A noite de Tokyo não chorava, ela despencava em uma fúria incontrolável. A chuva pesada chicoteava o asfalto da rodovia com uma violência bruta, transformando a pista em um rio escuro e lamacento onde os faróis dos raros veículos se perdiam em borrões alaranjados.
Dentro do sedã preto, o ar era sufocante, Minato não dirigia um carro, ele pilotava uma máquina levada aos limites absolutos da física e da sanidade.
Suas mãos estavam cravadas no couro do volante com tanta força que os nós dos dedos haviam se tornado brancos como mármore, a pele esticada ao limite. A cada segundo, o motor rugia em protesto, o ponteiro do velocímetro oscilando perigosamente acima do recomendável para uma pista alagada.
Mas a pressa de Minato não vinha da razão. Vinha de um lugar muito mais profundo, primitivo e visceral.
Dentro de sua mente, o lobo Alfa que habitava sua alma uivava em desespero, unhas cravadas nas paredes de sua consciência, exigindo velocidade, exigindo sangue, exigindo que superassem o próprio tempo.
Kushina.
O nome ecoava em seu interior como um tambor de guerra partido. O corpo dela havia colapsado semanas antes do prazo. Um pico de exaustão extrema, o estresse acumulado de uma gestação atípica e perigosa, desencadeado pelo início de um trabalho de parto abrupto e violento.
Ela estava sozinha na ala cirúrgica do hospital central. Sem o toque dele, sem a âncora de sua presença Alfa para estabilizar a febre e o pânico que ameaçavam rasgar o corpo da companheira ao meio.
— Aguenta, meu amor... Por favor, aguenta. — a voz de Minato saiu em um sussurro áspero, sufocado, enquanto ele contorcia o corpo contra o banco, os olhos fixos na cortina d'água que a pista estendia diante dele.
Faltavam apenas dez quilômetros para a entrada da cidade. A rodovia serpenteava pela base de uma colina íngreme, cercada por pinheiros escuros que parecem esticar galhos como garras na direção da estrada.
Foi então que o destino decidiu cobrar o preço daquela pressa cega.
Na descida da curva fechada do quilômetro trinta, onde a drenagem da pista falhava e formava uma lâmina espessa de água, os faróis de Minato iluminaram.
Vindo na contramão, desgovernado, derrapando, um caminhão de carga pesada, toneladas de ferro e madeira descontroladas, invadiu a pista contrária.
O motorista havia perdido o controle metros antes, e a inércia arrastava a massa colossal diretamente para a trajetória do sedã.
O tempo, que antes corria em desespero, estilhaçou-se de repente. O mundo desacelerou em uma fração de segundo sádica e cristalina.
Minato viu os faróis altos do caminhão cegarem seus olhos, refletindo-se nas gotas de chuva que dançavam pelo para-brisa. O lobo em seu peito deu um último uivo, não de fúria ou de ataque, mas de um reconhecimento trágico e inevitável.
Kushina.
Ele não pisou no freio; com a mente tomada pelo instinto protetor que cegava qualquer reflexo de fuga, ele girou o volante com toda a força para a esquerda, tentando desviar o impacto do lado onde o motorista estaria, sacrificando-se para dar uma chance infinitesimal à lataria oposta.
O estrondo abafou o trovão que desabava logo acima. O sedã de Minato foi recebido pela massa de ferro com a violência, o capô dobrou-se para dentro como se fosse feito de argamassa; o motor explodiu em uma chuva de faíscas e fumaça branca quando o radiador estourou; e a força inesgotável da colisão arremessou o corpo de Minato contra o painel estilhaçado.
O volante quebrou-se ao meio, a costelas cederam em um estalido seco e abafado, e o ar foi arrancado dos pulmões de Minato em um jato denso, escuro e quente de sangue que sujou o para-brisa trincado.
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The Only One.
FanfictionNaruto nasceu órfão e foi salvo por Mikoto Uchiha, que o levou para casa ainda no berço. Criado como o caçula da família Uchiha, ele cresceu envolto pelo amor excessivo de seus cinco irmãos mais velhos: Madara, Obito, Shisui, Itachi e Sasuke. Para e...
