PRÓLOGO
Não sei quanto tempo fiquei olhando para a mesma página.
Talvez segundos.
Talvez minutos.
Quando estamos com medo, o tempo deixa de funcionar direito.
Eu estava sentada no chão, com as costas encostadas em alguma coisa dura, tentando respirar sem sentir que meus pulmões estavam sendo esmagados por dentro.
Havia sangue na minha mão.
Não sabia de quem era.
Olhei para os meus dedos outra vez.
Tremiam.
— Nicole.
A voz veio de algum lugar à minha frente.
Meu coração disparou.
Eu conhecia aquela voz.
Conhecia?
Fechei os olhos por um instante, tentando encontrar alguma coisa dentro da minha cabeça que confirmasse aquilo.
Nada.
Só um vazio.
Um vazio enorme e assustador.
Abri os olhos.
O homem estava alguns metros à minha frente.
A luz atrás dele dificultava enxergar seu rosto.
Ele deu um passo.
Eu me encolhi imediatamente.
Ele parou.
— Não precisa ter medo de mim.
Minha garganta estava seca.
— Quem é você?
Ele ficou imóvel.
Por um instante, pareceu tão assustado quanto eu.
— Nicole...
— Eu perguntei quem você é.
Minha voz saiu mais firme dessa vez.
Ele respirou fundo.
Passou a mão pelo rosto.
— Sou eu.
Eu não respondi.
— Você não lembra?
Balancei a cabeça.
Ele olhou para o chão.
Parecia estar tentando esconder alguma coisa.
Talvez culpa.
Talvez medo.
Eu não sabia.
E era justamente isso que me aterrorizava.
Não saber.
Não reconhecer aquele rosto.
Não reconhecer aquela voz.
Não reconhecer a mim mesma.
Então ouvi um barulho.
Papel.
Alguma coisa havia caído ao meu lado.
Olhei.
Uma folha.
Peguei.
O papel estava amassado e sujo.
Havia uma frase escrita nele.
Uma frase que eu conhecia.
Eu tinha certeza disso.
Mas não conseguia lembrar de onde.
Não confie na primeira lembrança que voltar.
Li novamente.
Meu coração começou a bater mais rápido.
— O que é isso? — perguntei.
Ele não respondeu.
Olhei para ele.
— Você sabe o que é isso?
Silêncio.
Foi quando percebi.
Ele estava olhando para a folha.
Não para mim.
Para a folha.
Como se tivesse reconhecido alguma coisa.
Apertei o papel entre os dedos.
— Rafael?
Ele levantou os olhos.
E foi a primeira vez que vi medo de verdade no rosto dele.
Não porque eu tivesse dito o nome errado.
Mas porque eu tinha dito o nome certo.
Antes de tudo isso, eu não tinha medo do Rafael.
Eu só queria fugir dele.
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Não era eu
Mystery / ThrillerNão Era Eu Após encontrar um manuscrito esquecido entre as estantes da biblioteca da universidade, Nicole se vê presa a uma história que parece conhecê-la melhor do que ela mesma. A cada página, coincidências perturbadoras começam a se repetir: nome...
