O silêncio na Mansão das Acácias não era a ausência de barulho. Era algo mais denso, mais pesado, era o silêncio que antecede o grito, ou o que resta depois que ele acaba. A chuva caía forte contra as vidraças, como se o céu tentasse lavar o que os olhos humanos não deveriam jamais ter visto, mas a sujeira da maldade humana não se dissolve em água.
No grande salão, a luz bruxuleante de velas e lanternas dançava nas paredes, criando sombras que pareciam se mover por conta própria. No centro do tapete persa, o corpo já estava frio. Era a gorvenanta, a mão direita da senhora da casa, uma mulher que dedicou toda a sua vida a servir e a proteger os segredos da família mais rica da região. Agora, ela era apenas mais uma estátua de carne e osso, vítima de uma violência crua e calculada.
E ali, deixada propositalmente sobre o peito da vítima, estava a marca. A assinatura.
Uma máscara de borracha branca, com traços etéreos, olhos vazios e negros como poços sem fundo, e uma expressão que mesclava um sorriso sádico e uma dor eterna. Ghostface.
Não era apenas uma fantasia. Era uma identidade. Uma lenda urbana que ganhará vida, transformando-se em um pesadelo real. Ele não gritava, não berrava suas intenções. Ele observava, ele esperava e quando atacava, era rápido, preciso e silencioso, como uma sombra que se descola da parede para sugar a vida de suas vítimas. A polícia já o perseguia há meses, talvez anos, mas ele era como fumaça. Você sentia o cheiro da destruição, mas nunca conseguia fechar as mãos ao redor dele.
- Ele ainda está aqui. Sussurrou um dos policiais mais antigos, sentindo um arrepio subir pela espinha, apesar do calor abafado do ambiente - O modo como tudo foi disposto... ele quer que achemos. Ele quer que saibamos que ele estava aqui e que ainda está olhando.
A afirmação fez com que todos os presentes olhassem involuntariamente para os cantos escuros, para os corredores que levavam aos andares superiores, para as janelas refletindo a tempestade. A sensação era sufocante. O monstro não havia fugido para as sombras da floresta; ele estava circulando a presa, escondido à vista de todos e até talvez entre eles mesmos.
A notícia alcançou a mídia mais rápido que a polícia. O assassinato dentro da fortaleza de pedra da elite era um tapa na cara da ordem. A família, desesperada e em pânico fez o impensável. Sabiam que o cérebro por trás daquela máscara era brilhante, doentio e perigoso. Para caçar um monstro, era preciso trazer os melhores caçadores.
E foi assim que o chamado foi feito.
De um lado, convocaram ela. A Detetive, uma mulher cuja inteligência era tão afiada quanto uma lâmina. Conhecida por desvendar labirintos mentais onde outros só viam confusão. Ela não acreditava em coincidências, e muito menos em "monstros", para ela, Ghostface era apenas um homem comum, corroído pelo ódio e pela insanidade.
Do outro lado, chamaram ele. O Investigador, o melhor da força, com instintos primitivos e uma reputação de nunca deixar um caso em aberto. Frio, metódico e inabalável, ele vivia pelas regras da evidência e da lógica.
A proposta era inusitada e perigosa. Uma espécie de competição, quem encontrasse a primeira pista concreta, quem desvendasse o primeiro quebra-cabeça deixado pelo assassino ganharia a liderança da investigação. Dois gênios, dois egos, duas formas de ver o mundo postos frente a frente com um mesmo ideal e duas formas diferentes de pensar. A mídia esperava um espetáculo, a polícia esperava resultados e o assassino... ah, o assassino certamente esperava por entretenimento.
O que ninguém esperava era que a convivência forçada seria o primeiro erro do plano. À medida que as noites passavam e o número de corpos aumentava de forma grotesca, a linha entre rivalidade e necessidade começou a se apagar. As mortes não eram aleatórias, elas tinham padrões, citações indiretas escritas com a cor carmesim do sangue das vítimas, símbolos que remetiam a pecados antigos desmascarados por ele e julgamentos divinos de um assassino. O terror psicológico era sua principal arma, como um quadro em branco a mercê de seu artista, mas este artista trabalhava com a morte.
A detetive e o investigador teriam que aprender a confiar um no outro.
Mesmo quando o clima quebrava a cada novo susto, mesmo quando a tragédia pessoal batia à porta, mesmo quando segredos há muito enterrados começavam a vir à tona revelando que talvez ninguém naquela mansão fosse tão inocente quanto parecia. Havia feridas abertas, questões de fé abaladas e dores que o uniforme ou o distintivo não conseguiam esconder. O mal não estava apenas do lado de fora, espreitando na escuridão, ele parecia ter se enraizado dentro da própria casa, contaminando almas e testando os limites da sanidade humana.
Ghostface estava assistindo. Ele sabia quem eles eram. Sabia seus medos, suas fraquezas, suas crenças. Ele não queria apenas matar, ele queria destruir, queria expor a podridão por baixo da beleza e da riqueza.
O jogo havia começado e nesse jogo não há regras, apenas a sobrevivência ou a morte. E a contagem regressiva já tinha começado.
"A seguir: O Início do Fim"
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[CAPÍTULO I]
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Segredos e Silêncio: A Assinatura da Morte
RandomSINOPSE Ele não é apenas um assassino. Ele é o seu pior pesadelo. Na imponente e isolada Mansão das Acácias, o sangue não é o suficiente para lavar os segredos da elite. Quando a fiel assistente da família é encontrada morta em cena brutalmente orqu...
