CAPÍTULO 1: O melhor (pior) baile da minha vida
"Todas as grandezas do mundo não valem um bom amigo."
— Voltaire.
Terça-feira, 23 de dezembro, por volta das 17h40.
Estamos quase perto do ginásio. Quero dizer, deveríamos estar perto, eu acredito. O baile começou há, pelo menos, uma hora atrás, ou mais ou menos. Estamos congelando aqui fora, eu nem sei porque resolvi vir a pé. Eu olhei para o lado, e com seu vestido marrom como uma senhora, cabelos lisos e escuros quanto o breu que nos cerca, Luna olhava para os casais que se beijavam em suas portas. Ela tinha um forte desejo de namorar com o cara ideal, mas não conseguiu encontrar o ideal – segundo ela. Para mim, ninguém conseguiu chegar à sua altura. Quero dizer, Luna é linda com ou sem seus óculos, mas se dá o trabalho de tirá-los sempre que alguém olha demais para seus olhos.
— Você acha que eles duram? — ela perguntou, apontando com o nariz para um casal comum, sem nada especial.
— É, talvez até o fim do segundo ano. — respondi. — Se ela não ficar fria com ele.
Luna cruzou os braços, parecendo indignada com a minha resposta. Observando seu rosto confuso, deve ter levado o que eu disse a sério, como sempre.
— Mas, ei, isso não é uma coisa ruim. — eu disse, sorrindo levemente.
— Por que você diz isso? — ela perguntou, espirrando.
— Ás vezes algumas coisas não são para ser, Luna. — eu respondi, olhando para frente.
Ela espirrou de novo. Eu notei seu nariz ficar vermelho com a medida em que ela espirrava. É culpa minha estarmos andando.
— Foi mal.
— Por quê?
Luna é minha melhor amiga, apesar de termos o nosso grupo de amigos, somos mais próximos entre apenas nós do que com os outros. É aquela famosa regra: todo grupo de cinco pessoas tem, pelo menos duas duplas, ou, uma dupla e um trio. Somos a dupla.
— Se não fosse por mim, viríamos de carro. — eu respondi, rindo baixo sem vontade.
— Não se preocupe com isso. — ela disse, olhando para mim. — Mas você precisa se desculpar com o Nathan.
— Merda. — eu disse, respirando fundo enquanto revirava os olhos.
Ela tem razão. Eu nem pensei em como iria me desculpar com o Nathan, ou como lidarei com a Val se ela estiver sem paciência. Espero que ela esteja de bom humor.
— Luna, então — eu continuaria, mas Luna me interrompeu, sorrindo fracamente de forma irônica.
— A resposta é: não. — ela disse, colocando uma mão na testa.
— Ah, qual é? Me ajuda, só dessa vez, por favor! — eu pedi, quase de joelhos.
— O que você está fazendo? — ela perguntou, segurando meu braço para me manter de pé.
— Se não me ajudar, as pessoas irão ver que você me trata que nem lixo.
— Eu? — ela perguntou, sorrindo desconfortavelmente.
— Você. — eu respondi, colocando uma mão no rosto dela.
— Certo, pare. — ela disse, removendo a minha mão bruscamente. — Eu ajudo.
— Eu te amo. — eu disse, mas Luna revirou os olhos, desviando seu rosto.
Eu não mereço a amizade dela, é sério. Eu sou um cara perdido sem ela como uma bússola emocional.
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Bem menos do que um amor (Romance Gay)
General FictionOliver estava se divertindo no baile de inverno com o seu grupo de amigos normalmente, até que, de repente, um cara sobe no palco e dedica uma música para ele. Oliver fica sem saber onde se esconder, pois, além do constrangimento público: ele nem sa...
