Dois passos

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O relógio da parede marcava onze da noite quando a música finalmente parou.

A sala de ensaio foi preenchida por respirações pesadas e reclamações de cinco garotos que não aguentavam mais ficar de pé.

Tinha sido assim desde que saíram da Oner. A rotina era pesada, os treinos iam até tarde e nem sempre conseguiam colocar em prática todas as ideias que tinham. Mas, ainda assim, era melhor do que antes. Pelo menos, agora estavam juntos.

— Acho que não vou conseguir levantar amanhã. — Jun reclamou, enquanto pegava uma garrafa de água e jogava no rosto.

— Quem manda você ser um idiota? Se não ficasse improvisando toda hora, a gente não teria que repetir tantas vezes. — Dylan disse, passando atrás dele com sua cara de poucos amigos. 

Bem... só porque queriam ficar juntos não significava que davam certo vinte e quatro horas por dia.

Pepper se jogou no chão exageradamente, e soltou um som de protesto.

— Arr pelo amor de Deus. Todo mundo aqui tá cansado, tá? Ninguém quer ouvir mais uma discussão de vocês.

— Mas foi ele que começou. — Jun se defendeu.

Nano riu baixinho do canto da sala. Ninguém nem tinha notado que ele ainda estava ali. Ele normalmente era o primeiro a pegar suas coisas e correr pra casa.

— Quando vocês vão simplesmente admitir que querem se pegar e acabar com essa situação ridícula? — Nano perguntou, rindo. 

Dylan lançou um olhar rápido para Jun. Um olhar que ninguém percebeu além do próprio Jun. As bochechas de Dylan ganharam um leve tom rosado. Ele revirou os olhos na tentativa de disfarçar.

— Cala a boca. Como se eu quisesse pegar o Jun.

Jun sentiu um leve desconforto no peito, mas não demonstrou isso. Nem o próprio Dylan notou. Em vez disso, ele riu, e quando abriu a boca pra retrucar:

— Meninos, já chega por hoje! — o coreógrafo gritou da porta da sala — Vão pra casa e descansem. Amanhã quero vocês aqui às dez.  

Um coro de comemorações atravessou o estúdio.

Todos largaram as garrafas de água onde estavam e foram procurar suas mochilas.

Um clarão entrou pela janela, e instintivamente, Jun procurou Dylan com o olhar. Ele tinha congelado no lugar antes de conseguir se abaixar pra juntar suas coisas.

Todos sabiam que Dylan tinha medo de tempestades desde pequeno. Ele odiava admitir isso, então o resto do grupo fingia não perceber.

Jun queria se aproximar pra falar alguma coisa, qualquer coisa. Chamar ele de medroso ou mandar ele se apressar. Qualquer coisa que pudesse falar ali. Mas parou no meio do caminho quando Thame se aproximou primeiro e tocou seu ombro, dizendo algo em seu ouvido que Jun não conseguiu ouvir.

Dylan respirou fundo antes de assentir discretamente para Thame. O outro apertou de leve seu ombro e se afastou.

Dylan procurou por Jun pela sala, mas quando o olhou, ele estava rindo de alguma coisa com Nano. Provavelmente não tinha reparado na chuva que se aproximava.

Apertou a alça da mochila e seguiu os outros pra fora da sala.

Os meninos andavam na frente. Thame conversava por chamada com Po, enquanto Pepper e Nano conversavam sobre uma parte da coreografia que Pepper não tinha entendido.

Dylan estava mais atrás, mechendo no celular, tentando se distrair dos trovões que ficavam cada vez mais altos lá fora. Não estava funcionando muito, já que sua mão estava um pouco trêmula em volta do celular.

Vestígios de nós - JunDylan/NutHong Stories to obsess over. Discover now