A Cumplicidade que Ninguém Nomeia

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A primeira coisa que Lee Minho fez naquela segunda-feira foi roubar o café de Han Jisung.

- Ei! - Jisung reclamou, segurando o copo vazio. - Eu literalmente acabei de comprar.

Minho tomou mais um gole, completamente indiferente ao olhar indignado do amigo.

- Você coloca açúcar demais. Fica melhor assim.

- Então compra o seu!

- O seu já estava pronto.

Jisung bufou, mas sorriu. Era sempre assim.

Depois de quatro anos de faculdade, ninguém mais estranhava aquela dinâmica. Minho roubava café, comida, canetas e, às vezes, até o lugar de Jisung durante as aulas. Em troca, Jisung invadia o apartamento dele sem bater, usava suas roupas quando dormia lá e reclamava da geladeira vazia como se também morasse ali.

Eles eram inseparáveis.

- Vocês dois são um casal de velhos - comentou Felix, jogando a mochila sobre a carteira ao lado.

- Cala a boca - responderam os dois ao mesmo tempo.

Felix abriu um sorriso enorme.

- Tá vendo? Até sincronizados.

Jisung revirou os olhos enquanto Minho apenas se sentava ao seu lado como sempre fazia.

O professor ainda nem tinha chegado quando Jisung apoiou a cabeça discretamente no ombro do amigo. Era um gesto automático.

Minho nem olhou para ele. Apenas continuou mexendo no celular enquanto inclinava levemente o corpo para que Jisung ficasse mais confortável.

Ninguém comentou.

Porque aquilo também era normal.
Ou pelo menos era normal para eles.
Durante a aula, Jisung rabiscava coisas aleatórias no caderno enquanto Minho anotava absolutamente tudo com uma organização irritantemente perfeita.

De vez em quando, Jisung empurrava o próprio caderno para o lado.

- Me empresta suas anotações depois?

- Não.

- Minho.

- Você passou quarenta minutos desenhando um gato usando gravata.

- Era um gato advogado.

- Continua sendo um gato.

Mesmo assim, Minho puxou o caderno de Jisung para mais perto e escreveu algumas observações nas margens. Jisung sorriu sem perceber.

Pequenos gestos.

Era disso que a amizade deles era feita.

No intervalo, os dois foram até a cantina enquanto discutiam sobre um trabalho em grupo que provavelmente fariam sozinhos, porque os outros integrantes nunca apareciam.

Jisung falava demais. Sempre falava.

Movimentava as mãos, tropeçava nas próprias palavras quando ficava animado e ria antes mesmo de terminar as piadas.

Minho escutava tudo.

E fingia que não estava prestando atenção.

- E aí eu falei pra ele: se você colocar Comic Sans na apresentação, eu juro que denuncio por crime visual.

Minho soltou uma risada baixa.

Jisung imediatamente virou para ele.

- Você riu!

- Não ri.

- Eu ouvi.

- Foi um espirro.

- Minho, você espirra "rá".

Quando a chama acendeStories to obsess over. Discover now