Depois de tanto bufar ao lembrar-se da última conversa com Alícia, Matheus passou a focar-se totalmente em seus estudos, hábito raro, pois essa opção só surgia quando algo o havia incomodado muito e de alguma forma queria esquecer. Nesse caso, óbvio o que o incomodou.
Iria finalmente chamar Joice para sair, queria provar a si mesmo que conseguiria seguir seu caminho longe de Alícia, afinal, ela era somente uma garota como todas, não é mesmo? E se existissem melhores? Joice talvez?
Já havia se desgastado o suficiente para notar o que Alícia sentia por ele, e pelo o que tinha concluído, nem a amizade estava como sobra, segundo Matheus, é claro. Afirmou a si mesmo que o amor era algo cego, surdo e mudo, além de tudo, era trouxa.
E isso se aplicava não somente a si mesmo, mas como também à Alícia com seu amor por Natan, como podia ter jogado uma amizade de anos no lixo por causa de um cara que acaba de surgir na sua vida? Imprudente.
Mas o que restava a Matheus agora era somente se desviar de sua vida particular, a não ser sobre conhecer novas pessoas e sair com elas.
E assim fez, estava pontualmente em frente a casa de Joice, aguardando em seu carro com o intuito de se divertir na presença daquela moça adorável.
- Não pensei que um cara como você fosse pontual... - Comentou Joice logo após de se pôr no banco-carona.
- E o que quis dizer com um cara como você? Tenho uma característica específica? - Dizia Matheus enquanto ajeitava seu cinto e ligava o carro dando a partida.
- Não exatamente, só imaginei que um cara riquinho como você jogasse tudo para o alto, entende? Que não se importasse com atrasos e que apostasse até em cassinos. - Joice fez uma expressão de pouco caso.
- Sua consideração por mim é admirável. - Matheus lhe jogou um olhar com um sorriso debochado. - Costumo beber em bares também, virar as noitadas e acordar de sunga no meio de algumas avenidas.
- Encantador, que sejam multiplicados os caras assim. - Disse com irônia.
Estava começando a se distrair e se divertir, não com quem desejava se divertir, mas pelo menos isso o ajudaria a ser mais alegre em momentos tristes.
×
O arrependimento batia à porta do coração de Alícia, mas a incredulidade fazia o mesmo em sua cabeça. Como Matheus podia ter mentido daquela forma? Depois de tantos anos amigos.
Depois de tantos anos amigos e Matheus nunca mentiu. Esse pensamento surgiu na cabeça de Alícia de repente, enquanto a mesma preparava um jantar simples no aguardo de Natan para conversarem.
Matheus nunca havia mentido antes, por que mentiria agora? A não ser que não estivesse mentindo, talvez...
– Claro que não! Concentre-se no macarrão Alícia! – Exclamou à si mesma, achando superficial e infantil.
De fato, Matheus podia estar certo, mas o medo de aceitar a verdade era maior do que acreditar nela, Natan havia jurado amor a ela e ainda já tinham feito planos para depois do casamento.
Se voltaria a falar com Matheus não sabia, mas antes de tudo precisaria tirar isso a limpo com Natan.
- E então, o que tem a dizer sobre isso? - Questionou Alícia à Natan desconfiada. Já estavam sentados a mesa e comendo tranquilamente, no entanto, Natan reagiu estranho depois de tal pergunta.
– Ridículo! Você vai acreditar nele?! Depois de tanto tempo que estamos juntos?! Como pôde Alícia?! Não pensei que fosse assim! Sinceramente, acho.. – Natan protestou enquanto Alícia olhava a cena perplexa.
– Ei ei ei! Calma ai garotão, eu só fiz uma pergunta, não interprete mal, se isso não é verdade, simplesmente diga que não é! – Disse tentando acalmar Natan que já estava com o rosto fervendo.
– Aquele cretino! Eu sabia que ele não prestava! Quando chegar amanhã..
– Quando chegar amanhã você vai continuar sua rotina normalmente amorzinho, acalme-se, deixe o Matheus em paz, por mais que tenhamos brigado ainda somos meio que amigos.
– Então está escolhendo ele em vez de mim?! – Natan levantou-se bruscamente da cadeira.
– Não! Para com isso! Deixa o Matheus pra lá, ok? Somos só eu e você agora. – Alícia aproximou-se e começou a distribuir beijos pelo rosto de Natan, que pareceu satisfeito e egocêntrico como sempre.
Por muito pouco seu relacionamento não acabou, mas mesmo assim estava se sentindo entranha, por que quando estava perto de Matheus seu coração acelerava compulsivamente e quando estava com Natan nada mudava?
Uma explicação havia para isso, mas Alícia não estava nem um pouco interessada em descobrir qual era, não ainda.
Matheus tinha que pagar caro pelo o que fez, de alguma forma que Alícia não sabia como.
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Seja Minha
RomanceAlícia sempre foi uma garota normal, com os amigos necessários, um trabalho não tão valorizado, mas com uma comissão que já lhe ajudava com as despesas de seu "apertamento", estava ainda terminando o Ensino Médio, mas por conta de suas brigas com a...
