Nos Lençóis Maranhenses, onde o vento move as dunas e lagoas desaparecem sem aviso, Cora vive dias quentes e repetitivos ajudando a mãe na pousada da família.
Depois de uma desilusão amorosa, ela faz um desejo desesperado durante uma tempestade de a...
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Ámmos aesthetic
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Prologo
O vento, como um ser antigo e revolto, açoitava seus cabelos longos. As roupas fluidas quase a arrastavam dunas abaixo, mas Cora não se importava. Queria ir com o vento. Queria ser tragada e levada para longe de toda a dor que carregava no peito, dissolvida junto da areia.
Os grãos dourados se prendiam ao caminho das lágrimas sobre sua pele morena, também em seus cabelos cacheados. Ela ainda não conseguia parar de chorar, nem sabia se algum dia conseguiria. Havia amado intensamente. E agora sofria na mesma medida. Talvez até mais.
Esse era o seu problema. Não sabia sentir pouco. Não sabia ser metade. Era sempre assim, intensa.
Cora fechou os olhos, expulsando as lágrimas quentes que insistiam em cair. Queria ser amada da mesma forma que era capaz de amar. Queria um amor desesperado, épico, uma paixão avassaladora daquelas que consomem tudo ao redor como fogo, porque até sua alma parecia feita de chamas.
Quando abriu os olhos outra vez, a tempestade ainda rugia, e o sol desaparecia lentamente no horizonte e, no meio da areia e do vento, caminhava em sua direção, o homem mais bonito que ela já tinha visto.