O começo do fim
Há histórias que começam com um beijo.
A nossa começou com sangue.
Eu costumava acreditar que as coisas ruins aconteciam porque as pessoas faziam escolhas ruins. Que, se você fosse cuidadosa o suficiente, se mantivesse a cabeça baixa e seguisse o caminho certo, nada realmente grave encontraria você.
Eu estava errada.
Nova York me ensinou isso.
Naquela noite, eu ainda não sabia o nome dele.
Não sabia quem ele era.
Não sabia o que comandava.
Não sabia quantas pessoas tinham medo daquele homem.
Eu só sabia que tinha visto alguma coisa que não deveria ter visto.
E que, a partir daquele momento, alguém também tinha me visto.
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— Você não devia ter vindo aqui.
A voz dele ainda ecoava na minha cabeça.
Baixa.
Calma.
Perigosamente calma.
Eu estava encostada contra uma parede fria, tentando controlar a respiração, enquanto ele permanecia alguns passos à minha frente.
Não havia pressa em seus movimentos.
Era isso que mais me assustava.
Pessoas perigosas deveriam parecer desesperadas, furiosas, descontroladas.
Ele não.
Ele parecia absolutamente no controle.
Como se aquele lugar pertencesse a ele.
Como se eu pertencesse a ele.
E, naquele momento, eu deveria ter corrido.
Deveria ter gritado.
Deveria ter feito qualquer coisa que uma pessoa sensata faria.
Mas fiquei.
Porque havia alguma coisa naquele olhar.
Uma coisa que eu só entenderia muito depois.
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Meses antes, eu era apenas uma estudante de jornalismo de dezenove anos.
Eu tinha uma melhor amiga que falava demais, um quarto de dormitório sempre bagunçado, trabalhos acumulados, uma família que esperava que eu fosse alguém que eu não tinha certeza se queria ser e uma vida relativamente normal.
Eu não conhecia criminosos.
Não conhecia homens perigosos.
Não conhecia segredos capazes de destruir vidas.
Até aquela noite.
Até Dhiego.
O problema é que, quando finalmente descobri quem ele era, já era tarde demais.
Porque o pior não foi descobrir que ele era um monstro.
Foi descobrir que eu estava apaixonada por ele.
E algumas histórias de amor não terminam quando o casal se separa.
Algumas terminam quando um deles finalmente entende que nunca deveria ter se apaixonado.
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Se eu soubesse onde aquela primeira noite me levaria, teria ficado no dormitório.
Teria recusado aquela festa.
Teria ignorado a bebida.
Teria olhado por onde andava.
E, principalmente...
Teria passado reto quando aqueles olhos encontraram os meus.
Mas eu não sabia.
Eu ainda era Carol.
E ele ainda era apenas um desconhecido.
Por enquanto.
ANDA SEDANG MEMBACA
Onde o Pecado Começa a Notícia Termina
AksiHá histórias que começam com um beijo. A nossa começou com sangue. Eu costumava acreditar que as coisas ruins aconteciam porque as pessoas faziam escolhas ruins. Que, se você fosse cuidadosa o suficiente, se mantivesse a cabeça baixa e seguisse o ca...
