idiota

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A fumaça de cigarro e o cheiro de álcool misturavam-se à luz baixa da sala de Finn, criando uma névoa que dançava conforme as pessoas se moviam. No espaço se sentia a vibração do grave da música, um pulsar constante que parecia ditar o ritmo caótico da festa. Rostos conhecidos riam alto, copos de plástico eram erguidos e a liberdade de estar entre os seus permitia que o se divertissem sem cerimônia.

No canto oposto ao agito, Sadie estava mergulhada na penumbra protetora. Ao seu lado, Yasmeen segurava um copo com a ponta dos dedos, o gelo estalando ocasionalmente. A conversa entre elas tinha fluído com a facilidade surpreendente de sempre; falavam sobre tudo um pouco, carreira, média intensa, estilo de musica, briga num bar, vôo errado e até receita de brownie vegano.

Havia uma cumplicidade silenciosa ali, um entendimento mútuo, que fazia Sadie sem querer se sentir verdadeiramente confortável.

O diálogo morreu naturalmente, dando lugar a um silêncio que, por alguns minutos, foi o lugar mais calmo daquela casa. Sadie observou o perfil de Yasmeen pela visão periférica — a linha do maxilar relaxada, o olhar perdido na multidão. A ruiva sentia-se segura naquele pequeno vácuo social.

Foi quando o ar mudou.

Pelo canto do olho, Sadie percebeu o movimento. Yasmeen não se virou bruscamente; ela apenas inclinou o corpo, reduzindo o espaço entre as duas com uma lentidão calculada, quase experimental. O perfume dela, algo que misturava flores cítricas com o toque metálico da bebida, atingiu Sadie antes mesmo de qualquer toque.

O mundo ao redor pareceu entrar em modo mudo. Sadie sentiu o próprio coração dar um solavanco violento, uma batida única e surda que ecoou nos seus ouvidos, sobrepondo-se à batida da música. Por um milésimo de segundo, a imagem dos lábios de Yasmeen aproximando-se, buscando uma confirmação, travou sua mente.

Instintivamente, sem planejar a rejeição, Sadie apenas desviou o rosto. O movimento foi sutil, um giro de pescoço para o lado oposto, mas o significado pesou como chumbo no espaço entre elas.

A respiração de Yasmeen, que Sadie já sentia perto de sua bochecha, recuou. O calor do corpo alheio se afastou conforme Yasmeen voltava para sua posição original, ajeitando-se no sofá com uma rigidez que não estava lá antes.

Sadie manteve o olhar fixo em um ponto qualquer da parede escura, as mãos apertando o próprio joelho por cima do jeans. Um riso curto, seco e carregado de um constrangimento escapou de Yasmeen. Foi um som desajeitado, de quem tenta digerir o erro em tempo real.

Sadie não conseguiu virar. Ela queria dizer algo, talvez uma piada para quebrar o clima ou uma explicação que nem ela mesma tinha formulado, mas sua garganta parecia fechada. O sangue subia pelo seu pescoço, e a única coisa que ela conseguia processar era o tamborilar frenético e desordenado dentro do peito.

— Eu vou... — a voz de Yasmeen surgiu baixa, quase engolida por uma risada alta vinda da cozinha. — Eu vou ao banheiro.

Sadie não respondeu. Ela sentiu o estofado se elevar levemente quando Yasmeen se levantou. O vulto da outra garota se afastou, misturando-se às silhuetas que dançavam e conversavam no meio da sala, até desaparecer no corredor.

Sozinha no canto do sofá, Sadie finalmente soltou o ar que nem percebeu que prendia. O barulho da festa voltou com força total, mas para ela, o silêncio deixado por Yasmeen era a única coisa que ainda conseguia ouvir.

Ao ficar ali sozinha por mais de quinze minutos, a volta de Yasmeen não parecia mais acontecer, e a culpa de pode tê-la magoado se fez presente. O que antes a paralisou pelo nervosismo transformou-se, em um frio cortante no estômago.

- soulmates -Historias para obsesionarse. Descúbrelo ahora