Capítulo XIV

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Já havia passado uma semana e até agora nenhum sinal de Matheus na escola, Alícia havia perguntado para algumas pessoas da sala se algo de ruim acontecera com ele, mas todos disseram não saber o motivo das faltas.

Estava preocupada, mas principalmente curiosa para saber o que Matheus queria conversar com ela.

Não queria ter que ir à casa dele, pois Natan não deixaria e se fosse escondido, o relacionamento de ambos podia acabar.

Ela gostava de Natan, mesmo com aquele seu jeito galinha. Mas e Matheus?

Para ela, Matheus era um problema indecifrável, não sabia o que sentia por ele, ou sabia e não queria admitir. E no momento, a segunda era a correta.

Ficar sem vê-lo no corredor estava lhe matando por dentro, o pior era que não o via mais em lugar nenhum. Como queria que ele chegasse atrasado outras vezes, ia no banheiro durante a segunda aula todos os dias para certificar-se de que ele não estaria correndo pelos corredores.

Porém ele não estava, então resolveu usar o ultimo método mais perigoso, faltar a um dia na escola sem avisar Natan, e ir visitar Matheus, pelo menos para saber se estava tudo bem, não é?

Era quarta-feira, dia perfeito para pôr seu plano em ação, Natan não lhe levaria para o colégio hoje, pois dissera ter que ajudar seu pai em seu trabalho e assim que saísse só se veriam no colégio. Alícia havia dito que iria, pois se tivesse dito que não iria, Natan faria questão de ficar com ela.

Já era sete e meia da manhã e Natan provavelmente estaria em sala de aula, atrasado, então não veria Alícia tão cedo. E de fato, nem cedo e nem tarde.

Alícia estava à caminho da casa de Matheus, apressava cada vez mais o taxista como se estivesse atrasada para um casamento.

Dez minutos depois Alícia estava em frente ao portão preto, chamou pelo interfone e logo foi atendida por Sherman, que lhe deixou entrar.

- Onde está Matheus? - Perguntou Alícia enquanto passava pela sala de estar, fitou Sherman.

- Acredito que no quarto senhorita. - Sherman havia começado a limpar algumas taças de vidro em uma pequena estante.

- Por que não está indo ao colégio? - Alícia olhou para as escadas.

- Ele está gripado. - Agora Sherman estava organizando as taças. - O senhor Ferraz anda tendo umas febres muito elevadas, acho que a senhorita deveria lhe fazer uma companhia, apenas porque ele está sozinho a muito tempo.

- Hum.. Eu vou fazer isso, obrigada Sherman. - Alícia começou a subir as escadas.

Sherman deu baixas risadas e balançou a cabeça negativamente.

Alícia parou em frente a porta do quarto de Matheus e ouviu um som de chuveiro, Alícia concluiu que ele estava no banho, mas mesmo assim bateu na porta.

- Está aberta Sherman! Pode deixar os papéis em cima da cama! - Exclamou Matheus do banheiro e logo Alícia adentrou o quarto, sentou-se a beira da cama e olhou ao redor.

A cama estava bagunçada e com uma parte funda, o que provava que Matheus tinha acabado de se levantar, haviam pôsteres de alguns jogos onlines colados na porta de seu guarda-roupa e fotos de família em sua mesa de computador.

Alícia se aproximou da mesa e começou a observar as fotos, sorriu ao ver uma em que ela aparecia nas costas de Matheus.

Algo tirou sua atenção e logo se aproximou da janela do quarto, estava começando a chover forte lá fora, o que era péssimo, pois com chuva não conseguiria um taxi por ali e não chegaria em casa a tempo de se desculpar com Natan por ter faltado ao colégio.

- Há quanto tempo. - Uma voz soou um pouco atrás dela, que logo reconheceu ser de Matheus.

- Eu que digo, você anda.. - Alícia se virou para Matheus, e por um momento travou a fala, ele estava apenas com uma toalha enrolada na cintura, revelando seu abdômen com curvas musculosas levemente traçadas e poucos pelos castanhos na altura do peitoral.

Ele lhe fitava com certa curiosidade e secava o cabelo com uma toalha menor. Seus olhos caramelos estavam hipnotizantes diante do cabelo castanho molhado, e sorria com timidez, o que poderia mudar facilmente e se tornar em um outro tipo de sorriso.

- Ando o que? - Matheus atrapalhou seus pensamentos e foi até o guarda-roupa. No momento em que soltou a toalha da cintura Alícia virou-se de costas.

- Achei que estava gripado. - Disse Alícia. Matheus riu e terminou de se vestir ficando com uma bermuda e uma camiseta de manga comprida.

- Bom, eu estava, mas com ajuda do Sherman melhorei rapidamente. - Matheus se jogou na cama e colocou as mãos atrás da cabeça. - Sentiu minha falta?

- Não. - Mentiu. - Só fiquei preocupada, todos estavam sem notícias suas à mais de uma semana, então..

- Andou perguntando sobre mim? Que gentilesa. - Sorriu ironicamente.

- Não também, mas de qualquer forma, só fiz meu papel de amiga. - Sorriu orgulhosa.

- Sei.. E veio só pra isso? - Matheus levantou uma das sobrancelhas.

- Na verdade não, quero saber por que você me beijou. - Alícia cruzou os braços.

- Só isso? - Matheus notou a expressão confusa de Alícia e logo prosseguiu. - Foi porque eu quis, somente.

- Como assim? Teve vontade de me beijar e simplesmente fez? - Alícia se demonstrou irritada.

- Foi o que aconteceu, não foi? - Matheus resmungou algo, o que deixou Alícia mais irritada. - Ah, o melhor, foi que você deixou.

- Matheus! - Alícia exclamou e foi em direção a porta do quarto.

- Onde vai? - Matheus sentou-se na cama olhando Alícia.

- Vou embora, já tenho minha resposta. - No momento em que Alícia estava abrindo a porta, Matheus fechou-a novamente e parou em frente dela.

- O que foi? - Encostou-se na porta e cruzou os braços.

- Nada, só queria minha resposta e consegui. - Alícia segurou à massaneta da porta. - Deixa eu passar.

- Você não vai embora, não nessa chuva. - Matheus tirou uma chave do bolso e virou-se para a porta, trancou.

- Eu pego um taxi, destranca a porta. - Alícia tentou pegar a chave na mão de Matheus, que logo jogou a mesma em cima do guarda-roupa.

- Não tem taxi por aqui, só eu posso te levar. - Matheus foi até a cama e se sentou como antes. Nessa hora Alícia pegou o celular e começou a discar o número de Natan. - Se você conseguir ligar para ele vai ser uma sorte e tanta.

Sem sinal, Alícia viu em sua tela e logo entrou em pânico.

- Matheus, o que você quer? Eu vou gritar socorro. - Alícia fitou Matheus assustada.

- Boa sorte, só estamos nós aqui, e Sherman já deve ter ido ao mercado como eu lhe havia pedido, agora podemos conversar Alícia, só nós dois. - Matheus chamou Alícia para se sentar ao seu lado com um sorriso perverso no rosto.

Alícia se sentou na cama cautelosamente e suspirou.

- Tudo bem. - Finalmente saberia o que Matheus tinha pra falar.
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Pessoas do meu coração, queria pedir à vocês para colaborarem comigo.

Ta difícil divulgar isso aqui
To sofrendo, é triste /drama

Mentira. Já estou muito feliz de poder compartilhar minha história com vocês, então aproveitem! E claro, me ajudem com estrelinhas.

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