ar que estava prendendo, em seguida, ele beija o topo da minha cabeça.
 
Aqui estou eu, fugindo, ou melhor, tentando desaparecer durante algum tempo. Depois de sair do enterro do meu pai, percebe o quanto solitária vou ficar apesar de possuir dois homens incríveis que se importam comigo, porém, o mais importante deles se foi e agora tem um buraco enorme no meu peito e eu preciso ficar num local que me traga paz e que por um momento me faça esquecer de tudo. Então, assim que chego na minha nova casa - casa do meu tio - pego minha mochila e guardo algumas peças de roupas e pego na minha caixinha todo o dinheiro que eu tenho guardado e decidi pegar um trem e ir para o interior litorâneo, era assim que eu e papai fazíamos na maioria dos verões.

Chegando lá, tiro meu tênis e sigo para a areia onde me sento e começo a deixar a brisa levar meus pensamentos. Lembro de uma aula de física que tive no ano passado quando estávamos aprendendo frequência e o professor citou o exemplo de uma baleia "solitária", pois o natural era que baleias, tipo a azul, emitisse um som com frequência de 15-20 Hz, enquanto, que essa foi descoberta no século passado e o que lhe tornava diferente das outras espécies, era que ela emitia um som com frequência de 52 Hz. Por isso, tinha o nome de baleia solitária. Me identifiquei bastante com ela. Os pesquisadores achavam ou acham, que ela é surda. Enfim, me identifiquei bastante com ela, pois um dia ela já teve uma família. O mais triste é que ela nunca deve ter tido companhia para nadar nessa imensidão azul e líquida, enquanto, eu tive amigos - por mais que fossem falsos, já tive.
- É amiga, parece que somos mais próximas do que imaginamos.

Enquanto, ela grita dentro do mar querendo que alguém lhe veja, querendo desabafar sobre toda a sua solidão desde o início de sua vida, aqui estou eu, querendo gritar sobre estar - provavelmente - no momento mais difícil da minha vida. E então, resolvo gritar até eu sentir minha garganta queimando e meus pulmões pedindo ar. Gritei por tudo que havia acontecido nos últimos dias.
Depois, fui para um hotel próximo da praia e decidi que no dia seguinte retornaria para meu novo lar e enfrentaria meus problemas com a coragem de uma baleia e, de que gritaria quando fosse preciso para me escutarem. Afinal, não é todo dia que se encontra uma baleia que emite um "grito" de 52 Hz e que tem coragem de viver sozinha.





OLÁ PESSOAL!
        É a primeira vez que escrevo algo desse tipo. Espero que tenham gostado.

OBS: essa história é baseada na música Whalien 52 - BTS, então, não obrigatoriamente precisa ter os meninos como personagens. Então, por favor, entendam.


P.S. favoritem e comentem. ❤

Bjs da Deb ❤

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⏰ Última atualização: Feb 02, 2017 ⏰

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Whalien 52Histórias para pegar e não largar. Descubra agora