Acordar atrasado para o colégio já estava virando rotina, com a ajuda de Sherman as vezes, do contrário, Matheus nem teria acordado.
- Senhor, o que está havendo? O senhor costumava ser pontual. - Perguntou Sherman enquanto Matheus colocava seu tênis.
- Tanto faz Sherman, ir pra o colégio não está rendendo em nada. - Suspirou.
- E aquela Joice? Como foi o passeio? - Perguntou interessado.
- Também não rendeu em nada Sherman. - Levantou-se procurando sua mochila que por sinal não encontrava em lugar nenhum. - Quer dizer, ela é legal, me diverti, mas não, com certeza não.
- Como assim? Ah, sua mochila está no sofá senhor. - Matheus foi até a sala de estar e logo vestiu a mochila nas costas enquanto Sherman lhe seguia e aguardava a resposta.
- Sherman, Joice não faz meu tipo, entende? Meu tipo é...
- Melhores amigas senhor? - Perguntou o mordomo com um tom debochado.
- Olha, seu... - Gargalhou Matheus. - Sim, Sherman, basicamente. Até mais tarde.
- Até senhor.
Matheus estava agora passando pelo o que Alícia passava quase todas as manhãs, aguardando na secretaria até a segunda aula, sem contar com Valéria, que sendo coordenadora se achava no direito de saber a vida pessoal de todos.
- Curioso o senhor chegar atrasado, algum problema de família? - Perguntou Valéria fingindo ser gentil.
- Tanto faz.
- Como assim tanto faz? - Valéria perguntava como se fosse algo normal de se perguntar.
- Sem querer ser grosseiro, mas a senhora não poderia fazer outra coisa em vez de querer cuidar da minha vida? - Virou os olhos.
- Olha aqui mocinho... - A coordenadora começou um discurso que duraria uma hora se o sinal não tivesse tocado.
Finalmente o sinal tocou! E Matheus logo começou a subir as escadas em direção à sua sala, fazia tal coisa com pressa, queria se afastar da coordenadora o mais rápido possível e também, poder pensar em quem lhe importava.
Porém, algo piorou seu objetivo, pois logo ao virar o corredor trombou em alguém.
E esse alguém era Alícia, que agora estava caída no chão reclamando de seu ombro esquerdo.
- Você não vê por onde anda?! - Exclamou Matheus agachando e tentando ajudar de alguma forma.
- Eu?! Por acaso você está participando de alguma corrida?! - Alícia ignorou a ajuda e levantou-se com a uma das mãos no ombro.
- Não, somente pressa. - Matheus falou abaixando o tom de voz. - Você está bem?
- Estou... - Alícia se afastou ao ver Matheus se aproximar e tentar examinar seu ombro. - Não preciso de ajuda, já disse que estou bem.
- Fica quieta. - Matheus subiu a manga de sua camiseta lentamente e tentou mover seu braço com calma até ouvir Alícia dar um baixo gemido de dor. - Está deslocado, vou ter que colocar no lugar.
Alícia não havia escutado nada que ele acabara de falar, estava distraída analisando o rosto de Matheus que estava soado e levemente corado nas bochechas.
- Ei? - Matheus começou a fita-la ao perceber que não havia lhe respondido.
- O que? - Alícia desviou-se dos pensamentos.
- Não ouviu o que eu disse? Em que mundo estava? - Franziu as sobrancelhas.
- Ah, nenhum, estava pensando somente em algumas coisas, nada de importante..
- Hum, tudo bem. - Voltou a olhar para o ombro, segurou de maneira delicada e de repente, um grito agudo. - Coloque gelo depois.
- Quem deixou você fazer isso?!
- Você não respondeu minha pergunta, então levei o silêncio como um sim. - Sorriu.
E que sorriso! Alícia esquentou, não somente seu rosto, mas sim todo seu corpo.
Envergonhou-se por sua própria reação, como se Matheus pudesse sentir o mesmo calor e julga-la por tal ato. Mas o que lhe entregou não foi isso.
- Por que está vermelha? - Matheus se aproximou, e conforme ficava mais perto, notou que Alícia ficava mais vermelha. - Olha só seu rosto! Está bem?
Tantas perguntas, por que tantas perguntas?! Alícia tentava de alguma forma controlar seu corpo e ia dando passos para trás cada vez que Matheus se aproximava.
- Não estou vermelha, estou muito bem.. - Falou com voz trêmula.
Quando se deu conta não havia mais espaço para andar, somente a parede em suas costas.
- Então por que está assustada assim? To quase ouvindo seu coração daqui. - Matheus continuou se aproximando até ficar com seu rosto bem próximo ao dela, ouvindo sua respiração abafada e vendo como seus olhos estavam assustados.
- Matheus...se afasta...por favor.
- Por que? - Matheus apoiou uma das mãos na parede e fitou os lábios de Alícia.
- Matheus...você sabe que...
- Sei.. - Matheus selou seus lábios aos dela sem se importar com o que poderia acontecer depois, e por incrível que pareça, nada aconteceu. Alícia não lhe empurrou dessa vez, correspondeu. Ela entrelaçou as mãos em seu cabelo ondulado e segurou firme como se quisesse resistir mas não conseguisse. E de fato, não conseguia.
Só haviam esquecido de algo, a segunda aula começara a um bom tempo, e os dois estariam encrencados se permanecessem fora da sala de aula.
- Matheus.... Por que fez isso? - Perguntou Alícia minutos depois. - Você não devia...
- Depois conversamos. - Matheus ajeitou a mochila nas costas. - Vou indo, tô atrasado.
- Mas... - Logo Matheus depositou um selo em seus lábios e sorriu.
- Shh...
×
Novamente, um beijo entre os dois, só que dessa vez Alícia não havia rejeitado, muito pelo contrário, havia correspondido de uma forma natural que Matheus pensou que ela não estava mais com Natan.
E ela estava, tanto que se culpou totalmente por aquele beijo, Natan não podia saber daquilo. E aquilo não podia acontecer de novo, porém não dependia somente dela.
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GENTE, eu to parecendo sonsa, mas eu to muito feliz com essas 123 visualizações :B
Só falta agora ter mais estrelinhas.
Me ajudem, beijos!
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Seja Minha
RomanceAlícia sempre foi uma garota normal, com os amigos necessários, um trabalho não tão valorizado, mas com uma comissão que já lhe ajudava com as despesas de seu "apertamento", estava ainda terminando o Ensino Médio, mas por conta de suas brigas com a...
