1.REUNIÃO INESPERADA

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Em Thalmya, há uma vasta gama de reinos. Alguns eu conquistei e com outros forjei alianças poderosas que até o momento não foram quebradas. Já faz 5000 anos desde minha ascensão como imortal, desde que os libertei de um antigo mal trazendo uma nova luz para este mundo... A porta do salão foi aberta severamente, rompendo a contemplação de meus pensamentos. O arauto entrou às pressas, claramente carregando novidades importantes.

— Senhor Ronan!

Levantei o olhar.

— Entre — respondi.

Ele curvou-se.

— Os marinheiros retornaram, meu senhor. O capitão e dois dos seus tenentes aguardam para relatar a missão e junto deles há uma moça que eles afirmam ter encontrado em suas jornadas!

— Meu peito apertou. Aquela expedição fora arriscada — terras não catalogadas, mares sem referência. Além disso, posso sentir a presença de um poder semelhante ao de um guardião menor. Será que ela...?— Fiz um gesto para deixá-los entrar.

Os três avançaram pelo salão junto da moça que fora citada e o capitão, ao tomar a frente deles, ajoelhou-se e ao erguer-se com a minha permissão, iniciou o relato:

— A missão quase fracassou, meu senhor. Após noites de tempestades, perdemos a orientação. Decidimos retornar para a zona portuária, mas meu tenente Omar insistiu em seguir a direção de um relâmpago. Disse que ouvira uma voz em sonho, afirmando que lá encontraríamos algo importante para o destino do Império.

— O capitão então ordenou que Omar tomasse a frente para que ele continuasse o relatório. O tenente tomou a frente e disse: Seguimos o relâmpago e então — Omar respira fundo — havia uma ilha na direção de um raio que não consta nos mapas. Ao investigarmos o ponto onde o raio caía constantemente, encontramos um domo envolto de raios cercando um único ponto naquela ilha. O domo se dissipou gradativamente conforme nos aproximávamos .

— E dentro dele eu suponho que estivesse esta jovem, correto?

— Sim, senhor. Ela estava nua quando a encontramos. Havia uma marca brilhante em seu peito. Ela estava viva... mas parecia presa em um estado de sonolência. Eu a envolvi com minha capa. Nada mais existia no arquipélago — apenas ruínas antigas e cadáveres fossilizados.

Meu coração acelerou. Ruínas emergindo... uma sobrevivente... um relâmpago guiando o caminho. Eu disse para que ela contasse a história dela.

Então, ela tomou a frente, timidamente, vestida com uma das roupas de Omar. Ao se aproximar, fez uma reverência conforme sugerido pelo meu arauto

— Meu nome é Yacy, senhor Ronan — disse ela. Omar me contou sobre o mundo atual... e sobre o seu sobrenome.

Minhas mãos se contraíram sobre o braço da cadeira.

— Você conhece o nome Pendragon?

Ela assentiu.

— Sim. Arthur Pendragon deixou com minha tribo a pedra do poder de Volnyr para que a guardássemos. Ele confiava em nós. E... — seus olhos se encheram de emoção. A expressão de seu rosto demonstrava alegria e regozijo e ela continuou — Também soube que você... o senhor... foi um dos responsáveis pela derrota definitiva de Volnyr.

— Yacy respirou fundo, e o brilho de lágrimas se formou em seus olhos.

— Obrigada, Senhor Ronan Pendragon, por libertar o mundo daquele maldito. Por finalizar o mal que assolou a minha ilha e por ter dado fim ao horror causado pelas forças dele.

— Meu coração fora tomado por uma alegria indescritível ao ver alguém contemporâneo a mim depois de milênios expressando tamanha gratidão! Então, Yacy prosseguiu — Há cinco mil anos, Babayaga e Hex lideraram o exército de Volnyr contra nós. Queriam recuperar a pedra. Meu povo lutou... e caiu. Quando elas chegaram até mim, eu invoquei o guardião da ilha, era o espírito celestial do relâmpago. Ele ouviu meu pedido e se fundiu a mim. A explosão resultante afundou toda a ilha, e tudo desapareceu. Eu também deveria ter desaparecido... mas aparentemente o guardião me preservou. Adormeci nas profundezas. E só despertei agora, quando a ilha voltou à superfície.

Ela respirou fundo.

— Quero ajudá-lo em sua causa, Ronan. Quero honrar o legado do meu povo e de Arthur e em troca... peço apenas que me conceda terras para fundar a minha tribo. Omar já prometeu que me auxiliará com o resto. O tenente corou violentamente. Pela primeira vez, vi nele algo além de disciplina. Vi humanidade, constrangimento e até um certo amor pela jovem diante de nós.

— Senhorita Yacy! — Eu disse firme — Eu aceito vossos termos, afinal, o império tem uma dívida de gratidão para convosco!

Se tu desejas auxiliar na causa do império, ficai para a próxima reunião.

Ela assentiu e eu falei aos demais o seguinte:.

— Quanto a vós marinheiros, estão dispensados até a próxima convocação! — Ao serem dispensados, eles prestaram reverência e saíram da sala.


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