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É divertido usar você

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Naquela noite, eu não pesquisei nada. Não procurei outra explicação, não tentei reconstruir o ritual e muito menos quis pensar no que poderia acontecer se ela voltasse. Só que, no fundo, eu sabia que estava esperando por ela.

Quando adormeci, o quarto apareceu outra vez.

Ela estava perto da janela, de costas para mim, como se já soubesse que eu chegaria. Quando se virou, aquele sorriso apareceu lentamente em seu rosto. Não havia mais irritação. Havia satisfação.

Ela sabia que eu tinha parado de tentar fugir.

Aproximou-se da cama sem pressa e sentou ao meu lado. Por alguns segundos, apenas me observou. Depois passou a ponta dos dedos pelo meu rosto, começando pela testa e descendo devagar pela lateral até chegar ao meu queixo. O toque era leve, quase delicado, mas a maneira como ela me olhava fazia parecer que havia uma ordem escondida em cada movimento.

Ela segurou meu queixo e virou meu rosto para si.

Eu não conseguia falar.

Dessa vez, nem tentei.

Ela se inclinou e me beijou. Devagar no começo, como se estivesse testando minha reação. Quando me afastei para respirar, os dedos dela já estavam passando pela minha nuca, mantendo-me perto dela. O polegar percorreu minha pele logo abaixo da orelha, enquanto a outra mão repousava sobre meu peito.

Senti meu coração bater contra a palma dela.

Ela sorriu.

Depois me empurrou de volta para o colchão.

Não foi um movimento brusco. Foi quase tranquilo, e talvez justamente por isso tenha sido tão fácil obedecer.

Ela passou as mãos pelos meus ombros e desceu lentamente pelos meus braços, como se quisesse me lembrar de que estava ali. Os dedos apertaram minha pele de leve antes de voltarem para o meu peito. As unhas passaram devagar pela minha barriga, deixando um arrepio atrás de cada movimento.

Quando chegou perto da minha cintura, parou.

Olhou para mim.

Esperou.

Eu não sabia exatamente o que ela queria que eu fizesse, mas também não precisava perguntar. Permaneci imóvel, sentindo a expectativa crescer enquanto ela deixava a mão repousar ali por alguns segundos antes de voltar a subir.

Ela gostava de fazer isso.

Chegar perto.

Parar.

Me deixar esperando.

Os beijos seguiram o mesmo ritmo. Ela começou no meu pescoço, demorando-se na pele, alternando entre beijos leves e mordidas que faziam meu corpo inteiro reagir. Depois desceu lentamente pelo meu peito, sentindo cada reação minha como se estivesse aprendendo exatamente onde tocar.

Quando percebia que eu começava a perder o controle, ela diminuía.

Quando eu achava que finalmente tinha entendido seu ritmo, ela mudava novamente.

Em determinado momento, segurou meus pulsos e os manteve acima da minha cabeça. Não havia força suficiente para me machucar, mas havia firmeza suficiente para deixar claro que eu não deveria tentar escapar. Seu rosto ficou próximo ao meu, e eu conseguia sentir a respiração dela misturada à minha.

Ela me olhou durante alguns segundos.

Eu nunca tinha me sentido tão exposto.

E, ao mesmo tempo, nunca tinha desejado tanto continuar exatamente ali.

À Mercê DelaStories to obsess over. Discover now