Prologo

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                                 PERSONAGEM

Agatha ( história)

Ágatha cresceu com cheiro de óleo queimado e o som constante de ferramentas batendo em metal

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Ágatha cresceu com cheiro de óleo queimado e o som constante de ferramentas batendo em metal.
A mãe saiu de casa quando ela tinha apenas cinco anos. Não houve briga grande, nem porta batendo. A mulher simplesmente fez as malas um dia e não voltou. Marcelo, o pai, não explicou muito. Apenas ajeitou a filha no colo, limpou a graxa da própria mão antes de tocar o rosto dela e disse:
— Agora somos só nós dois.
E foi assim que Ágatha aprendeu a ser forte cedo demais.
A oficina do pai virou o centro do mundo dela. Enquanto outras meninas brincavam de boneca, ela aprendia o nome das peças, o barulho certo de um motor bem regulado e a importância de nunca deixar uma ferramenta fora do lugar. Marcelo não era um homem de muitas palavras, mas era constante. Presente. Seguro. E isso, para Ágatha, valia mais do que qualquer declaração de amor.
Quando ela tinha nove anos, James chegou.
O menino de doze anos veio com uma mochila pequena e um olhar desconfiado demais para a idade. O pai dele tinha morrido e a mãe, já envolvida com Marcelo há algum tempo, decidiu que era hora de juntar as famílias. No começo, Ágatha observou o novo "irmão" de longe. James era quieto, educado e carregava uma tristeza contida. Com o tempo, os dois se aproximaram da forma mais natural possível: em silêncio, lado a lado, enquanto Marcelo ensinava os dois a trocar um pneu ou ajustar um freio.
James a chamava de "maninha".
Ela o chamava de "maninho".
A palavra virou hábito. Depois, virou verdade.
Ágatha cresceu sendo a menina responsável da casa. Fazia lição, ajudava na oficina, cuidava da comida quando o pai atrasava e ainda encontrava tempo para desenhar escondida no quarto. A arte era o único lugar onde ela podia ser leve. Onde não precisava ser útil o tempo todo. Onde as linhas no papel não cobravam nada em troca.
Na escola, era quieta, mas não tímida. Tinha poucas amigas — Mia sendo a principal desde a adolescência. Namoros nunca aconteceram. Não porque ninguém tivesse se interessado, mas porque Ágatha simplesmente não dava abertura. Havia sempre uma moto para consertar, um trabalho para ajudar, uma prova para estudar, um desenho para terminar. No fundo, ela tinha medo de precisar de alguém do jeito que um dia precisou da mãe... e a mãe não ficou.
Aos dezoito anos, já trabalhava oficialmente na oficina. Aos vinte, fazia bicos em eventos de corrida profissional. Aos vinte e um, dividia a vida entre os estudos de Artes, as mãos sujas de graxa e a certeza de que o mundo real era feito de esforço, não de ilusões.
Ágatha nunca se viu como alguém especial.
Era só a filha do mecânico.
A irmã do piloto.
A menina que sabia resolver problemas com as próprias mãos.
Por isso, quando viu Alex caído no asfalto, não pensou duas vezes antes de parar.
Cuidar de quem estava quebrado era a única linguagem que ela realmente dominava.
O que ela não esperava
era que, pela primeira vez, alguém fosse olhar de volta
e enxergar mais do que apenas a garota da oficina.

Alex ( história)

Alex ( história)

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⏰ Last updated: Sep 21 ⏰

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