A lei do mais forte

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Em uma arena qualquer de Tiberius em Tapista no ano de 1413

— Mas que inferno, esse maldito tinha me falado, que caso eu vencesse as 30 lutas seguidas ele ia me libertar.

Sangue escorre da parede onde um soco foi desferido em um momento de ódio. Ódio esse originado de um jovem Sulfure, que a anos anseia por liberdade, essa mesma que um dia lhe foi roubada junto da morte de sua mãe e agora lhe é negada por uma mentira de seu dono.

— Acho melhor você se acalmar Galareon, se não Tibas vai te castigar. Caso isso aconteça quem vai me fazer companhia aqui, né?

Uma tentativa falha de acalmar ele. Mas o jovem elfo que era seu companheiro de quarto não podia deixar de tentar, até porque todos sabem o destino de quem ínsita o mínimo de rebeldia contra o seu senhor em Tapista, principalmente contra um senador. As mil chibatadas quase sempre deixavam os dissidentes a beira do colapso, mas nunca matando, até porque eles precisam proteger quem é mais fraco que eles.

— Eu sei, eu sei muito bem disso Elarion. Mas porra, não é possível que não tem nada que eu possa fazer para aquele desgr... para que o nosso mestre possa reconsiderar?

Ele senta no chão abraçando os joelhos em com os olhos marejados, por tanto tempo, tantas lutas e tanta dor, tudo pra nada. Elarion tinha acompanhado tudo de muito perto, ele chegou um pouco depois do Galareon. Convivem juntos a 12 anos quase, e possivelmente só conseguiram suportar isso por terem a companhia um do outro.

— Eu não sei, mas nada nos impede de pensarmos juntos em algo, né?

Enquanto com os olhos enfiados em suas pernas Galareon não percebeu o elfo se sentar do seu lado e ficar abraçado com ele. E como sempre só por o ter ao seu lado já fazia com que ele se acalmasse.

— O que eu faria sem você ao meu lado. Bora tirar esse desanimo que não combina comigo.

Ele da um abraço forte como retribuição e um beijo na bochecha. Agora levantado e com a determinação renovada e mais forte que nunca Galareon começa a andar de um lado pro outro do quarto pra ver se ele consegue pensar em algo. Até que ele para, abre um sorriso enorme de ponta a ponta do rosto e solta um pequeno riso.

— Acho que alguém teve uma ideia. Só espero que não seja maluca igual a ultima de tentar emboscar o nosso mestre.

— Fica tranquilo, essa vai ser um espetáculo.

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Elarion tinha certeza total que seria mais um plano super arriscado, mas pra quem só tem a opção de ser escravo pra sempre, a morte pode parecer uma grande liberdade. Ele nunca desencorajaria um plano de liberdade que o seu grande amigo e nos últimos anos amor da sua vida tivesse.

Azgher estava mais forte que nunca, a área vibrava a espera da luta de um dos melhores lutadores que tinham visto décadas. Galareon estava de um lado da arena se alongando enquanto esperava seu oponente. Mas tinha algo diferente em seu olhar aquele dia, ele estava sério. Ele ama lutar, e sempre se divertiu muito durante as suas lutas. Mas hoje não seria igual todas elas.

— É hoje que tenho a minha liberdade ou a minha morte. Cansei disso tudo.

Ele sussurra bem baixinho pra si mesmo, como se fosse um mantra. O portão do outro lado se levanta, revelando uma criatura quadrupede com o corpo encoberto de penas brancas e a cabeça de uma coruja. A plateia vibra muito ao ver qual seria o desafio do dia, e como sempre a batalha só acaba quando um tiver morto.

— Justo hoje que eu queria acabar com isso rápido, ai eles fazem o que? Me jogam contra essa criatura complicada.

O gongo toca, e nisso as amarras do urso-coruja caem no chão e a luta começa. A coisa investe com brutalidade pra cima do Galareon, no exato momento que o enorme bico ia lhe acertar ele pula pro lado e desfere um poderoso chute no flanco da criatura. Ele escuta o barulho de alguns ossos se quebrando no momento do chute, mas não dava pra analisar agora se foram os seus ou os dela. E aproveitando o impulso do primeiro chute, um segundo vem de cima usando o calcanhar.

A lei do mais forteStories to obsess over. Discover now